MADRID 14 mar. (Portaltic/EP) - Diante do aumento dos “deepfakes” e da crescente dificuldade em distinguir entre conteúdo real e aquele manipulado por inteligência artificial (IA), ferramentas como o sistema de vídeo assinado da Axis Communications buscam garantir a autenticidade dos vídeos desde o momento da captura, sobretudo em ambientes jurídicos.
Em um cenário marcado pelas diversas ferramentas de IA para manipular tanto fotografias quanto áudio ou vídeos, que cada vez mais contam com capacidades para gerar conteúdo mais realista, fica evidente a dificuldade dos usuários em discernir entre a realidade e o conteúdo sintético.
Embora essas capacidades de gerar vídeos realistas tenham aplicações úteis, por exemplo, no setor de videogames ou no entretenimento, elas também são a consequência de que os usuários tenham que enfrentar os conhecidos “deepfakes”.
Estes últimos são vídeos com conteúdo manipulado por IA para fazer parecer que uma pessoa real diz ou faz algo que, na realidade, nunca aconteceu. Normalmente, os “deepfakes” são usados para fins maliciosos, aproveitando sua capacidade de suplantar identidades para confundir as pessoas. Levando tudo isso em conta, vale destacar que a manipulação de conteúdos visuais por meio da IA atingiu níveis críticos. De acordo com dados coletados pela Telefónica em seu relatório “Segurança na Era da IA”, publicado em 2025, os “deepfakes” aumentaram 550% apenas entre os anos de 2019 e 2023.
Da mesma forma, de acordo com um estudo elaborado pelo serviço de segurança cibernética DeepStrike, os arquivos de “deepfakes” aumentaram de 500 mil em 2023 para 8 milhões no ano passado, 2025. Enquanto isso, a taxa de precisão dos seres humanos na detecção de “deepfakes” é de apenas 24,5%.
Tudo isso destaca a necessidade de dispor de ferramentas que ajudem a identificar com segurança quando um vídeo é real ou se trata de um conteúdo “deepfake”, sobretudo em ambientes como o empresarial, instituições judiciais ou forças de segurança, entre outros espaços em que a precisão da informação é essencial.
Nesse contexto, são oferecidas soluções como a da empresa especializada em soluções de videovigilância, a Axis Communications, que desenvolveu uma tecnologia de vídeo assinado para a verificação forense de vídeos.
Concretamente, trata-se de um sistema que protege criptograficamente o vídeo no momento de sua captura, o que facilita a obtenção de provas forenses de vídeo confiáveis, conforme explicou o responsável pelo Programa de Engenharia, Cibersegurança e Conformidade da Axis Communications para a Península Ibérica, Alberto Alonso. AUTENTICAÇÃO A PARTIR DA ORIGEM DO VÍDEO E CÓDIGO ABERTO
Com esse sistema, a autenticação é implementada diretamente na câmera no momento da gravação do vídeo, por meio da plataforma de cibersegurança Axis Edge Vault, que adiciona uma assinatura criptográfica única ao fluxo de vídeo. Dessa forma, cria-se uma prova verificável de que o vídeo não foi alterado desde que saiu do dispositivo. “Assinar o vídeo dentro da própria câmera, em vez de fazê-lo posteriormente durante o processamento, constitui um diferencial, pois elimina qualquer dúvida de que o conteúdo possa ter sido editado após sua captura”, destacou Alonso, ao mesmo tempo em que esclareceu que se trata de uma solução que “incorpora tudo o que é necessário para sua verificação quando armazenada e visualizada, seja ‘online’ ou ‘offline’”.
Além disso, esse sistema é oferecido como software de código aberto, com o objetivo de garantir ampla adoção e transparência e, com isso, facilitar a verificação da legitimidade dos conteúdos audiovisuais em qualquer ambiente.
Portanto, qualquer pessoa, desde órgãos responsáveis pela aplicação da lei até equipes jurídicas e outros fabricantes, pode adotar essa ferramenta e “inspecionar o código utilizado para validar a autenticidade do vídeo”. Tudo isso sem a necessidade de depender de ferramentas proprietárias para verificar as provas. USO PARA PROVAS FORENSES VERIFICÁVEIS NO ÂMBITO DA LEGISLAÇÃO
Com tudo isso, a Axis esclareceu em um comunicado que a implementação desse sistema de vídeo assinado foi projetada com base nos princípios da estrutura padrão ONVIF (Open Network Video Interface Forum), que garante que o material de vídeo seja assinado criptograficamente no momento da captura com “uma chave digital específica para cada câmera de vigilância individual”.
Essa estrutura ONVIF também colabora com a organização Coalition for Content Provenance and Authenticity (C2PA), cujo objetivo é promover padrões complementares de integridade de vídeo.
Ao cumprir esses protocolos e padrões, a empresa de tecnologia destacou sua adequação para procedimentos legais, investigações policiais e incidentes de segurança corporativa, onde normalmente a capacidade de rastrear o vídeo até a câmera original e verificar se o material não foi manipulado após sair do dispositivo “oferece uma solução essencial” que, além disso, “atende aos requisitos das novas estruturas europeias”.
Isso se refere à Lei de IA (AI Act) e à lei de governança de IA da União Europeia, que obrigam a etiquetar conteúdos criados com IA. Embora essas legislações sejam necessárias, destaca-se a necessidade “urgente” de oferecer um método confiável para verificar o conteúdo.
Assim, juntamente com outras opções, como a certificação C2PA e métodos internos de marcas d’água invisíveis, utilizados por empresas como a Meta ou o Google — esta última com ferramentas como o SynthID —, a solução de vídeo assinado da Axis oferece uma função complementar.
Nesse caso, ela não se concentra no conteúdo sintético, mas em “verificar a realidade”. “Criamos um ‘selo de autenticidade’ para os eventos do mundo real. Em um contexto jurídico ou forense, essa validação positiva não é apenas útil, mas essencial para manter a confiança nas provas digitais”, concluiu Alonso.
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