Publicado 10/04/2026 08:03

Os custos anuais associados ao herpes zoster ultrapassam 121 milhões de euros em populações de risco, de acordo com um estudo

Outra pesquisa destaca o aumento do risco em pacientes crônicos

Archivo - Arquivo - Herpes zoster
UNDEFINED UNDEFINED/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -

Um novo estudo estima que o custo anual associado ao herpes zoster na Espanha ultrapassaria os 121 milhões de euros em populações de alto risco, e cada episódio poderia representar cerca de 1.100 euros em custos de saúde e sociais em pacientes com comorbidades e cerca de 1.208 euros em pacientes imunocomprometidos.

Além disso, em relação ao custo total, os custos indiretos — associados a licenças médicas — representaram 4,7% em pacientes com comorbidades e 22,9% em pacientes imunocomprometidos.

O trabalho, publicado na revista “Human Vaccines and Immunotherapeutics”, é uma pesquisa retrospectiva de caráter observacional, baseada em bancos de dados de prontuários eletrônicos de sete comunidades autônomas durante um período de 7 anos (2014-2021), na qual foram comparados pacientes com infecção por herpes zoster com coortes de controle sem a doença, mas com a mesma condição de base (imunocomprometimento ou comorbidade), pareados por variáveis demográficas e clínicas.

“A quantificação do custo econômico real do herpes zoster é importante porque permite conhecer com precisão o impacto clínico, sanitário e social da doença, especialmente em populações com comorbidades ou imunodeficiência; uma informação fundamental para orientar políticas de saúde pública e otimizar recursos assistenciais”, destacou a coautora deste estudo, especialista em Medicina Preventiva e responsável pela Unidade de Imunização do Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz, Helena Moza.

Do ponto de vista assistencial, o herpes zoster implica um aumento no uso de recursos de saúde, especialmente em populações vulneráveis, uma vez que os pacientes com patologias de base requerem mais consultas de Atenção Primária, consultas com especialistas, exames diagnósticos, prescrição de medicamentos, atendimento em serviços de emergência, bem como hospitalizações e internações prolongadas.

O vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a varicela, permanece latente no organismo, podendo reativar-se anos mais tarde na forma de herpes zoster.

Quando se reativa, pode provocar uma dor intensa, incapacitante e até mesmo prolongada em algumas pessoas, especialmente a partir dos 50 anos e naquelas com o sistema imunológico comprometido ou com comorbidades como diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma ou doenças cardiovasculares. De fato, a incidência do herpes zoster chega a 659 casos por 100.000 pessoas em pacientes imunocomprometidos e 614 casos por 100.000 pessoas em pacientes com comorbidades.

Na Espanha, os dados do sistema nacional de vigilância mostraram um aumento de 41% na incidência de herpes zoster (HZ) em pessoas de 50 a 54 anos (333,5 casos/100.000 habitantes) em comparação com pessoas de 45 a 49 anos (235,7 casos/100.000 habitantes).

A incidência de HZ continuou aumentando com a idade, atingindo 877,1 casos/100.000 habitantes em pessoas de 80 a 84 anos. Todas as pessoas que já tiveram varicela — até 90% da população adulta na Espanha — correm o risco de sofrer de herpes zoster.

De fato, estima-se que uma em cada três pessoas entre 50 e 90 anos desenvolverá essa doença ao longo da vida. Aos 85 anos, essa probabilidade aumenta para uma em cada duas pessoas. Isso se deve ao fato de que o vírus pode permanecer latente durante anos ou décadas no organismo e se ativar a qualquer momento da vida, especialmente quando o sistema imunológico fica enfraquecido pelo próprio envelhecimento, por estar recebendo um tratamento imunossupressor ou por se sofrer de uma doença crônica

Com esses dados, os pesquisadores pedem que se melhorem as taxas de vacinação contra o herpes zoster nas pessoas atualmente abrangidas pelas recomendações e pelo financiamento da vacinação, bem como que se ampliem potencialmente essas recomendações no futuro para outros grupos não abrangidos.

“Tanto os dados do estudo quanto as conclusões derivadas podem contribuir de maneira muito relevante para a tomada de decisões sobre políticas de saúde pública que ajudem a reduzir a pressão assistencial tanto na atenção primária quanto na hospitalar, os custos com saúde e as perdas de produtividade, contribuindo para um planejamento mais eficiente e sustentável do sistema”, destacou Moza.

AUMENTO DO RISCO EM PACIENTES CRÔNICOS

Por sua vez, o estudo “Prevenção do herpes zoster em pacientes com doenças crônicas: uma necessidade devido ao seu impacto sociossanitário” confirma que as pessoas com doenças crônicas não apenas apresentam maior risco de desenvolver herpes zoster, mas também uma evolução mais complexa.

A alteração da resposta imunológica — decorrente tanto da própria doença de base quanto de seus tratamentos — pode favorecer a reativação viral e aumentar a probabilidade de complicações. Entre elas, destaca-se a neuralgia pós-herpética, uma dor neuropática persistente que pode se prolongar por meses ou até anos, que afeta até 30% dos pacientes com herpes zoster e tem um forte impacto funcional e emocional.

“Os pacientes crônicos são mais suscetíveis a desenvolver herpes zoster e a apresentar uma evolução mais desfavorável da doença. A dor associada pode se tornar crônica, chegando a limitar a vida cotidiana e afetando significativamente o bem-estar do paciente”, destacou Raquel Alfaro, especialista em Medicina Familiar e Comunitária no Centro de Saúde La Milagrosa (Cádiz), membro do Grupo de Trabalho de Infecciosas, Migrantes, Vacinas e Atividades Preventivas (IMVAP) da SEMERGEN e coautora da publicação

"Além disso, o surgimento de complicações — como alterações neurológicas e oftalmológicas — contribui para agravar o impacto clínico, favorecendo a perda de autonomia e deteriorando a qualidade de vida em suas dimensões física, psicológica e social. Tudo isso acarreta, por sua vez, uma maior demanda por atendimento e recursos de saúde”, acrescentou Alfaro.

Assim, nesses pacientes crônicos também é frequente uma maior intensidade e duração da dor, maior risco de recorrências, agravamento da doença de base após o episódio e um aumento da polimedicação e das interações farmacológicas. Além disso, o impacto na qualidade de vida é notável, devido a alguns dos sintomas decorrentes da infecção, como distúrbios do sono, ansiedade, depressão, perda de autonomia e limitação das atividades cotidianas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado