Publicado 24/03/2026 13:13

A ordem em que a infecção ocorre determina a resposta imunológica contra bactérias ou vírus, segundo uma pesquisa

Imagens ao microscópio do vírus da gripe e da bactéria causadora da pneumonia.
ISCIII

MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa liderada pela Universidade CEU San Pablo, com a participação do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), revela que o sistema imunológico responde de maneira muito diferente quando vírus e bactérias causam infecção simultaneamente, em comparação com quando a infecção ocorre de forma sequencial.

Os pesquisadores analisaram como os macrófagos — células essenciais do sistema imunológico — reagem diante de uma infecção pelo vírus da gripe (Influenza A) e pela bactéria 'Streptococcus pneumoniae', uma das principais causas de pneumonia bacteriana após a gripe. O trabalho, publicado na revista “Frontiers in Immunology”, demonstra que a ordem em que os patógenos infectam determina qual microrganismo “domina” a resposta imunológica.

Quando vírus e bactérias infectam simultaneamente (coinfecção), os macrófagos ativam um programa inflamatório muito semelhante ao induzido pela bactéria isoladamente. Nessa situação, o sinal bacteriano domina a resposta imunológica, desencadeando uma forte ativação de vias inflamatórias dependentes de NF-kB.

No entanto, quando a infecção ocorre de forma sequencial (superinfecção), com a infecção primeiro pelo vírus e posteriormente pela bactéria, os macrófagos já foram “programados” pelo vírus. Nesse cenário, a resposta imunológica é dominada pelo vírus, o que condiciona a reação posterior contra a bactéria.

Esse fenômeno de “primado viral” altera o comportamento dos macrófagos e pode amplificar respostas inflamatórias associadas a danos pulmonares e complicações respiratórias. Os resultados ajudam a explicar por que as infecções bacterianas secundárias após a gripe podem ser especialmente graves e destacam a importância de considerar não apenas quais patógenos estão presentes, mas também a ordem em que infectam o organismo.

Os pesquisadores apontam que compreender como a resposta dos macrófagos é reprogramada durante as coinfecções poderia ajudar a desenvolver novas estratégias terapêuticas para prevenir ou tratar complicações respiratórias associadas à gripe.

"Nos modelos de coinfecção simultânea, os macrófagos são rapidamente reprogramados pela 'S. pneumoniae', que consegue desviar sua atividade para vias antibacterianas. Por outro lado, quando o vírus infecta primeiro e a bactéria algum tempo depois, os macrófagos ficam ‘marcados’ por uma impressão antiviral gerada pela interação inicial com o vírus, o que altera sua resposta posterior à bactéria e modifica o curso inflamatório”, explica Jordi Cano, diretor da Unidade de Imunidade em Transplantes do Centro Nacional de Microbiologia do ISCIII, que liderou a pesquisa juntamente com Javier Sanz Herrero e Estanislao Nistal Villán, ambos do CEU.

Essa divergência funcional, observada experimentalmente por meio de perfis transcricionais e análises da resposta imunológica através da secreção de citocinas, acrescenta informações para explicar por que algumas combinações de gripe e pneumococo resultam em quadros especialmente graves, enquanto outras seguem trajetórias clínicas diferentes.

Os pesquisadores validaram suas descobertas utilizando macrófagos derivados de suínos, um modelo relevante porque os suínos desenvolvem uma doença respiratória muito semelhante à dos humanos quando infectados com o vírus da gripe suína e com a bactéria 'Streptococcus suis', um patógeno intimamente relacionado ao 'S. pneumoniae'.

O modelo suíno permitiu comparar os efeitos das coinfecções dependentes da cepa do vírus ou de diferentes sorotipos de 'S. suis'. Essa concordância demonstra que os mecanismos descritos podem apresentar comportamentos semelhantes em diferentes espécies afetadas pela gripe.

A IDADE CONDICIONA A RESPOSTA

O estudo também explora como a idade condiciona a resposta dos macrófagos diante dessas coinfecções, uma questão relevante, dado que as coinfecções afetam de maneira diferente crianças, adultos e idosos.

Os pesquisadores compararam macrófagos provenientes de camundongos jovens (1 semana), camundongos adultos (12 semanas) e camundongos mais velhos (40 semanas). Os resultados mostraram que existe uma grande diferença na resposta entre os diferentes tipos de macrófagos e que essa resposta também varia dependendo de eles serem infectados simultaneamente ou sequencialmente, explicam Estanislao Nistal e Javier Arranz, do Grupo de Virologia e Imunidade Inata do Departamento de Ciências da Saúde da Faculdade de Farmácia da Universidade CEU San Pablo.

A pesquisa foi desenvolvida com a participação de outras instituições espanholas e internacionais, como o grupo da Dra. Yolanda Revilla (Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa-CSIC), da Dra. Elena Pinelli (Centro de Controle de Doenças Infecciosas, Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente de Bilthoven, na Holanda), e a equipe do Dr. Adolfo García Sastre (Departamento de Microbiologia, Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York, EUA).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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