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MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (EUA) revelou que os acidentes de trânsito constituem a principal causa isolada de lesão cerebral traumática em todo o mundo, embora as causas variem de acordo com o país.
Por exemplo, o estudo detectou uma alta incidência de lesões cerebrais traumáticas causadas por quedas no mesmo nível entre idosos nos países mais ricos.
“Não é possível resolver uma crise mundial de lesões cerebrais apenas nas salas de cirurgia. Este estudo demonstra a importância de melhorar os sistemas que nos cercam”, destacou o autor principal do estudo, Ahmed Raslan, chefe do Departamento de Cirurgia Neurológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon.
Dezenas de milhões de pessoas sofrem, a cada ano, uma lesão cerebral traumática em todo o mundo, resultando em cerca de 5 milhões de mortes. No entanto, quando se trata de melhorar os resultados clínicos, uma nova pesquisa aponta que a solução está muito além das salas de cirurgia dos hospitais.
O primeiro estudo mundial desse tipo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (OHSU), foi publicado na revista “Nature Medicine”.
O trabalho contou com a colaboração de estudantes de medicina para coletar dados de mais de 2.000 pacientes de 100 hospitais em 29 países entre 2019 e 2022.
Paradoxalmente, o estudo constatou taxas mais baixas de lesões cerebrais traumáticas nos países menos desenvolvidos do que nos mais industrializados. Isso pode estar relacionado à falta de acesso a atendimento médico, especialmente em áreas rurais, onde pessoas com lesões graves podem não sobreviver o tempo suficiente para chegar a um hospital.
“Se nos países ricos leva duas horas para chegar a um hospital, em alguns países de baixa renda podem ser necessários cinco dias”, explicou Raslan.
“PREVENIR A LESÃO DESDE O INÍCIO”
Pesquisas anteriores já haviam analisado a eficácia de diferentes tratamentos clínicos e cirúrgicos para lesões cerebrais traumáticas. Enquanto as equipes médicas e cirúrgicas continuam aprimorando o atendimento a esses pacientes, o novo estudo está entre os primeiros a definir os padrões de lesão, as práticas de atendimento e os resultados em diferentes países com base em seu Índice de Desenvolvimento Humano, que leva em consideração fatores como renda, educação e produto interno bruto.
O estudo ressalta a importância de melhorar infraestruturas, como as estradas, e incentivar o uso de capacetes, conforme destacou o autor principal, Joseph Nugent, residente do quarto ano de Neurocirurgia na OHSU.
O pesquisador destacou que o estudo aponta para a necessidade de adotar uma abordagem baseada em princípios de saúde pública — melhores estradas, serviços de emergência mais eficazes e incentivo ao uso de capacetes — para reduzir o impacto global das lesões cerebrais traumáticas.
“Quando eu era paramédico, transportei para o hospital inúmeros pacientes com lesões cerebrais traumáticas. Neurocirurgiões qualificados podem fazer muito, mas meus colegas do corpo de bombeiros e meus mentores em saúde pública me ensinaram que a melhor maneira de melhorar os resultados em casos de traumatismos é concentrar os esforços na prevenção das lesões desde o início”, explicou Nugent.
Os pesquisadores destacaram que as estratégias para reduzir as lesões cerebrais traumáticas variam de acordo com cada país. Por exemplo, quedas no mesmo nível são a causa mais frequente de lesões traumáticas atendidas no Hospital da OHSU.
“Poderíamos reduzir muitas mortes por lesões cerebrais traumáticas em Oregon se conseguíssemos evitar que pessoas frágeis sofressem quedas”, afirmou Raslan.
“As estratégias de prevenção podem ser diferentes em outros países, onde os jovens envolvidos em acidentes de trânsito representam a maior parte das lesões. As lacunas não são as mesmas em todos os países, e os formuladores de políticas devem elaborar soluções adaptadas às suas próprias necessidades”, concluiu.
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