MADRID 16 jan. (EUROPA PRESS) - Um estudo liderado pelo geólogo da Universidade Complutense de Madri (UCM) Javier Ruiz e pelo arqueólogo da Universidade de Granada Juan Manuel Jiménez-Arenas revelou que os grandes dinossauros e mamutes se deslocavam a velocidades muito mais baixas do que se acreditava até agora.
A pesquisa publicada na revista Scientific Reports revisou as estimativas sobre a velocidade máxima de alguns dos maiores animais terrestres que já existiram e redefine sua capacidade de movimento, com base em dados reais de elefantes atuais, os animais terrestres mais pesados, que não ultrapassam os 25 km/h.
Assim, os novos dados colocam os grandes mamíferos extintos em faixas de velocidade comparáveis, e até inferiores, às da marcha atlética humana de elite, e muito distantes das velocidades alcançadas pelos grandes velocistas, conforme divulgado pela UCM em um comunicado.
Especificamente, os resultados mostram que o mamute-lanudo (Mammuthus primigenius), com cerca de seis toneladas de peso, teria sido o proboscídeo extinto mais veloz, atingindo pouco mais de 20 km/h. Em contraste, o enorme Mammut borsoni, que chegava a pesar até 16 toneladas, mal teria ultrapassado os 15 km/h. Os dinossauros gigantes eram ainda mais lentos. O Argentinosaurus hiunculensis, um dos maiores animais terrestres conhecidos, com cerca de 75 toneladas, não teria excedido os 10 km/h. Na Europa, o Turiasaurus riodevensis, encontrado em Teruel e com um peso estimado de 42 toneladas, atingiria no máximo 11,8 km/h. O estudo também analisa a velocidade dos mamutes que habitaram a bacia de Orce (Granada). O Mammuthus meridionalis, espécie contemporânea dos primeiros humanos da Eurásia ocidental, se movia a uma velocidade máxima aproximada de 18 km/h, mesmo no caso de exemplares excepcionais como o conhecido “Titã do Pleistoceno” de Fuente Nueva 3, que podia atingir 14 toneladas.
O trabalho, no qual colaboraram pesquisadores das universidades de Queensland (Austrália) e Helsinque (Finlândia), redefine as capacidades atléticas dos gigantes do passado e ressalta a importância de empregar modelos matemáticos ajustados à biomecânica real dos animais vivos. MODELOS MATEMÁTICOS
A velocidade de locomoção dos animais depende de vários fatores, entre eles o tipo de locomoção e a massa corporal. Os animais plantígrados e graviportais — aqueles com patas colunares adaptadas para suportar grandes pesos — são notavelmente mais lentos do que os digitígrados ou ungulígrados. Além disso, a partir de 100 kg de peso, a velocidade máxima diminui progressivamente à medida que o tamanho corporal aumenta. Na paleontologia, onde não é possível observar diretamente o movimento de espécies extintas, a estimativa da velocidade depende de modelos matemáticos. Até agora, esses modelos agrupavam animais com anatomias e modos de locomoção muito diferentes, o que gerava superestimativas significativas. Conforme explicado pela UCM, as equações tradicionais chegavam a exagerar a velocidade real dos elefantes atuais em até 70%, uma margem de erro incompatível com a reconstrução rigorosa do comportamento ecológico de espécies extintas.
Para corrigir esse viés, a equipe de pesquisa desenvolveu novos cálculos baseados exclusivamente em dados empíricos de elefantes vivos, considerados o melhor análogo dos grandes vertebrados do passado.
Graças a essas novas conclusões, os paleontólogos podem reconstruir com maior fidelidade como algumas das espécies mais impressionantes que habitaram a Terra se deslocavam, migravam e utilizavam seu ambiente.
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