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MADRID 22 jan. (EUROPA PRESS) -
O Conselho Geral dos Colégios Farmacêuticos publicou um documento com informações sobre a lepra, uma “doença negligenciada” a nível mundial, face à qual consideram que os farmacêuticos têm um papel fundamental devido à sua “proximidade, acessibilidade e relação de confiança” com a população, que podem aproveitar para detetar precocemente sinais suspeitos e encaminhar para um especialista.
A lepra, cujo Dia Mundial é comemorado neste domingo, registrou 172.717 casos em todo o mundo, o que representa uma queda de 5% em relação ao ano anterior. No entanto, os farmacêuticos alertaram que se trata de uma doença “ainda presente” que representa um “problema de saúde pública com magnitudes muito diferentes entre as regiões”.
Nesse sentido, alertaram que a doença evidencia “profundas desigualdades no acesso aos serviços de saúde, nas condições socioeconômicas e na robustez da vigilância epidemiológica”. Precisamente, eles enfatizaram que a vigilância epidemiológica é crucial para a prevenção e o controle da patologia.
Em ambientes com alta prevalência, os programas nacionais incluem a notificação obrigatória de casos e o rastreamento de contatos, essenciais para limitar a transmissão. Além disso, o atendimento integral dos pacientes não termina com a erradicação do bacilo causador da patologia, mas deve incluir acompanhamento clínico, prevenção de deficiências, reabilitação e apoio psicossocial.
Nesse contexto, eles enfatizaram o papel “relevante” desempenhado pelos farmacêuticos, tanto no que se refere à detecção precoce, abordagem clínica e adesão terapêutica, quanto em aspectos de educação em saúde e redução do estigma.
SINAIS DE ALERTA O Conselho Geral das Ordens Farmacêuticas detalhou que, entre os sinais que devem alertar os profissionais, estão o fato de o paciente consultar a farmácia por lesões cutâneas persistentes, ter sensibilidade cutânea reduzida e sofrer de parestesia ou dor neuropática de evolução insidiosa.
Nestas situações, o farmacêutico pode identificar situações que não se enquadram em afeções cutâneas comuns ou em processos autolimitados e recomendar uma avaliação médica. Com essa triagem informal, é possível contribuir para um encaminhamento precoce que permita iniciar o tratamento antes que apareçam lesões irreversíveis ou incapacidades. Embora os medicamentos usados para tratar a hanseníase, como rifampicina, dapsona e clofazimina, apresentem perfis de segurança bem conhecidos, eles não estão isentos de riscos. Por exemplo, pode ocorrer hepatotoxicidade por rifampicina e hemólise (destruição de glóbulos vermelhos) ou metahemoglobinemia (excesso de metahemoglobina, que não é capaz de transportar oxigênio de forma eficaz para os tecidos) associada à dapsona. Também podem surgir alterações cutâneas e gastrointestinais relacionadas à clofazimina.
O farmacêutico, com formação em farmacovigilância, pode identificar precocemente esses efeitos adversos, avaliar a gravidade das reações adversas notificadas pelo paciente, identificar interações clinicamente relevantes, propor ajustes ou alternativas terapêuticas e colaborar com o restante da equipe de saúde para otimizar o tratamento global do paciente.
Além disso, esse profissional ajuda os pacientes a compreender o objetivo terapêutico e a importância de completar o tratamento, oferecendo estratégias para cumprir a adesão, um aspecto fundamental no caso da hanseníase, pois o abandono do tratamento pode favorecer recaídas e, potencialmente, o aparecimento de resistências.
Paralelamente, o trabalho educativo do farmacêutico, transmitindo informações comprovadas sobre o modo de transmissão da hanseníase, a medicação necessária e a improbabilidade de transmissão após o início do tratamento, permite desmistificar mitos não apenas entre os pacientes, mas também entre seu entorno e a sociedade em geral.
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