Publicado 05/08/2026 06:13

A organização Médicos Sem Fronteiras pede que se intensifique a resposta internacional diante de um surto “sem precedentes” de ebola

Centro de tratamento do ebola de Elykia, em Bunia.
JULIEN DEWARICHET/MSF

MADRID 5 ago. (EUROPA PRESS) -

A diretora médica adjunta da Médicos Sem Fronteiras (MSF), Philippa Boulle, pediu nesta quarta-feira que se intensifique “sem demora” a resposta médica internacional ao surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), que está se espalhando a um “ritmo alarmante e sem precedentes” e “não dá sinais de abrandamento”.

“Dois meses e meio após o início do surto da doença do ebola, a situação no leste da República Democrática do Congo está mais crítica do que nunca”, afirmou ela, precisando que, em 1º de agosto, haviam sido notificados mais de 3.800 casos confirmados, tornando-se o maior surto de ebola já registrado no país.

O número de mortos nas primeiras 11 semanas desde o início do surto chega a quase 1.500 pessoas, um número que as autoridades congolesas elevam para 1.700 e que supera as mortes ocorridas no mesmo período durante surtos anteriores. Assim, Boulle destacou que o surto de ebola de 2014 na África Ocidental causou 279 mortes no mesmo intervalo.

Além disso, ele alertou que a situação não parece se estabilizar, já que quase todos os dias são notificados novos casos suspeitos em novas localidades, fora das cadeias de transmissão já identificadas. Para evitar mais mortes, ele insistiu na necessidade de reforçar a resposta e corrigir deficiências críticas.

Apesar de terem sido alcançados avanços nos testes de detecção e rastreamento de contatos, ele lamentou que eles sejam “insuficientes” para conter a epidemia. Como exemplo, ele destacou que, no centro de tratamento do ebola da MSF em Bunia, capital administrativa de Ituri, nove em cada dez pessoas internadas não eram contatos rastreados, enquanto em toda a província de Ituri foram rastreados 59% dos contatos.

COORDENAÇÃO COM A COMUNIDADE

Philippa Boulle insistiu que a resposta não chega às comunidades com rapidez suficiente para romper as cadeias de transmissão. Em sua opinião, é necessário envolver mais os atores locais para garantir que os casos sejam detectados o mais rápido possível e recebam um acompanhamento rigoroso.

“Este surto está agravando uma crise humanitária já existente”, acrescentou ela, referindo-se ao fato de que a malária, o sarampo, o cólera, a desnutrição e outras doenças evitáveis e tratáveis continuam causando um número significativo de casos e mortes.

Nesse contexto, ele ressaltou que é preciso manter o apoio aos centros de saúde para que possam continuar prestando serviços essenciais de saúde durante toda a resposta, além de proteger os profissionais de saúde.

Segundo ele, o acesso de equipes humanitárias e profissionais de saúde “continua sendo um problema fundamental”, especialmente em áreas remotas onde, além disso, o início da estação das chuvas dificultará os deslocamentos e poderá interromper as operações.

Por isso, ele instou a que sejam fornecidos suprimentos médicos, incentivos e apoio aos profissionais de saúde da linha de frente, bem como a que se garanta que as restrições nas fronteiras, as medidas sanitárias ou as burocracias não impeçam as rodízios do pessoal humanitário, os encaminhamentos médicos nem a entrega de suprimentos. “No momento, a situação continua incerta”, observou.

“É preciso agir imediatamente. Cada dia perdido permite que o vírus esteja um passo à frente e que mais vidas sejam perdidas desnecessariamente”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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