MADRID, 12 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma nova análise dos restos mortais de dois "filhotes" datados de mais de 14.000 anos atrás mostrou que eles provavelmente são lobos e não parentes de cães domésticos, como havia sido sugerido anteriormente.
A análise genética também mostrou que os filhotes eram irmãos com cerca de dois meses de idade e, como os lobos modernos, tinham uma dieta mista de carne e plantas. No entanto, os pesquisadores ficaram surpresos ao encontrar evidências de um rinoceronte lanoso como parte de suas últimas refeições, pois esse seria um animal consideravelmente grande para um lobo caçar.
A pesquisa, realizada em colaboração com pesquisadores da Bélgica, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Rússia e Suécia, foi publicada na revista Quaternary Research.
Os "filhotes de Tumat" são dois restos de filhotes notavelmente bem preservados encontrados no norte da Sibéria, a cerca de 40 km de Tumat, a cidade mais próxima. Um deles foi encontrado em 2011 e o outro em 2015, no local que agora é conhecido como Syalakh.
Os filhotes foram descobertos em camadas de terra, preservados no gelo, ao lado de ossos de mamute-lanoso, alguns dos quais mostravam sinais de terem sido queimados e processados por humanos. Isso levou os cientistas a se perguntarem se o local já foi usado por humanos para abater mamutes e se os filhotes poderiam ter tido alguma ligação com as pessoas, possivelmente como cães primitivos ou lobos domesticados que rondavam os humanos em busca de alimento.
MORRERAM EM SUA TOCA
Não há ferimentos visíveis nem sinais de ataque aos filhotes, portanto é provável que eles estivessem em uma toca subterrânea, descansando depois de comer, até que um possível deslizamento de terra derrubou sua casa, prendendo-os lá dentro.
No entanto, um novo estudo, liderado pela Universidade de York, mostrou que, com base em dados genéticos do conteúdo intestinal dos animais e outros traços químicos encontrados em seus ossos, dentes e tecidos, seu modo de vida, sua dieta e o ambiente em que foram encontrados apontam para o fato de que os filhotes eram lobos e não cães domesticados primitivos. Ambos já estavam comendo alimentos sólidos, incluindo carne de rinoceronte lanoso e, em um dos casos, um pequeno pássaro chamado wagtail. Entretanto, seus corpos ainda mostravam sinais de terem sido amamentados, o que significa que provavelmente também estavam recebendo leite da mãe.
Apesar de terem sido encontrados perto de ossos de mamute modificados por humanos, não havia evidências de que os filhotes tivessem consumido mamute, mas o pedaço de pele de rinoceronte lanoso encontrado no estômago de um deles não havia sido totalmente digerido, o que sugere que eles morreram logo após sua última refeição.
Acredita-se que o rinoceronte-lanoso possa ter sido um filhote, e não um adulto, e provavelmente caçado pelo rebanho adulto e dado de comer aos filhotes. Entretanto, mesmo se esse fosse o caso, um rinoceronte-lanoso jovem seria consideravelmente maior do que a presa normalmente caçada pelos lobos atuais.
Isso levou os pesquisadores a acreditar que esses lobos do Pleistoceno podem ter sido um pouco maiores do que os lobos atuais. Evidências anteriores de DNA sugerem que os filhotes provavelmente pertenciam a uma população de lobos que acabou sendo extinta e não deu origem aos cães domésticos atuais.
A hipótese original de que os filhotes de Tumat eram cães também se baseava na cor preta de sua pelagem, que se pensava ser uma mutação presente apenas em cães, mas os filhotes de Tumat contestam essa hipótese, pois não são parentes dos cães modernos.
Anne Kathrine Runge, arqueóloga da Universidade de York e autora do estudo, explicou em um comunicado: "Embora muitos fiquem desapontados ao descobrir que esses animais são quase certamente lobos e não cães domesticados primitivos, eles nos ajudaram a entender melhor o ambiente da época, como esses animais viviam e como os lobos de mais de 14.000 anos atrás são notavelmente semelhantes aos lobos modernos.
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