Publicado 25/03/2026 14:32

A organização Médicos do Mundo pede à UE que rejeite a proposta de lei sobre a deportação de migrantes

Archivo - Arquivo - As consultas médicas compartilhadas podem reduzir a sobrecarga dos profissionais de saúde e aumentar a satisfação do paciente.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -

A organização Médicos del Mundo publicou nesta quarta-feira uma carta, assinada por mais de mil profissionais da área da saúde, na qual solicita aos membros do Parlamento Europeu e do Conselho que rejeitem a proposta de regulamento para a deportação de migrantes, uma vez que ela poderia prejudicar gravemente a saúde pública.

A organização expressou sua profunda preocupação com a proposta de regulamento de retorno, que será votada nesta quinta-feira e que, se aprovada, intensificaria as batidas policiais, a detenção e a deportação de migrantes em situação irregular na Europa, o que faria com que serviços públicos como os hospitais se transformassem em locais de controle migratório.

De acordo com a carta, o medo de serem detectadas e deportadas já leva muitas pessoas sem documentação a adiar ou evitar procurar atendimento, o que se traduz em problemas de saúde mais graves, maiores custos de tratamento e um aumento dos riscos para a saúde pública.

Nesse sentido, o regulamento poderia agravar essa situação. “Este regulamento corre o risco de criar um clima de medo que afastará as pessoas dos serviços de saúde, com graves consequências tanto para os indivíduos quanto para os sistemas de saúde pública como um todo”, alertou a porta-voz de Migrações da Médicos do Mundo, Eva Compes.

Os profissionais de saúde também apontam que a legislação “ameaça” a ética médica, especificamente a proteção da confidencialidade dos pacientes, pois poderia facilitar o intercâmbio de dados pessoais sensíveis, incluindo informações de saúde, e até mesmo obrigar a denunciar pessoas em situação administrativa irregular.

“Recusamo-nos a nos tornarmos instrumentos do controle migratório”, afirmam os profissionais na carta, ressaltando que seu dever é “proteger a saúde de todas as pessoas que precisam de atendimento, independentemente de sua situação administrativa”.

A carta destaca que a ampliação da detenção migratória poderia acarretar maiores riscos de doenças infecciosas, graves problemas de saúde mental e doenças crônicas. Também alerta sobre os planos de estabelecer centros de deportação fora da UE, com garantias limitadas quanto ao acesso à assistência médica e à proteção dos direitos fundamentais.

“Como profissionais de saúde e organizações que prestam assistência médica em situações de crise, não podemos aceitar a criação de um sistema que divide as pessoas entre aquelas que merecem acesso à saúde e aquelas que não merecem”, conclui o documento.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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