Publicado 09/10/2026 13:29

Os especialistas alertam para a dificuldade de detectar a depressão quando ela não se manifesta com tristeza evidente

Archivo - Arquivo - Mulher triste.
DJEDZURA/ISTOCK - Arquivo

MADRID 9 out. (EUROPA PRESS) -

O chefe do serviço de Saúde Mental do Hospital Blua Sanitas Valdebebas, Carlos Atef Harkous, explicou que reconhecer os sinais de depressão pode ser complexo quando o mal-estar não se manifesta por meio de uma tristeza evidente e surgem outras alterações que podem ser confundidas com estresse, cansaço ou problemas físicos.

“A depressão pode se manifestar por meio de um humor abatido, mas também pela perda de interesse ou da capacidade de desfrutar de atividades habituais, falta de energia, distúrbios do sono, alterações no apetite, problemas de concentração ou diversos incômodos físicos para os quais nem sempre se encontra uma explicação médica”, indicou o especialista.

Por isso, no âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, ele afirmou que é essencial observar se essas mudanças persistem ao longo do tempo, especialmente quando se mantêm por duas ou mais semanas, e se causam um impacto significativo na vida pessoal, familiar, social ou profissional, a fim de avaliar um possível episódio depressivo.

Por outro lado, é importante prestar atenção às mudanças em relação ao funcionamento habitual da pessoa, mais do que à presença isolada de um único sinal. “Deixar de propor planos, responder cada vez menos às mensagens, abandonar hobbies ou sentir indiferença diante de acontecimentos que antes geravam entusiasmo são detalhes a serem levados em conta se ocorrerem de forma contínua”, acrescenta Harkous.

COMO RECONHECER OS SINAIS

Diante dessa situação, Virginia del Palacio, psicóloga da Blua de Sanitas, elaborou uma lista de sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. Entre elas, ela destacou a tendência de adiar decisões cotidianas aparentemente simples, como escolher o que comer ou responder a um e-mail.

Outros sinais de alerta são as mudanças na forma de interpretar os próprios erros e a redução progressiva das metas e projetos pessoais. Além disso, a especialista destacou que é importante prestar atenção a uma visão cada vez mais negativa do futuro. “Mais do que tristeza, algumas pessoas começam a falar como se as coisas fossem dar errado de antemão ou como se qualquer esforço tivesse pouca utilidade”, explicou ela.

Em idosos, os especialistas alertam que o diagnóstico pode ser mais complexo, pois a depressão pode se manifestar por meio de apatia, perda de iniciativa, queixas físicas, ansiedade, distúrbios do sono ou dificuldades cognitivas, sem que haja predominância de uma tristeza manifesta.

“Essas mudanças não devem ser atribuídas automaticamente ao envelhecimento. É importante avaliar seu início e evolução, o impacto funcional, as doenças concomitantes, a dor, o luto, o consumo de álcool e de medicamentos, e realizar o diagnóstico diferencial com delírio e transtornos neurocognitivos. Também deve-se explorar diretamente o risco de suicídio, que pode passar despercebido”, afirmou Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores.

QUANDO PROCURAR UM PROFISSIONAL

Os especialistas lembram que o aparecimento isolado de algum desses sinais não implica necessariamente a existência de uma depressão, já que o estresse, as doenças físicas, os processos de luto e outras circunstâncias da vida podem provocar manifestações semelhantes. No entanto, quando essas mudanças persistem ou interferem na vida cotidiana, é recomendável realizar uma avaliação profissional.

“Detectar essas mudanças permite estudar sua origem e oferecer uma abordagem individualizada. Se os sintomas persistirem, causarem sofrimento ou interferirem na vida cotidiana, é recomendável consultar um profissional de saúde. Diante de pensamentos de morte ou suicídio, planos de automutilação, incapacidade acentuada de cuidar de si mesmo ou um agravamento repentino, deve-se procurar atendimento de urgência”, concluem na Sanitas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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