MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora do Grupo de Substâncias Tóxicas da ONG Ecologistas em Ação, Kistiñe García, afirmou que a porcentagem de alimentos com quantidades de pesticidas superiores ao permitido pela regulamentação é “muito superior” ao 1% reconhecido pela Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição (AESAN).
“Se levarmos em conta a exposição múltipla, todos os limites teriam que ser reduzidos”, indicou ela, referindo-se ao fato de que a análise nesse sentido é feita com base na quantidade de um único pesticida, embora o alimento em questão possa conter mais. Ele fez essa observação durante o evento “Tóxicos nos alimentos”, organizado online pela ONG “Hogar sin tóxicos”.
Como contexto, García apresentou o relatório “Direto para suas hormonas 2026: Guia de alimentos disruptores", elaborado pela entidade que representa e baseado em dados de 2024 publicados pela AESAN e pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA, na sigla em inglês). "O resultado é bastante desastroso", assinalou.
Após expor que, de acordo com as informações oficiais, “46% dos alimentos contêm algum pesticida” e que “foram detectados, no total, resíduos de 127 substâncias diferentes”, ela reiterou que “apenas 1%” estava “acima da quantidade permitida”. No entanto, “essa quantidade legal não é o mesmo que quantidade segura”, esclareceu.
MULTIEXPOSIÇÃO A SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
É neste ponto que ele insistiu em contrapor o argumento da “multiexposição”. Como exemplo, referiu-se ao alimento que, em 2024, registrou os piores dados nesse sentido, pois “nas uvas, em 70 amostras”, foram detectados “47 pesticidas diferentes”, acrescentando que “há casos absolutamente absurdos, como uma uva conter 14 pesticidas diferentes”.
Além disso, ele destacou que “provavelmente há resíduos de pesticidas que nem sequer estão sendo procurados nessa amostra”. “Não é um caso extraordinário, há mais amostras que contêm 12 pesticidas diferentes, 11 pesticidas diferentes”, revelou.
“Ficamos realmente chocados com o fato de que um terço dos alimentos contém dois ou mais pesticidas”, continuou, porcentagem que considera “altíssima” e “terrível”. Por isso, lamenta que “as avaliações de cada pesticida se refiram apenas a uma substância, analisando apenas a toxicidade de uma substância”.
Segundo ele, “o problema é o efeito coquetel, ou seja, o efeito de várias substâncias pesticidas no mesmo alimento”. “A comunidade científica nos alerta de que isso pode causar um dano muito superior aos danos causados pelas substâncias separadamente”, enfatizou, após o que declarou que a AESAN e a EFSA têm “a obrigação” de realizar essa análise conjunta, mas “não fizeram nada”.
INCENTIVA O CONSUMO DE PRODUTOS LOCAIS E DA ESTAÇÃO
Diante de tudo isso, García incentivou o consumo “de produtos locais e da estação”. “Dizer apenas ‘consuma produtos orgânicos’, sem acrescentar ‘também locais e da estação’, nos parece perverso”, pois “muito poucas pessoas podem se alimentar exclusivamente de produtos orgânicos”, argumentou a respeito.
Depois de expor a “elevada exposição da população espanhola” a substâncias prejudiciais à saúde “por meio dos alimentos”, ele exigiu que “o governo apoie a agricultura sem pesticidas”. Além disso, rejeitou o fato de a Comissão Europeia ter apresentado uma proposta para conceder “autorização ilimitada a quase todos os pesticidas”.
“Segundo a Comissão Europeia”, essa mudança é “necessária” para “gerenciar burocraticamente as avaliações” desses elementos, explicou. No entanto, “um diretor da EFSA admitiu, em resposta a uma pergunta de dois membros do Parlamento Europeu, que com a contratação de 50 funcionários e funcionárias (...), poderia acabar com esse congestionamento”, enfatizou.
Em sua opinião, o referido é “um investimento que, para a União Europeia (UE), é absolutamente pírrico”, pelo que sublinhou que “não se deve eliminar as avaliações”. Diante disso, informou que estão “pedindo assinaturas” em prol da saúde humana e porque essas substâncias tóxicas “também estão sendo liberadas na natureza”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático