MADRID 21 ago. (EUROPA PRESS) -
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que as comunidades da República Democrática do Congo (RDC) não estão recebendo o apoio necessário para conter o surto de ebola declarado em 23 de maio pelo governo desse país africano e, dois dias depois, pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“A epidemia continua se espalhando e o ritmo com que avança é superior à capacidade de resposta mobilizada”, afirmou o presidente internacional da organização, o Dr. Javid Abdelmoneim, que acrescentou que “os centros de tratamento continuam sendo essenciais para salvar vidas, mas essa resposta precisa de algo mais do que apenas leitos adicionais”.
Nesse sentido, ele afirmou que é necessário “uma melhor detecção dos casos, isolamento seguro das pessoas doentes e de seus contatos, e apoio aos profissionais de saúde”. “Também é necessário proteger contra a infecção as pessoas que procuram os centros de saúde existentes para receber atendimento”, explicou ele, acrescentando que “a resposta deve ser construída com as comunidades, não em torno delas”.
Este surto, que até o momento causou 2.476 mortes e mais de 5.200 casos confirmados — o que o torna o segundo com o maior número de vítimas fatais da história, depois do registrado entre 2014 e 2016 —, é o que apresentou a expansão mais rápida já registrada. Diante disso, a MSF apela para que se reforce a capacitação de profissionais de saúde e líderes comunitários, a fim de melhorar a detecção de casos, os encaminhamentos e as medidas de prevenção e controle de infecções.
“Conhecemos nossas comunidades e sabemos como chegar até nosso povo”, explicou, por sua vez, Ezrome Kiza Lumani, um líder comunitário que vive na zona rural. “Quando o ebola chegou, não ficamos esperando”, enfatizou, acrescentando que conversaram com as famílias, ouviram seus medos e incentivaram as pessoas com sintomas a procurarem atendimento médico, já que o papel das comunidades “é fundamental”.
MAIS DE 60% DAS MORTES OCORRERAM FORA DOS CENTROS DE TRATAMENTO
Nesse sentido, essa ONG indicou que mais de 60% das mortes por doença causada pelo vírus do Ébola na RDC ocorreram fora dos centros de tratamento “e, muitas vezes, longe deles”, o que significa que “muitas pessoas estão morrendo em suas casas ou comunidades sem receber atendimento médico, enquanto o vírus continua se espalhando antes que os casos sejam detectados”.
“Com o surgimento de casos em novas áreas que têm pouca ou nenhuma experiência prévia no manejo da doença causada pelo vírus Ébola, há necessidade urgente de profissionais de saúde com formação específica, não apenas dentro dos centros de tratamento, mas também nas comunidades afetadas”, insistiu, nesta ocasião, a responsável por Emergências da MSF na província de Ituri, Trish Newport.
Nesse sentido, essa ONG está presente nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Alto Uélé, e suas equipes administram sete centros de tratamento do Ébola, além de cerca de quinze unidades de isolamento, com um total de mais de 400 leitos disponíveis, o que representa um terço do total de leitos de toda a resposta de emergência.
Além disso, conta com mais de 1.400 profissionais lutando contra o surto e, desde o início do mesmo, já admitiu mais de 2.000 pacientes, dos quais mais de 800 tiveram a doença causada pelo vírus do Ébola confirmada. No entanto, Newport enfatizou que “a OMS, outras agências das Nações Unidas, as organizações humanitárias, incluindo MSF, e o Ministério da Saúde do Congo devem ampliar urgentemente essa capacitação e esse apoio”.
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