Publicado 19/08/2026 07:30

A Ordem dos Enfermeiros de Ceuta solicita a declaração do estado de alarme diante do “colapso sanitário sem precedentes”

A presidente do Colégio de Enfermagem de Ceuta, Rosa Fuentes, na linha de frente da assistência durante a crise migratória em Ceuta.
MÉDICOS DEL MUNDO

MADRID 19 ago. (EUROPA PRESS) -

O Colégio de Enfermagem de Ceuta solicitou nesta quarta-feira a declaração do estado de alarme diante do “colapso sanitário sem precedentes” que a cidade autônoma vem enfrentando após a crise migratória.

O pedido foi feito após a análise do último balanço sanitário da cidade, que aponta números que refletem uma “atividade de atendimento extrema”. Segundo explica, o corpo de enfermagem atende 200 casos por dia, com picos de mais de 1.600 intervenções, assumindo uma carga de atendimento de 14 a 16 pacientes por enfermeira e turnos de trabalho que excedem em até quatro horas a jornada prevista.

“Nós, enfermeiras, estamos exaustas tanto física quanto psicologicamente, enfrentando um profundo desgaste emocional por sermos o principal apoio a pessoas que se encontram em condições que não condizem com as de um país desenvolvido. Sofremos uma violação da integridade territorial e, diante da gravidade dos fatos, propomos que seja declarado o estado de alarme em todo o território. Denunciamos, assim, que não há recursos suficientes para lidar com a crise atual”, denuncia Rosa Fuentes, presidente do Colégio de Enfermagem de Ceuta.

Por sua vez, o Conselho Geral de Enfermagem (CGE) demonstra total apoio às colegas de Ceuta e exige do governo uma intervenção e reforços urgentes. “Solicitamos que seja estabelecido um comando único em Ceuta para liderar essas operações e que sejam alocados os recursos e as provisões que esta emergência territorial exige. Não é hora de desviar responsabilidades nem de mascarar números”, afirma Florentino Pérez Raya, presidente do CGE.

RISCO DE SURTOS

Além disso, as enfermeiras manifestam preocupação com o estado de saúde da população atendida, afirmando que já estão ocorrendo surtos de doenças relacionadas à superlotação e à falta de higiene. Destacam-se aproximadamente 200 casos de gastroenterite aguda, 20 casos de sarna, além de um surto de 30 casos detectados entre militares, 21 casos de impetigo e 4 de tuberculose, sem contar os casos ocorridos nos assentamentos de praias como El Trampolín ou nos galpões de Tarajal, “onde o acompanhamento é muito mais complexo”, acrescentam.

Outra das denúncias das enfermeiras de Ceuta é a falta de disponibilidade de recursos e o impacto que isso está causando nos próprios profissionais. “Essa falta de previsão e o fato de trabalhar permanentemente com equipes reduzidas enfraquecem de forma crítica a segurança do paciente, já que a fadiga extrema e o estresse prolongado multiplicam os erros humanos que podem resultar em falhas na dosagem de medicamentos ou em transferências caóticas entre turnos, nas quais se perde informação vital do paciente”, continua a presidente do sindicato das enfermeiras de Ceuta.

RACIONAMENTO E MEDO NAS RUAS

As enfermeiras de Ceuta exigem o retorno à normalidade em sua cidade, que já enfrenta perdas incalculáveis e se encontra mergulhada no medo, e afirmam se sentir abandonadas pelas autoridades.

“Os moradores de Ceuta querem poder aproveitar nossa praia, sair à rua sem medo ou ir às compras sem filas de racionamento ou falta de produtos de primeira necessidade. Está sendo cogitado até mesmo adiar o início das aulas nas escolas, pois atualmente elas estão superlotadas. Por outro lado, a situação dos migrantes não é a que se espera de um país desenvolvido. Eles estão amontoados e sem serviços básicos de higiene. Até mesmo em uma das escolas da cidade foi lançado um programa de realocação de mulheres e meninas que vivem nas ruas”, ressalta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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