Publicado 18/07/2026 10:50

Os ataques a infraestruturas têm sido o destaque nas últimas horas desde o reinício dos combates entre o Irã e os EUA

Teerã declara abertamente como “suspenso” o memorando de entendimento com Washington, que nega ter realizado ataques a instalações civis

Archivo - Arquivo - 13 de maio de 2026, Teerã, Irã: O presidente iraniano MASOUD PEZESHKIAN e o ministro do Esporte e da Juventude, AHMAD DONYAMALI, visitam um prédio fortemente danificado no Estádio Coberto Azadi, após um ataque na região oeste de Teerã.
Iranian Presidency / Zuma Press / Europa Press / C

MADRID, 18 jul. (EUROPA PRESS) -

A retomada das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos foi marcada nesta semana, e especialmente nas últimas horas, por uma sucessão de denúncias de ambos os lados sobre ataques a infraestruturas civis essenciais, um crime de guerra, que estão prestes a comprometer definitivamente o que até agora era o único avanço tangível desde o início do conflito: a assinatura do memorando de entendimento em 17 de junho passado, “suspenso”, conforme anunciado abertamente neste sábado pelas autoridades iranianas.

“Os Estados Unidos suspenderam todos os seus compromissos e, consequentemente, nós também”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, em declarações à agência semioficial Fars.

No dia anterior, o representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, havia denunciado, por meio de carta ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que os Estados Unidos estão atacando “portos, redes de transporte, instalações de comunicação, centros logísticos, instalações de radar, sistemas de defesa costeira e outras infraestruturas indispensáveis para a população civil e para o funcionamento da economia nacional”.

Sem ir muito longe, neste mesmo sábado, as autoridades iranianas denunciaram que um bombardeio dos Estados Unidos contra uma usina de dessalinização na província de Hormozgán (no extremo sul do país, no litoral do Estreito de Ormuz) deixou mais de 10.000 pessoas sem acesso à água potável.

O ataque atingiu a estação de bombeamento para a extração de água bruta do mar, bem como o transformador elétrico da usina de Bunji, com capacidade de produção de 3.150 metros cúbicos por dia, que ficaram “completamente destruídos”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, denunciou na sexta-feira que um ataque norte-americano perpetrado na noite anterior resultou na morte de oito pessoas. “É assim que os Estados Unidos tentam demonstrar sua suposta ‘força’: atacando a infraestrutura civil e matando civis”, lamentou o porta-voz. Seu superior, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi, condenou, por sua vez, a morte de outras três pessoas em um ataque norte-americano contra a ponte de Bandar Jamir. “Eram pessoas totalmente inocentes e jamais permitiremos que seu sangue seja derramado em vão”, lamentou.

De modo geral, e segundo o representante iraniano na ONU, os bombardeios, um total de 42 desde a assinatura do memorando, “constituem uma violação flagrante do artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, dos princípios de soberania e integridade territorial, além de graves violações do Direito Internacional Humanitário.

Por outro lado, os países da região aliados aos Estados Unidos, e especialmente o Kuwait, denunciaram que os projéteis iranianos que, em teoria, eram direcionados contra posições militares norte-americanas na região, estão, na verdade, atingindo alvos civis. Neste sábado, o emirado denunciou que uma usina elétrica, uma usina de dessalinização e uma “instalação vital” de petróleo foram atingidas por ataques iranianos. Os incêndios resultantes feriram um bombeiro e um funcionário.

EUA NEGAM QUE TENHAM COMO ALVO INSTALAÇÕES CIVIS

O Comando Central do Exército dos Estados Unidos (CENTCOM) negou categoricamente que esteja atacando a infraestrutura civil. “Nunca temos civis como alvo”, negou o porta-voz do CENTCOM, o capitão Tim Hawkins, à emissora americana ABC News, “ao contrário do Irã, responsável por atacar constantemente marinheiros inocentes que transitam pelo Estreito de Ormuz e civis nos países vizinhos do Golfo”.

Vale lembrar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já alertou o Irã várias vezes de que qualquer descumprimento do memorando implicaria uma guerra total. Em entrevista concedida nesta mesma semana à Fox News, Trump exortou os iranianos a voltarem imediatamente às negociações. Caso contrário, “na próxima semana a situação ficará muito feia para eles: vamos inutilizar todas as suas usinas de energia e destruir todas as suas pontes, a menos que se sentem à mesa para negociar”.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, respondeu aos comentários feitos na terça-feira por Trump, lembrando que “atacar deliberadamente civis e infraestruturas civis é um crime de guerra”.

As Convenções de Genebra de 1949 sobre conduta humanitária em tempos de guerra proíbem ataques contra locais considerados essenciais para a população civil.

Enquanto isso, o número de vítimas continua aumentando. O Ministério da Saúde iraniano informou neste sábado que os ataques lançados pelos Estados Unidos contra o país, aproximadamente desde a primeira troca de ataques após a assinatura, em 17 de junho passado, do memorando de entendimento, causaram cerca de cinquenta mortos.

“Nos ataques aéreos, mais de 500 pessoas ficaram feridas e 50 perderam a vida”, explicou um porta-voz do Ministério, Hosein Kermanpur, em um comunicado publicado nas redes sociais.

Entre os mortos, foram contabilizadas cinco mulheres e duas crianças; entre os feridos, 32 mulheres e 18 crianças, acrescentou. Entre os feridos, foram realizadas 28 cirurgias e 460 deles já receberam alta. Outros 37 continuam hospitalizados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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