CEDIDO POR TRES COM - Arquivo
MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -
Garantir uma hidratação adequada, ajustar a alimentação e não tomar antidiarreicos de forma indiscriminada são as recomendações do Conselho Geral das Ordens Oficiais de Farmacêuticos (CGCOF) que devem ser seguidas em casos leves de diarreia do viajante.
Segundo o órgão, essa doença não é grave, “mas pode arruinar as férias de quem decide passar seus dias de descanso de verão em países com maior risco, como a Ásia (exceto Japão e Coreia do Sul), Oriente Médio, África, México e América Central e do Sul”. A esse respeito, informou que as taxas de infecção variam entre 30% e 70% dos viajantes durante um período de duas semanas.
Embora o CGCOF tenha destacado que essa incidência depende do destino e da época do ano em que a viagem é realizada, ele explicou que os sintomas característicos, como fezes líquidas frequentes, náuseas, vômitos, cólicas e dores abdominais e até mesmo febre, podem fazer com que o paciente precise ficar de cama ou, na pior das hipóteses, procurar atendimento hospitalar.
Diante disso, e destacando que o farmacêutico comunitário, “por sua proximidade e conhecimentos, pode ajudar a população nesses casos”, explicou o que fazer para o tratamento básico dos casos leves. Assim, ele aprofundou explicando que “na maioria dos casos, a diarreia do viajante leve se resolve espontaneamente após 3 a 7 dias, sem necessidade de recorrer a tratamento farmacológico”.
“Nas formas leves, podem ser utilizados antidiarreicos em alguns casos, mas não de forma indiscriminada”, insistiu, acrescentando que “a loperamida pode ser considerada para o alívio sintomático da diarreia não complicada em adultos e adolescentes, desde que indicada pelo farmacêutico e que não haja contraindicação”.
De qualquer forma, ele considera que “é importante consultar um médico se a diarreia causar desidratação grave, não melhorar progressivamente ou se as evacuações forem acompanhadas de sangue ou muco, vômitos repetidos ou febre muito alta”. De fato, “em alguns desses casos, o médico pode prescrever um antibiótico para o tratamento”, explicou ele, esclarecendo, no entanto, que “tomar antibióticos como medida preventiva é um erro”, uma vez que “pode causar efeitos adversos e favorecer a resistência antimicrobiana”.
IMPORTÂNCIA DE UMA HIDRATAÇÃO ADEQUADA
Outra recomendação enfatizada pelo CGCOF é a necessidade de uma hidratação ideal, “especialmente em populações vulneráveis, garantindo uma ingestão adequada de líquidos e sais minerais, em pequenas quantidades e de forma contínua”. A orientação recomendada é de, aproximadamente, entre dois e três litros por dia para adultos e entre meio e um litro para crianças menores de nove anos.
Para atingir esses objetivos, esse profissional “pode recomendar soluções de reidratação oral, que ajudam a repor a água e os eletrólitos perdidos durante o processo diarreico, fornecendo as quantidades adequadas para esse processo”, explicou.
Além disso, ele destacou que é preciso cuidar da alimentação e manter o “repouso do trato digestivo”; não consumir bebidas açucaradas, refrigerantes, café ou laticínios para combater a desidratação; seguir uma dieta à base de alimentos adstringentes e de fácil digestão; evitar embutidos, alimentos gordurosos, fritos ou apimentados, doces e sorvetes; e não ingerir álcool.
Por fim, e considerando que a diarreia do viajante é causada por bactérias (na maioria dos casos), vírus ou parasitas, que são transmitidos por meio de água não tratada ou alimentos que não foram manuseados corretamente ou armazenados de forma inadequada, com quebra da cadeia de frio, ele recomendou evitar o consumo de alimentos ou bebidas que possam estar contaminados. Além disso, não se deve usar gelo em áreas de alto risco e é necessário lavar as mãos com sabão, limpar e desinfetar superfícies em contato com os alimentos e escovar os dentes com água engarrafada caso haja dúvidas quanto à sua potabilidade.
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