Publicado 22/07/2025 10:16

Os especialistas propõem catalogar a doença renal crônica associada à obesidade para melhorar seu tratamento e diagnóstico.

Dra. María José Soler, vice-presidente da Sociedade Nacional de Obesidade da Espanha e uma das autoras do consenso sobre obesidade associada à DRC.
SOCIEDAD ESPAÑOLA DE NEFROLOGÍA (S.E.N.)

MADRID 22 jul. (EUROPA PRESS) -

Especialistas da Sociedade Espanhola de Nefrologia (S.E.N.), da Sociedade Latino-Americana de Nefrologia e Hipertensão (SLANH) e da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Obesidade (SEEDO) publicaram um relatório de consenso para catalogar a Doença Renal Crônica (DRC) associada à obesidade, a fim de estabelecer diretrizes para o diagnóstico e o tratamento personalizado dessa patologia.

Em pessoas com DRC, a obesidade piora o prognóstico renal e cardiovascular a longo prazo, aumentando o risco de mortalidade. Daí a necessidade de melhorar a abordagem e o gerenciamento clínico por parte dos profissionais de saúde. Assim, o objetivo é melhorar a detecção precoce da DRC associada à obesidade (DRC obesa), padronizar sua classificação, melhorar o tratamento e unificar os critérios científicos e a terminologia para desenvolver terapias mais personalizadas que melhorem os resultados de saúde e a sobrevida, bem como reduzir a mortalidade em pessoas com essas patologias.

Especificamente, esse consenso propõe uma classificação baseada nos diferentes níveis de lesão renal e no estágio da DRC. Assim, ela diferencia entre pacientes sem lesões ultraestruturais conhecidas ou danos graves à função renal; aqueles com estágios mais avançados de patologias renais relacionadas à obesidade; aqueles que, além da obesidade, podem ter outras patologias renais; outros pacientes com DRC em tratamento de diálise; ou, finalmente, aqueles que receberam um transplante renal.

"Um de nossos principais objetivos é diagnosticar pessoas com DRC e obesidade, classificar sua doença e, posteriormente, abordar seu tratamento de forma individualizada", explica a vice-presidente da Sociedade Espanhola de Obesidade e uma das autoras desse consenso, María José Soler. "Sabe-se que o que não é diagnosticado, não é reconhecido e, portanto, não é tratado, daí a importância desse consenso e da proposta de um guia para facilitar o trabalho dos nefrologistas e endocrinologistas na detecção da DRC associada à obesidade", acrescenta.

Essa nova abordagem ajudará os profissionais de saúde a detectar, identificar e registrar a CKD-Ob dentro do espectro de condições da doença, o que resultaria em uma melhor compreensão e, consequentemente, em um melhor gerenciamento, acompanhamento e tratamento personalizado das pessoas com essa patologia, contribuindo assim para retardar a progressão da CKD e os eventos cardiovasculares associados.

Além disso, os especialistas acrescentam que isso possibilitará a abordagem de metas importantes em terapias, como perda de peso, proteção cardiorrenal e melhoria da qualidade de vida, e será muito útil para o desenvolvimento de estratégias de pesquisa nesse campo nos próximos anos.

Por outro lado, o consenso reconhece que o tratamento eficaz da obesidade em pessoas com DRC deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar que incorpore uma abordagem clínica abrangente mais ampla, que inclua desde a nutrição e a atividade física até o tratamento farmacológico e a aplicação da cirurgia bariátrica, nos casos em que ela for indicada.

O documento também propõe novas opções de terapias farmacológicas e não farmacológicas, com base nas evidências científicas mais recentes e nos dados atuais nesse campo, para serem aplicadas. Assim, inclui a nova abordagem terapêutica com tratamentos baseados em incretina, que demonstraram reduzir o peso corporal e ter um efeito benéfico sobre os eventos cardiorrenais e a redução da mortalidade cardiovascular em pessoas com obesidade e DRC.

UM CONSENSO PIONEIRO

O consenso publicado na revista "Kidney International" é o primeiro consenso desse tipo em nível internacional, portanto, responde a uma necessidade que não foi atendida nesse campo até agora. Nesse sentido, Soler destaca que uma classificação padronizada da DRC relacionada à obesidade, que inclui todo o espectro de pessoas com obesidade e doença renal, ainda não havia sido considerada pela comunidade internacional de nefrologia. Esse é "um passo muito importante" para melhorar a abordagem e o gerenciamento clínico dessa patologia.

"A relação entre obesidade e DRC foi negligenciada e subestimada durante anos, pois a maioria dos estudos sobre obesidade não considerou o rim como um dos órgãos potencialmente danificados, o que não é o caso. A obesidade tem um efeito sinérgico negativo na progressão da DRC. Todas as pessoas com obesidade e sem diagnóstico prévio de doença renal devem ser avaliadas e, se diagnosticadas, tratadas conforme propomos neste consenso", diz Soler.

CLASSIFICAÇÃO E ABORDAGEM TERAPÊUTICA

A classificação da DRC associada à obesidade proposta no consenso de especialistas estabelece cinco tipos diferentes de patologia nessa área.

O primeiro deles é a Ob-CKD com hiperfiltração glomerular com ou sem albuminúria, que ocorre quando a taxa de filtração glomerular dos rins está acima do normal em indivíduos sem biópsia renal.

A segunda é a Ob-CKD com lesões estruturais renais relacionadas à obesidade (hipertrofia glomerular, podocitopatia, expansão da matriz mesangial, glomeruloesclerose focal e segmentar, fibrose tubulointersticial, lesões vasculares e atrofia tubular).

A terceira é a obesidade em outras doenças renais preexistentes, como nefropatia por IgA, doença de Alport, etc. Quanto aos dois últimos, o consenso diferencia entre obesidade em pessoas com DRC em diálise e obesidade em pessoas que receberam um transplante de rim.

Além disso, o consenso inclui as principais manifestações clínicas e complicações de cada subtipo da doença, as possíveis interações com outras patologias e os tratamentos propostos em cada caso.

Entre as estratégias para a abordagem terapêutica, o documento destaca a importância do aconselhamento nutricional individualizado; a modificação do estilo de vida, o apoio psicossocial e a educação na abordagem da perda de peso; o desenvolvimento de atividade física regular e gradual; e as diferentes opções de intervenções farmacológicas, além da incorporação de novas terapias baseadas em agonistas da incretina ou o uso da cirurgia bariátrica, que evita a deterioração da função renal.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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