Gustavo Valiente - Europa Press - Arquivo
MADRID, 31 ago. (EUROPA PRESS) -
A Associação Mareas Blancas acusou o Ministério da Saúde de “ineficácia manifesta” em sua atuação diante da crise migratória em Ceuta e denunciou a “consolidação” de um modelo de saúde privado.
Segundo a Mareas Blancas, embora a ministra da Saúde, Mónica García, tenha afirmado repetidamente que a situação está sob controle, as equipes de saúde estavam no limite de suas capacidades. Além disso, a associação criticou o fato de o Ministério ter terceirizado as tarefas de saúde para o grupo Quirón por 33 milhões de euros na cidade autônoma.
“Dizemos à ministra que não se pode ter o bolo e comê-lo também; ela não pode usar suas críticas ao modelo madrilenho — com as quais concordamos — e, ao mesmo tempo, copiar esse mesmo modelo, com todos os seus defeitos, para outra região do país que está sob sua total competência”, destaca a associação no comunicado.
Nesse contexto, a entidade afirma que a Lei de Gestão da Saúde Pública e Integridade, atualmente em tramitação no Parlamento, visa consolidar o modelo misto “com uma série de parâmetros que levarão à sua legitimação e fortalecimento, além de interromper abruptamente o resgate do modelo de saúde pública previsto na Lei Geral de Saúde de 1986”, acrescenta.
Além disso, afirma que a INGESA emitiu procedimentos imperativos e de controle “pouco empáticos” com o pessoal em Ceuta. “As determinações que saem desse Ministério são absolutamente autoritárias, ao não darem ouvidos aos profissionais de saúde da região que vêm pedindo reforços. Reforços que não podem ser contratados com a Quirón, o que evidencia uma contradição”, indica a entidade.
Por outro lado, a Mareas Blancas considera que o Governo deveria ter declarado a emergência, algo que, em sua opinião, teria dado ao Executivo a possibilidade de controlar a situação “de cima a baixo”.
“Temos evidências mais do que suficientes para saber que a avalanche de pessoas que chegaram a Ceuta — mais de 70 mil — não se deu por meio do boca a boca, mas é consequência de um processo geopolítico preparado para abalar nosso país. Pedimos às autoridades que sejam diligentes e implementem os controles necessários para manter afastados de nosso espaço soberano os países que não param de chamar de amigos”, conclui a associação.
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