Publicado 23/07/2026 05:53

Os homens ocupam dois em cada três cargos nos conselhos editoriais das revistas científicas, segundo um estudo

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ISTOCK// CSIC - Arquivo

MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -

Um estudo sobre os conselhos editoriais de revistas científicas, elaborado por uma pesquisadora do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), revela que os homens ocupam dois em cada três cargos nos conselhos editoriais das revistas científicas.

O trabalho, publicado na revista “Journal of the Association for Information Science and Technology”, mostra, além de “uma clara maioria masculina, estruturas altamente hierarquizadas, uma elevada concentração de editores em universidades em comparação com outras instituições e um predomínio geográfico dos Estados Unidos e da Europa Ocidental”.

A pesquisa analisa a composição e a estrutura desses conselhos de mais de 10.000 revistas científicas de cerca de quinze editoras representativas de diferentes modelos de publicação, com base em mais de 811.000 cargos editoriais.

“O trabalho destaca a importância de analisar os comitês editoriais, uma vez que são eles que decidem quais trabalhos são publicados e, portanto, influenciam a orientação e a legitimação do conhecimento científico”, destaca Evangelina Becerra, pesquisadora do CSIC no Instituto de Estudos Sociais Avançados (IESA) e uma das autoras do estudo.

A pesquisadora explica que “este estudo permite observar, em uma escala até então pouco comum, como a autoridade se distribui dentro do sistema de publicação científica”.

No conjunto, os resultados evidenciam que a autoridade editorial se distribui de forma desigual por gênero, território e tipo de instituição: considerando apenas os casos identificados, dois em cada três cargos são ocupados por homens (66,8%) e a representação nacional concentra-se nos Estados Unidos (28%), seguidos pelo Reino Unido, Itália e Alemanha.

No âmbito institucional, mais de 90% dos editores estão vinculados a universidades, enquanto a presença de órgãos governamentais, centros de saúde, empresas e entidades sem fins lucrativos é muito reduzida. Essa concentração é maior do que a observada entre os autores científicos e confirma que a função editorial continua intimamente associada ao âmbito acadêmico.

Para tornar comparáveis as diferentes denominações utilizadas pelas editoras, o estudo desenvolve uma ontologia comum de nove tipos de funções editoriais. Entre os cargos cujas funções puderam ser classificadas, as categorias mais frequentes são as de editor de revisão (38,5%), membro genérico do conselho editorial (37,6%) e editor associado (21%), enquanto os editores-chefes representam apenas 0,9% do total.

Além disso, os resultados mostram que os conselhos editoriais não são estruturas neutras: “apresentam uma forte hierarquização e concentram a representação em determinados países, instituições e perfis”.

“É por isso que dispor de dados comparáveis sobre sua composição é um passo necessário para avançar em direção a modelos editoriais mais transparentes, diversificados e representativos da comunidade científica internacional”, destaca Becerra.

Assim, o estudo oferece uma base empírica para avaliar a transparência dos processos de seleção, diversificar os perfis incorporados aos conselhos editoriais e desenvolver um acompanhamento sistemático da equidade e da representatividade na publicação científica.

Este trabalho de pesquisa é financiado pela Comissão Europeia-NextGenerationEU, por meio do “Programa Momentum CSIC: Desenvolva seu talento digital”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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