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MADRID 16 ago. (EUROPA PRESS) -
A oposição política do Sudão rejeitou a proposta apresentada no último sábado pelo líder militar do país, Abdelfatá al Burhan, de realizar um diálogo interno com o objetivo de formar uma frente unida e negociar em conjunto o possível fim da guerra contra as forças paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) sem mediação externa, e definir uma nova transição política rumo a um governo civil.
O motivo, conforme argumentou o líder da oposição Aliança Unionista, Babikir Faisal, reside na desconfiança constante de grande parte das forças políticas civis em relação ao Exército, a quem acusam de ter sequestrado o primeiro processo de transição iniciado após a queda do ditador Omar al Bashir em 2019 e de, indiretamente, ter facilitado o início da guerra ao fracassar nas negociações para integrar as RSF em suas fileiras.
“A iniciativa visa apenas consolidar o domínio do Exército e instalar um novo autocrata por meio de facções civis manipuladas”, lamentou Faisal em declarações ao ‘Sudan Tribune’.
Da mesma opinião se mostrou Jaled Omer Yusef, companheiro de Faisal na coalizão “guarda-chuva” da oposição sudanesa Sumud, que se declarou convencido de que Al Burhan está apenas buscando o poder “a qualquer custo” e insistiu, em uma mensagem publicada nas redes sociais, que qualquer tipo de diálogo interno só ocorrerá quando houver garantias de que os antigos aliados de Al Bashir — que, como temem muitos opositores, continuam no Exército — tenham desaparecido.
Outro líder da oposição, o secretário-geral do partido Umma, Mubarak al Mahdi, considerou inviável qualquer processo de diálogo no Sudão sem a cooperação internacional e rejeitou a “anistia” prometida por Al Burhan aos opositores perseguidos por suas supostas ligações com a RSF, ao entender que todos esses processos, incluindo o que envolve o ex-primeiro-ministro Abdalá Hamdok, destituído pelo próprio Exército, são fundamentalmente inconstitucionais.
Vale lembrar que a única facção política sudanesa que apoiou Al Burhan foi aquela considerada a principal aliada do Exército, o Bloco Democrático, responsável justamente por impulsionar a proposta inicial de diálogo.
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