Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 21 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Ordem dos Médicos de Melilha, Justo Sancho-Miñano, exigiu que o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) adotem medidas “urgentes e excepcionais” diante da crise migratória em Ceuta, que, em sua opinião, não pode continuar dependendo do esforço excessivo dos profissionais de saúde.
“Não basta apresentar dados ou construir um relato sobre a situação quando a realidade assistencial vivida pelos profissionais a cada dia demonstra a gravidade do problema”, criticou Sancho-Miñano.
Nesse contexto, a Ordem dos Médicos de Melilla destacou que, nas últimas semanas, o sistema de saúde de Ceuta teve que atender milhares de pessoas, uma carga extraordinária que se soma às necessidades habituais de assistência da população e que “volta a evidenciar a vulnerabilidade estrutural de Ceuta e Melilla diante de situações de alta demanda”.
Além disso, reiterou seu apoio aos médicos e a todos os profissionais de saúde de Ceuta diante do agravamento de uma situação de atendimento que, em sua opinião, está assumindo uma dimensão “especialmente preocupante” do ponto de vista da saúde pública.
“Já se passaram várias semanas desde os graves acontecimentos ocorridos em Ceuta no final de julho e, da Ordem dos Médicos de Melilla, queremos reiterar, acima de tudo, nosso apoio aos colegas médicos e ao restante dos profissionais de saúde — enfermeiros, auxiliares, atendentes e demais trabalhadores — que estão realizando um esforço extraordinário para evitar que a situação piore ainda mais”, declarou Sancho-Miñano.
Os médicos de Melilla alertam que, à “enorme pressão” suportada pelos serviços de saúde de Ceuta, soma-se agora o surgimento de patologias que exigem diagnóstico, tratamento, isolamento em determinados casos e um acompanhamento adequado. Assim, eles lembram que foram comunicados casos de gastroenterite aguda, sarna, impetigo e tuberculose, além de infecções respiratórias e complicações decorrentes de ferimentos inicialmente leves.
Para Sancho-Miñano, essa evolução evidencia que o problema já não pode ser enfrentado apenas com o esforço extraordinário das equipes. “Atender a tudo o que está sendo atendido, à beira do colapso, não pode depender do esforço excessivo dos profissionais”, enfatizou.
Por fim, a Ordem dos Médicos de Melilla reitera seu reconhecimento e solidariedade aos profissionais de saúde de Ceuta e reivindica reforços imediatos de pessoal, meios de atendimento e recursos de saúde pública, bem como uma resposta coordenada e proporcional à gravidade da situação.
“Os profissionais estão respondendo, como sempre, mas seu compromisso tem um limite. Agora cabe àqueles que têm a responsabilidade de gerenciar e garantir a assistência médica disponibilizar os meios necessários”, conclui Sancho-Miñano.
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