Publicado 23/10/2026 08:19

Os detentos que dormem mal tendem a apresentar maior agressividade, menor controle dos impulsos e maior risco de depressão

Archivo - Arquivo - Dificuldade para dormir, insônia, pesadelo, falta de sono
YANYONG/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 23 out. (EUROPA PRESS) -

Os detentos que dormem mal tendem a apresentar maior agressividade, menor controle dos impulsos e maior risco de sofrer de ansiedade e depressão, explicou o Dr. Carlos Roncero, membro do Grupo de Saúde da Aliança pelo Sono e presidente da Sociedade Espanhola de Patologia Dupla.

“Os detentos dos centros penitenciários também constituem uma parte importante da população afetada pelo insônia; por isso, é imprescindível agir diante dessa situação”, explicou ele durante sua intervenção no XVI Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Saúde Penitenciária (SESP).

O médico analisou os problemas de sono existentes nos centros penitenciários e sua abordagem, muitas vezes por meio do uso de benzodiazepínicos e hipnóticos. Nesse contexto, as benzodiazepinas são um dos tratamentos mais prescritos para o insônia e podem ter efeitos positivos no sono se forem usadas por no máximo quatro semanas.

Por outro lado, esses medicamentos alteram a arquitetura do sono, e seu uso prolongado acarreta consequências negativas, como deterioração da memória e da atenção, maior risco de quedas (especialmente em idosos), acidentes de trânsito, dependência e vício. Além disso, interromper o tratamento com benzodiazepínicos após um uso prolongado pode provocar graves sintomas de abstinência.

Essa realidade representa um grave problema de saúde pública em nosso país, já que a Espanha é o maior consumidor de benzodiazepínicos do mundo. De fato, 40% das pessoas com insônia grave recorrem a medicamentos prescritos, entre os quais as benzodiazepinas.

Roncero lembra que “as benzodiazepinas, por si sós, não constituem uma solução definitiva para os problemas de sono entre os detentos. Na Espanha, seu consumo registrou um aumento notável nos últimos anos, especialmente entre mulheres, idosos e jovens”.

“O uso desses medicamentos sem receita médica nem supervisão por parte dos especialistas do sistema penitenciário pode acarretar riscos significativos à saúde, além de favorecer o desenvolvimento de dependência. Embora possam ser eficazes para facilitar a adormecimento, seu efeito sedativo pode provocar consequências indesejadas, como sonolência e diminuição do desempenho no dia seguinte”, acrescenta.

A BOA QUALIDADE DO SONO NÃO DEPENDE DE UM COMPRIMIDO

O especialista lembra que a insônia requer uma abordagem abrangente, baseada em hábitos saudáveis, avaliação clínica e, se necessário, tratamento médico personalizado e temporário. Por isso, diante de casos de insônia crônica — ou seja, aquela caracterizada pela dificuldade de adormecer, manter o sono ou acordar muito cedo, e que ocorre pelo menos três vezes por semana durante pelo menos três meses —, o uso prolongado de benzodiazepínicos e outras substâncias semelhantes compromete o funcionamento diurno do paciente: a concentração, a memória e o desempenho geral se deterioram, afetando seriamente a qualidade de vida e a segurança do paciente.

Dessa forma, os pacientes que sofrem de insônia crônica necessitam de outros tratamentos farmacológicos mais adequados e seguros. Nesse caso, os antagonistas das orexinas são uma alternativa inovadora. Esses medicamentos bloqueiam a ação das orexinas, os neurotransmissores envolvidos na vigília, e promovem o sono sem alterar sua arquitetura normal. Além disso, sua eficácia e segurança em pacientes com insônia crônica foram comprovadas por evidências científicas.

A esse respeito, afirma que “é necessário facilitar o acesso a essas opções de tratamento para que os pacientes possam dispor de alternativas terapêuticas eficazes, seguras e respaldadas por evidências científicas para o tratamento da insônia crônica”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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