MADRID, 18 mar. (EUROPA PRESS) -
Os gorilas têm um desempenho tão bom quanto o dos chimpanzés em testes que exigem autoconsciência, de acordo com um estudo liderado pelo biólogo Jörg Massen, da Universidade de Utrecht.
Os animais sabem que existem? Os chimpanzés são conhecidos há muito tempo por sua alta autoconsciência, mas agora há fortes evidências que sustentam a existência dos gorilas também.
Uma equipe de biólogos chegou a essa conclusão depois de estudar chimpanzés e gorilas no Burgers Zoo, em Arnhem. A equipe de pesquisa incluiu cientistas da Universidade de Utrecht, da Universidade de Viena e da Universidade de Amsterdã. As descobertas foram publicadas agora no American Journal of Primatology.
Para avaliar a autoconsciência, os cientistas geralmente usam o chamado teste do espelho. Nesse teste, os animais recebem uma marca em seu corpo que só podem ver ao se olharem em um espelho. Se o animal tentar tocar ou remover a marca em seu corpo, ele demonstra que se reconhece, o que sugere autoconsciência.
"O teste do espelho funciona bem, mas não é adequado para todos os animais", diz Massen. "Alguns animais não dependem muito da visão e podem não gostar de olhar para seus rostos. Essas espécies podem falhar no teste do espelho, mesmo que sejam autoconscientes."
Massen acredita que os gorilas podem se enquadrar nessa categoria. Os gorilas geralmente se saem mal no teste do espelho, talvez porque tendem a evitar o contato visual. Olhar-se no espelho pode ser desconfortável, o que dificulta o reconhecimento de si mesmos.
Para explorar isso mais a fundo, a equipe de Massen realizou um experimento diferente. Nesse teste, os chimpanzés e gorilas tiveram que abrir a tampa de uma caixa para obter comida. Às vezes, os pesquisadores colocavam a caixa em um poste, forçando o animal a sentar-se sobre a tampa. Nessa situação, os animais tinham de perceber que seu próprio corpo estava bloqueando a tampa.
Para ter sucesso, os animais tinham que perceber que seu próprio corpo era o obstáculo. "Essa é uma forma básica de consciência corporal. Nos seres humanos, ela se desenvolve por volta de um ano e meio de idade", disse Massen em um comunicado.
Surpreendentemente, tanto os chimpanzés quanto os gorilas tiveram um desempenho igualmente bom. "O que foi notável foi que ambas as espécies perceberam rapidamente que precisavam se afastar da caixa para abri-la", diz Massen. "Isso mostra que eles estavam cientes de que seu próprio corpo era um obstáculo. Portanto, o fato de que os gorilas tendem a ter um desempenho ruim em testes de espelho não significa que eles não tenham autoconsciência.
Massen e sua equipe acreditam que os cientistas devem ir além do teste do espelho ao estudar a autoconsciência animal. "Graças a esse teste de consciência corporal, agora sabemos mais sobre a vida interior dos gorilas, que pode ser mais rica do que pensávamos ou, pelo menos, do que havia evidências científicas", diz Massen.
A EVOLUÇÃO DA AUTOCONSCIÊNCIA
O uso de vários testes também pode revelar mais sobre como a autoconsciência evoluiu em humanos e animais. Alguns biólogos acreditam que a autoconsciência se desenvolveu precocemente nos ancestrais comuns dos seres humanos e dos grandes macacos. Outros sugerem que ela pode ter se desenvolvido separadamente em diferentes famílias de macacos. Por exemplo, os cientistas ainda estão investigando se os chimpanzés e os orangotangos compartilham o mesmo tipo de autoconsciência.
Massen acrescenta: "É possível que os macacos tenham um tipo semelhante de autoconsciência, mas também pode ser bem diferente. Ao combinar diferentes evidências, podemos entender melhor essas diferenças.
Essas descobertas levantam questões sobre como definimos a autoconsciência, diz Massen. Ele acredita que a pesquisa mostra que a autoconsciência pode assumir diferentes formas. Os animais que geralmente consideramos "menos inteligentes" podem, na verdade, ter pensamentos mais complexos do que imaginamos.
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