MADRID 20 jun. (EUROPA PRESS) -
Os astrônomos podem prever o momento de um eclipse por meio do acompanhamento e da previsão das posições da Lua, do Sol e da Terra, segundo informou a Agência Espacial Europeia (ESA).
Os eclipses, que outrora eram um presságio de desgraça, tornaram-se eventos culturais e científicos muito aguardados. Pessoas de todo o mundo se reúnem em massa para vislumbrar brevemente um eclipse solar, como acontecerá no próximo dia 12 de agosto na Espanha, onde será possível observar um eclipse total de Sol em vários pontos.
Um eclipse ocorre quando o Sol, a Lua e a Terra se alinham em uma linha reta. Existem dois tipos: o eclipse solar, que poderá ser visto neste verão, e o eclipse lunar.
Durante um eclipse solar, a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz solar e mergulhando partes da Terra em uma escuridão temporária.
Os locais da Terra que se encontram dentro da sombra completa (umbra) vivenciam um eclipse solar total, no qual o Sol fica totalmente coberto pela Lua. Os observadores localizados na sombra parcial (penumbra) testemunham um eclipse solar parcial, já que, desse ângulo, a Lua bloqueia apenas uma parte do Sol.
Durante um eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua. A Terra projeta uma sombra sobre a Lua, mas esta não fica totalmente escurecida. Em vez disso, a Lua fica vermelha. Isso acontece porque a atmosfera terrestre desvia e filtra a luz solar, dispersando a luz azul e permitindo que a luz vermelha alcance a superfície lunar.
Se um eclipse é causado pela passagem da Lua ou da Terra na frente do Sol, então por que não vemos um eclipse duas vezes por mês, durante cada lua cheia e lua nova?
Os astrônomos respondem que a órbita da Lua ao redor da Terra não se encontra no mesmo plano que a órbita da Terra ao redor do Sol, chamado plano da eclíptica. A órbita da Lua está inclinada em um ângulo de 5° em relação à eclíptica. Isso significa que, à medida que a Lua orbita a Terra, nem sempre passa à frente do Sol.
Duas vezes por ano, a órbita da Lua se alinha de tal forma que cruza a linha Sol-Terra na eclíptica durante a lua cheia e a lua nova. Esses pontos de cruzamento são chamados de nós lunares. É nesse momento que pode ocorrer um eclipse.
Portanto, os astrônomos podem prever o momento de um eclipse por meio do acompanhamento e da previsão das posições da Lua, do Sol e da Terra.
A ÉPOCA DOS ECLIPSES
Existe um período de 35 dias em torno de cada nó lunar durante o qual pode ocorrer um eclipse, denominado “época dos eclipses”. O momento exato pode ser explicado matematicamente, levando em conta o ângulo da órbita da Lua e o diâmetro do Sol e da Lua, tal como aparecem no céu.
Geralmente, em cada temporada de eclipses ocorre um eclipse solar e um eclipse lunar. Como cada temporada dura um pouco mais do que uma órbita completa da Lua ao redor da Terra (27,3 dias), algumas temporadas contam com um terceiro eclipse.
Durante a lua nova, a Lua cruza a eclíptica entre o Sol e a Terra, criando um eclipse solar total, anular ou parcial. Durante a lua cheia, a Lua cruza a eclíptica por trás da Terra, criando um eclipse lunar total ou parcial.
A cada ano, as temporadas de eclipses começam de duas a três semanas antes do ano anterior. Isso ocorre porque a órbita da Lua ao redor da Terra gira lentamente (precessão).
Como resultado, o tempo entre dois nós lunares é de 173,3 dias e um “ano de eclipses” dura 346,6 dias. Isso é mais curto do que um “ano solar” de 365,25 dias.
Mesmo sem cálculos precisos, o momento do próximo eclipse pode ser estimado contando-se 173 dias a partir do dia do eclipse atual. O que não se pode contar é com o céu limpo necessário para observá-lo.
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