Publicado 29/05/2025 06:41

O que os cavalos sentem? Cientistas mapeiam suas expressões faciais

Os cavalos possuem um repertório surpreendentemente rico de expressões faciais, de acordo com uma nova pesquisa que decodifica seus sinais sociais sutis.
WIKIMEDIA

MADRID, 29 maio (EUROPA PRESS) -

Cientistas da Universidade de Portsmouth mapearam como os cavalos usam seus rostos para comunicar emoções como alegria, agressividade, curiosidade e atenção.

Essas são as primeiras descrições anatômicas (etograma ou banco de dados) do comportamento facial dos equinos, e as análises foram publicadas no PeerJ, proporcionando um recurso valioso para pesquisadores e profissionais.

Usando o Equine Facial Action Coding System, os pesquisadores catalogaram 805 expressões faciais em 22 comportamentos distintos, que variam de interações amigáveis e brincadeiras a conflitos. Cada movimento facial foi associado a ações musculares específicas, permitindo uma codificação precisa e objetiva. A equipe também aplicou uma nova ferramenta estatística para analisar como essas expressões se agrupam em diferentes contextos sociais.

"Esta é a primeira vez que conseguimos documentar sistematicamente como os cavalos combinam movimentos faciais em expressões significativas", disse em um comunicado a Dra. Leanne Proops, Professora Associada de Comportamento e Bem-Estar Animal. "Isso abre novas possibilidades para compreender as emoções dos equinos e melhorar o bem-estar deles.

O estudo revelou que os cavalos usam uma variedade de sinais faciais, dependendo da situação:

- Interações agonísticas: Os encontros agressivos são caracterizados por orelhas achatadas e voltadas para trás, sobrancelhas levantadas, narinas dilatadas e cabeças abaixadas. Essas expressões servem como sinais claros de intenção agressiva, permitindo a antecipação e a prevenção de possíveis conflitos.

- Estados de atenção: quando os cavalos estão alertas ou investigando estímulos, suas orelhas geralmente estão voltadas para frente e aduzidas. Outros indicadores incluem o aumento do piscar de olhos e do semi-piscar de olhos, bem como as posições da cabeça ajustadas para otimizar as informações sensoriais, como para cima, para atenção visual.

- Interações amigáveis: Ao contrário da crença popular, os cavalos geralmente apresentam expressões faciais neutras durante as interações amigáveis. Embora as orelhas para frente sejam tradicionalmente consideradas um indicador de emoção positiva, os pesquisadores não observaram esse movimento regularmente nesse contexto. Isso sugere que a falta de movimentos faciais evidentes pode indicar um humor positivo, enfatizando a importância de considerar o contexto comportamental mais amplo.

- Comportamento lúdico: as interações lúdicas envolvem uma gama dinâmica de movimentos faciais, incluindo lábios inferiores deprimidos, queixo levantado, lábios entreabertos, boca aberta, orelhas giradas e achatadas, maior visibilidade do branco dos olhos e nariz para frente.

Algumas expressões lúdicas têm uma semelhança notável com as faces lúdicas de boca aberta observadas em primatas e carnívoros, sugerindo uma base evolutiva profunda para esses comportamentos em espécies de mamíferos.

MESMOS MOVIMENTOS, MAS COM COMBINAÇÕES E INTENSIDADES DIFERENTES

"Descobrimos que os cavalos frequentemente usam os mesmos movimentos faciais em diferentes contextos, mas as combinações e intensidades variam", disse a autora principal, Dra. Kate Lewis. "Essa flexibilidade ressalta a importância de considerar o corpo e o contexto como um todo ao interpretar o comportamento dos equinos.

Os pesquisadores também identificaram um movimento facial não documentado anteriormente, chamado AUH21, que envolve o músculo platisma. Essa ação, que causa a tensão de um lado do rosto e, consequentemente, faz com que as estruturas subjacentes se tornem mais proeminentes, só foi observada em humanos e gibões dentro de espécies com sistemas de codificação de ação facial existentes. Sua descoberta pode melhorar as comparações entre espécies e ajudar a avaliar estados emocionais e dor em cavalos.

Com quase 60 milhões de cavalos em todo o mundo, essa pesquisa tem implicações importantes para o bem-estar, o treinamento e os cuidados veterinários dos equinos.

"Esse trabalho é inovador para quem trabalha com cavalos", disse o Dr. Proops. "Ele nos dá uma nova perspectiva para observar e interpretar seu comportamento, o que, em última análise, leva a um melhor atendimento e a relações mais fortes entre humanos e animais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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