MADRID 11 fev. (EUROPA PRESS) -
A Nofumadores.org registrou uma denúncia no Ministério da Saúde contra o podcast “Special People Club”, apresentado pela criadora de conteúdo Soy una Pringada, e contra a cantora Rosalía por aparecer fumando durante uma entrevista distribuída na plataforma Podimo e divulgada nas redes sociais, o que a entidade considera uma violação da Lei Antitabaco.
Durante a conversa, Rosalía interrompe a entrevista para fumar um cigarro em um espaço interno fechado, convidando a apresentadora a compartilhá-lo, de modo que ambas aparecem fumando diante das câmeras. Segundo a Nofumadores, a primeira versão da entrevista publicada na plataforma também mostrava de forma reconhecível a marca do produto.
A entidade apresentou a denúncia à Subdireção Geral de Promoção, Prevenção e Equidade em Saúde da Direção Geral de Saúde Pública e Equidade em Saúde, órgãos que fazem parte do Ministério da Saúde, garantindo que esses fatos representam uma tripla violação da normativa vigente. Em primeiro lugar, por fumar em um espaço interno fechado, que se enquadraria na categoria de local de trabalho. Em segundo lugar, pelo descumprimento do artigo 9 da Lei Antitabaco, que proíbe expressamente que, nos meios de comunicação e serviços da sociedade da informação, os apresentadores, colaboradores ou convidados apareçam fumando ou mostrem, direta ou indiretamente, marcas de produtos de tabaco.
A terceira infração é contra o artigo 17 da Lei Geral de Comunicação Audiovisual, que proíbe claramente toda comunicação comercial, promoção ou exibição de produtos de tabaco em conteúdos audiovisuais e redes sociais, incluindo aqueles divulgados por meio de plataformas digitais e serviços sob demanda.
A denúncia, à qual a Europa Press teve acesso, também informa que Rosalia compartilhou repetidamente em suas redes sociais conteúdos em que aparece fumando e mostrando grandes quantidades de cigarros, onde é possível ver a marca do tabaco que fuma. “Este comportamento é claramente uma violação da regulamentação em vigor que proíbe a promoção e publicidade de produtos de tabaco nos meios de comunicação audiovisuais e redes sociais”, adverte a denúncia, que inclui diferentes links para as redes sociais da cantora, onde são feitas ou visualizadas referências a cigarros ou tabaco. CIGARRO PIXELADO
A associação Nofumadores detalhou que, após a divulgação inicial do vídeo e a reação gerada nas redes sociais, o conteúdo foi temporariamente retirado e republicado com o cigarro pixelizado. Para a entidade, isso não elimina a infração nem o dano causado, uma vez que o ato de fumar continua sendo verbalizado explicitamente e a fumaça continua visível durante a cena. “A pixelização do cigarro não neutraliza a mensagem nem o ato de fumar. O consumo continua sendo reconhecível, normalizado e legitimado. O efeito final é o mesmo: uma promoção implícita do tabaco em um formato voltado para o público jovem, protagonizado por uma figura com milhões de seguidores em todo o mundo”, afirmou a presidente da Nofumadores, Raquel Fernández Megina. Da mesma forma, a associação destacou o grave problema ético que representa banalizar o consumo de tabaco como um gesto estético ou de admiração em formatos de grande alcance entre os jovens. Este facto é agravado pelo aparecimento de referências culturais com grande projeção entre os jovens, como é o caso de Rosalía, algo que é demonstrado por numerosos estudos. Segundo a organização, não se trata de um episódio isolado, uma vez que já apresentou uma denúncia em dezembro de 2024 contra a cantora pelo aparecimento de cigarros de uma conhecida marca de tabaco nas suas redes sociais. “Esta reiteração reforça o caráter sistemático da normalização do tabaco e aumenta a responsabilidade social da artista”, apontou. A Nofumadores.org destacou que o tabaco continua sendo a primeira causa evitável de câncer e morte prematura no mundo, e que a Espanha atravessa um momento especialmente delicado, com o aumento do uso de cigarros eletrônicos e o consumo duplo entre menores e jovens. Nesse contexto, a associação considera inaceitável que a mídia e os criadores de conteúdo contribuam para obscurecer os riscos reais do consumo. “Os direitos à criação e à expressão não podem estar acima do direito à saúde, especialmente quando se trata de menores”, concluiu Fernández Megina.
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