Publicado 14/04/2026 07:04

Organizações de defesa da privacidade exigem que a Meta suspenda o desenvolvimento de seus óculos com reconhecimento facial devido a

Óculos inteligentes Ray-Ban Meta.
META

MADRID 14 abr. (Portaltic/EP) -

Um grupo de 75 organizações que defendem os direitos e a privacidade dos consumidores redigiu uma carta conjunta solicitando que a Meta suspenda “imediatamente” seus planos de implementar recursos de reconhecimento facial em seus óculos Ray-Ban e Oakley, incluindo o recurso “Name Tag”.

A empresa liderada por Mark Zuckerberg já havia considerado incluir um sistema de reconhecimento facial em seus óculos inteligentes em 2021, uma opção que, após debate interno, acabou rejeitando devido a questões relacionadas aos aspectos legais do uso dessa tecnologia.

No entanto, em maio do ano passado, a Meta começou a reconsiderar essa tecnologia, desenvolvendo um novo software de reconhecimento facial para seus óculos, com o qual os usuários podem escanear os rostos das pessoas e, assim, identificar sua identidade em tempo real. Posteriormente, foi divulgada a função chamada internamente de “Name Tag”, que está prevista para ser implementada nos óculos Ray-Ban Meta e Oakley ainda este ano.

Nesse contexto, um total de 75 organizações de direitos civis se uniram para enviar uma carta conjunta à Meta, solicitando que suspenda imediatamente seus planos de implementar essas funções de reconhecimento facial em seus óculos inteligentes, alegando que se trata de uma tecnologia que “minam profundamente os direitos e as liberdades civis”.

Especificamente, conforme explicaram na carta, isso se deve ao fato de que a tecnologia de reconhecimento facial será integrada a óculos de consumo com aparência discreta que qualquer pessoa pode usar no dia a dia; assim, será possível identificar usuários sem o seu consentimento, em locais públicos e sem que eles tenham conhecimento disso, representando uma ameaça para a sociedade, em particular para “grupos historicamente marginalizados e vulneráveis”.

Assim, as organizações destacaram como essa tecnologia pode afetar vítimas de violência doméstica, pessoas que sofrem assédio sexual, minorias religiosas ou pessoas de grupos vulneráveis, entre outros.

É preciso levar em conta que, no caso da tecnologia “Name Tag”, a Meta propôs utilizar o sistema de reconhecimento facial com certas restrições, como a identificação apenas de pessoas conhecidas pelo próprio usuário por serem amigos em alguma plataforma da Meta, como Instagram ou Facebook, ou por terem uma conta pública em algum desses serviços.

No entanto, as organizações responsáveis pela carta afirmaram que as preocupações de segurança relacionadas a essa tecnologia “não podem ser resolvidas por meio de mudanças no design do produto, mecanismos de exclusão voluntária ou medidas de segurança incrementais”. Por exemplo, porque os usuários não têm como dar seu consentimento para serem identificados.

Portanto, denunciaram que os planos de introduzir tecnologia de reconhecimento facial em produtos de consumo amplamente disponíveis “constituem uma linha vermelha que a sociedade não deve cruzar” para garantir uma “sociedade livre”.

“As pessoas deveriam poder levar sua vida cotidiana sem medo de que assediadores, golpistas, agressores, agentes federais e ativistas de todo o espectro político estejam verificando, de forma silenciosa e invisível, suas identidades e, potencialmente, cruzando seus nomes com uma grande quantidade de dados facilmente acessíveis sobre seus hábitos, interesses, relacionamentos, saúde e comportamentos”, afirmaram as organizações na carta.

Especificamente, com a participação de organizações como a ACLU, o Centro de Informação sobre Privacidade Eletrônica, Fight for the Future ou Access Now, entre outras.

PEDEM QUE SE EVITE O RECONHECIMENTO FACIAL

Levando tudo isso em conta, o que as organizações solicitam à Meta vai além da introdução de medidas de segurança; elas pedem diretamente que a empresa não lance no mercado nenhuma função de reconhecimento facial, incluindo o “Name Tag” para os óculos Ray-Ban ou Oakley, bem como para qualquer outro dispositivo ou produto “wearable” da empresa.

Por outro lado, também pedem que a Meta divulgue publicamente qualquer caso conhecido de uso de seus dispositivos “wearables” para assédio, perseguição ou violência doméstica e sexual, bem como que explique as medidas que tomou a esse respeito.

Seguindo essa linha, as organizações instaram a empresa a revelar igualmente qualquer conversa ou planos de colaboração com órgãos de aplicação da lei, incluindo o ICE nos Estados Unidos, sobre o uso de dispositivos “wearables” da Meta por parte de agentes governamentais.

Por fim, solicitaram à empresa de tecnologia que se comprometa a colaborar com a sociedade civil, as comunidades afetadas e especialistas independentes em privacidade, antes de tomar qualquer decisão sobre a integração de funções de identificação biométrica em dispositivos de consumo.

“Uma abordagem tecnológica que privatiza os benefícios e socializa os prejuízos acarreta consequências irreversíveis para a segurança, a liberdade e os direitos civis das pessoas”, concluíram as organizações.

Com tudo isso, vale lembrar que um projeto realizado por dois estudantes da Universidade de Harvard (Estados Unidos) em 2024 já concluiu que os óculos inteligentes com tecnologia de reconhecimento facial podem revelar a identidade de pessoas em vias públicas em tempo real, confirmando esse risco para a privacidade e a segurança das pessoas.

Nesse caso, a partir da captura do rosto de uma pessoa em via pública, foi possível obter seu nome, endereço residencial, publicações nas redes sociais ou os membros de sua família, informações que eram recebidas praticamente em tempo real no celular.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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