Publicado 25/06/2026 08:46

A organização “Direito a Morrer com Dignidade” pede um protocolo de atendimento para garantir o acesso à eutanásia, após cinco anos

Archivo - Arquivo - Cuidados paliativos.
KIEFERPIX - Arquivo

MADRID 25 jun. (EUROPA PRESS) -

A presidente da Associação Direito a Morrer com Dignidade (DMD), Loren Arseguet, afirmou que “a eutanásia deve ser acessível, equitativa e eficaz”, algo que, cinco anos após a entrada em vigor da lei que a reconhece como um direito, “continua sem ser cumprido”, razão pela qual ela reivindicou um protocolo de atendimento para agilizar esse processo e evitar “obstáculos” no mesmo.

“Nos preocupa o desequilíbrio territorial”, por isso “propomos padronizar a prática da eutanásia, que seja implantado um protocolo de atendimento para a eutanásia em todas as comunidades autônomas”, indicou ela, ao mesmo tempo em que especificou que “seriam diretrizes padronizadas para orientar os profissionais na tramitação dos casos de eutanásia”.

Segundo Arseguet, o objetivo é “minimizar a variabilidade”, para o que seria indicado “como atender a um pedido em cada centro”. “É necessário apoiar o trabalho dos profissionais”, por isso “reivindicamos, em cada comunidade autônoma, uma unidade de eutanásia”, acrescentou, embora tenha reconhecido sua existência em alguns territórios.

As funções dessa área “seriam de informação à população” e “de apoio operacional aos profissionais para facilitar a tramitação do procedimento”, continuou ela, para acrescentar que é necessário “instituir em todas as comunidades o modelo de profissionais de referência”, que “seriam expressamente treinados para ajudar seus colegas” e “o médico não se sentiria sozinho”.

“A unidade também registraria a rastreabilidade de todos os pedidos”, declarou, ao mesmo tempo em que destacou que ela serviria para reconhecer os profissionais de saúde envolvidos, “liberando tempo na agenda e compensando as horas extras”.

O ‘MANUAL DE BOAS PRÁTICAS EM EUTANÁSIA’ É ESPERADO PARA JULHO

A principal representante da DMD indicou que essas propostas fazem parte do conjunto daquelas que não foram levadas em consideração para serem incluídas na atualização do ‘Manual de Boas Práticas em Eutanásia’, cujo rascunho foi apresentado em abril no Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (CISNS) e que deve ser oficializado “em julho”.

Esse documento também não inclui outras reivindicações, como a de que a recusa ao tratamento não se traduza em “recusa à eutanásia”, afirmou ela. “Solicitamos também que os motivos da recusa sejam incluídos nos relatórios” e “que, nos processos relacionados a transtornos mentais, sejam elaboradas recomendações para a interpretação dos requisitos”, pois “muitos” desses requisitos “são passíveis de interpretação”, destacou, exigindo, além disso, que o Comitê Técnico criado há um ano — que reúne sociedades científicas, especialistas e associações — tenha atividade efetiva.

No entanto, ele garantiu que outras medidas foram incorporadas a este manual para que “esta lei funcione da melhor maneira possível”, como “a melhoria dos laudos de avaliação, a existência de um modelo comum de laudo para todas as comunidades autônomas a fim de se obter dados comparáveis, uma melhor qualidade dos dados para poder avaliar o funcionamento da lei” e que as análises do Ministério da Saúde sejam publicadas “em um prazo razoável”.

Justamente em relação aos dados disponíveis até o momento, ele afirmou que o “mais preocupante de todos” é aquele que se traduz em “desigualdade territorial” e “acesso desigual ao direito”. “Nos preocupa que, em nove comunidades autônomas, a taxa de eutanásia tenha diminuído entre 2024 e 2025, e não sabemos por quê”, afirmou, acrescentando que, “no entanto, em outras comunidades, o aumento significativo que ocorreu explica o nível de crescimento em nível nacional”.

APENAS 3% DESSES PROCEDIMENTOS SÃO REALIZADOS NA SAÚDE PRIVADA

A eutanásia na saúde privada é um “problema”, destacou, por outro lado, Arseguet, que garantiu que “a maioria das eutanásias está sendo realizada na saúde pública”. “Apenas 3% dos casos de eutanásia foram realizados na saúde privada em 2024” e “em 2025, não temos os números”, afirmou ele, sustentando ainda que, “com demasiada frequência, isso se deve à recusa dos profissionais da saúde privada em processar um serviço que suas seguradoras não cobrem”.

Em sua opinião, “as autoridades deveriam agir para que a saúde privada também cumpra a Lei da Eutanásia”. “Ela tem carta branca e a Lei Orgânica não se aplica ao setor privado”, destacou a esse respeito o vice-presidente da DMD, Fernando Marín, que considera que este “desrespeita a lei sistematicamente e nada acontece”.

Para concluir, este último referiu-se ao fato de que o Plenário da Câmara dos Deputados tenha recentemente dado seu apoio à apreciação de uma proposta de lei do Parlamento da Catalunha que propõe reduzir a um máximo de 25 dias os prazos judiciais em casos de eutanásia. “Somos pessimistas” quanto à sua aprovação, afirmou ele, garantindo que a Câmara dos Deputados “está em decomposição” e “não parece que haja espaço para muitas iniciativas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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