Publicado 14/04/2026 08:41

A origem da família das doninhas é antecipada em três milhões de anos, sendo situada no final do Mioceno

Pesquisadores realizam estudos em sítios arqueológicos em Castellón e Buñol, este último danificado pela tempestade de 29 de outubro

Um estudo realizado em parceria com a Universidade de Valência antecipa em três milhões de anos a origem da família das doninhas
REMITIDA UV

VALÊNCIA, 14 abr. (EUROPA PRESS) -

A descoberta de um novo gênero e espécie de pequeno carnívoro denominado Galanthis baskini no sítio arqueológico de Las Casiones (Teruel) demonstra que a origem da subfamília Mustelinae — à qual pertencem doninhas, furões e visons — é mais antiga do que se pensava e remonta ao final do Mioceno, há cerca de 6,5 milhões de anos.

O estudo, liderado pela Universidade Complutense de Madri (UCM), conta com a participação da Universidade de Valência (UV) e foi publicado nesta terça-feira na revista 'Palaeontology'. Até agora, os fósseis mais antigos de doninhas haviam sido encontrados na Polônia e na Alemanha em sítios do Plioceno com cerca de 3,5 milhões de anos e, portanto, essa nova descoberta “duplica” a história evolutiva da espécie.

Conforme explicou Juan Abella, professor de Paleontologia da UV, a descoberta é fruto da revisão da coleção de fósseis do Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC), o que confere “relevância” à continuidade da atividade investigativa dentro das próprias coleções paleontológicas.

“Os fósseis foram encontrados em Teruel, mas ainda não haviam sido estudados. Esta descoberta destaca a necessidade de continuar revisando as coleções, mesmo que sejam antigas”, alertou.

Sobre a análise dos restos, descobriu-se que esse parente das doninhas já apresentava um tamanho corporal “muito reduzido”, 134 gramas, semelhante ao da doninha-pequena (Mustela nivalis), o menor carnívoro da atualidade. No entanto, a equipe de pesquisa destaca que suas peças dentárias já mostram adaptações próprias de uma dieta altamente carnívora.

Conforme assinalou a UV em um comunicado, os resultados permitem compreender melhor “quando e como surgiram as doninhas e seus parentes próximos”, bem como as adaptações que lhes permitiram ocupar novos nichos ecológicos e a evolução dos ecossistemas do hemisfério norte.

“A descoberta sugere que a redução de tamanho e as adaptações para capturar pequenos vertebrados surgiram muito cedo na história evolutiva desse grupo, provavelmente em relação a mudanças ambientais e à expansão de certos roedores durante o final do Mioceno”, acrescentou Alberto Valenciano, professor assistente doutor em Paleontologia da UCM.

MÉTODOS DE ANÁLISE AVANÇADOS

Os fósseis estudados provêm de escavações realizadas pelo Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN-CSIC) durante a década de 1990 na região de Teruel, sob a direção do pesquisador Luis Alcalá. O estudo combinou técnicas clássicas de anatomia comparada com métodos de análise avançados. Entre elas, destaca-se o uso da microtomografia computadorizada (micro-CT), que permitiu reconstruir em três dimensões o interior dos dentes e da mandíbula e observar estruturas anatômicas invisíveis do exterior.

“Esta pesquisa é um claro exemplo da grande riqueza fóssil de mamíferos em Aragão, reconhecida mundialmente: nossa equipe vem contribuindo há décadas para a escavação de sítios e o estudo de fósseis de mamíferos”, comentou Daniel De Miguel, coautor e professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Saragoça.

O trabalho também revisa a classificação de outro mustelídeo fóssil proveniente da China e de idade semelhante ao que eles denominaram Zdanskyictis. “Esta nova análise permite estabelecer relações evolutivas mais claras dentro da família, situando-o próximo das linhagens que deram origem às lontras (Lutrinae) e aos ictoníquinos (Ictonychinae), um grupo que inclui espécies atuais como o doninha-malhada, a doninha-africana ou o grison”, destacou o pesquisador do MNCN, Jorge Morales.

O próximo passo, antecipa o pesquisador, será encontrar novos fósseis que permitam reconstruir com maior detalhe a evolução inicial das doninhas e seus parentes. “Paralelamente, a equipe continua investigando o registro fóssil dos mamíferos carnívoros do Mioceno e do Plioceno na região mediterrânea e na África, com o objetivo de reconstruir com maior precisão a evolução inicial de diferentes famílias de carnívoros”, acrescentou Valenciano.

Além da UCM, da UV e do MNCN, participam da pesquisa a Universidade de Saragoça, o Instituto de Evolução em África, o Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont, o Instituto de Paleontologia Vertebrada e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Washington.

PLANOS FUTUROS

Atualmente, estão sendo desenvolvidos novos estudos e escavações em sítios arqueológicos em Aragão, Madri, Comunidade Valenciana, bem como em diversos pontos do Egito, Quênia, Namíbia, África do Sul, Turquia e China.

No caso da Comunidade Valenciana, por exemplo, Abella destacou os projetos de Castellón, com alcance nacional, e de Buñol, em Valência. Este último é um sítio arqueológico danificado pela tempestade de 29 de outubro de 2024. O professor da UV relata que o sítio paleontológico ficou soterrado por parte dos sedimentos superiores e que ainda não foi possível repará-lo. Consequentemente, a equipe valenciana iniciou prospecções ao redor do local para dar continuidade, de alguma forma, à pesquisa de campo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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