MOHAMMED HANEEFA NIZAMUDEEN/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
Os avanços atuais em neuromodulação abrem novas possibilidades de recuperação funcional em pacientes com lesão medular, que vão além da recuperação da marcha e incluem a redução da dor neuropática, a melhora do controle motor, a estabilização hemodinâmica e a recuperação de funções autonômicas, como a função vesical e intestinal, conforme exposto em um encontro promovido pela Universidade Europeia de Madri e pelo Centro Europeu de Neurociências (CEN).
O encontro “Avanços científicos e clínicos no tratamento da lesão medular” reuniu especialistas internacionais para analisar os últimos avanços em implantes medulares, neurocirurgia funcional, neuromodulação e reabilitação intensiva aplicados a pessoas com lesão medular e aproximar a pesquisa científica da prática clínica.
Nas diferentes palestras, os especialistas concordaram que a neuromodulação está transformando a abordagem terapêutica dessas lesões, sobretudo quando combinada com tratamentos individualizados e tecnologia avançada voltada para potencializar a recuperação funcional.
O neurocirurgião da Universidade de São Paulo (Brasil) Guilherme Lepski, referência internacional em neurocirurgia funcional e neuromodulação, apresentou os resultados de diferentes pesquisas e ensaios clínicos centrados no uso de implantes medulares para facilitar a recuperação motora.
Segundo ele destacou, a estimulação epidural pode favorecer a ativação de circuitos neurológicos remanescentes e abrir novos caminhos de tratamento para pacientes com lesões crônicas.
AVANÇANDO RUMO À INTEGRAÇÃO DE TECNOLOGIA E REABILITAÇÃO INTENSIVA
O diretor de Terapias e cofundador do CEN, José López, defendeu a necessidade de evoluir para um novo modelo terapêutico que integre tecnologia e reabilitação intensiva.
"A neuromodulação não pode ser entendida sem uma terapia intensiva, especializada e mantida ao longo do tempo. O implante por si só não gera a mudança funcional; o verdadeiro avanço ocorre quando combinado com treinamento ativo e personalizado”, explicou.
Além disso, ele insistiu que o tratamento do paciente com lesão medular deve ser mantido a longo prazo. “A lesão medular não pode ser abordada apenas na fase aguda. Precisamos de modelos terapêuticos que acompanhem o paciente a longo prazo e que permitam continuar trabalhando na funcionalidade e na qualidade de vida”, precisou.
Na mesma linha, o neurologista do CEN Alan Juárez destacou a necessidade de atualizar os modelos atuais de atendimento à lesão medular para apostar em tratamentos mais integrados e contínuos que incorporem os avanços em neuromodulação, tecnologia robótica e reabilitação avançada.
As jornadas também abordaram o papel da biomecânica e da análise avançada do movimento na avaliação funcional dos pacientes. A doutora em Ciências da Saúde e pesquisadora especializada em análise do movimento, Isabel Sinovas Alonso, apresentou diferentes ferramentas tecnológicas capazes de quantificar de forma objetiva a evolução da marcha e facilitar a tomada de decisões terapêuticas.
Para encerrar, uma mesa redonda com todos os palestrantes colocou em foco o futuro do tratamento da lesão medular e a necessidade de fortalecer a colaboração entre pesquisa, prática clínica e inovação tecnológica. Durante o debate, os especialistas concordaram com a necessidade de fortalecer a colaboração entre pesquisa, prática clínica e inovação tecnológica para acelerar a chegada de novas soluções terapêuticas aos pacientes e avançar em direção a modelos de tratamento cada vez mais personalizados e contínuos.
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