BRUXELAS 8 maio (EUROPA PRESS) -
A opinião negativa dos europeus sobre os Estados Unidos disparou 14 pontos nos últimos seis meses, atingindo 74% dos cidadãos da UE, de acordo com o Eurobarômetro publicado nesta sexta-feira pela Comissão Europeia, que também reflete uma percepção mais forte da União como um fator de “estabilidade em um mundo incerto”.
O aumento coincide, além disso, com meses de crescentes tensões comerciais e repetidas ameaças tarifárias do governo norte-americano em relação à Europa, bem como com declarações polêmicas sobre soberania territorial, como as pretensões sobre a Groenlândia, e a política de defesa de alguns parceiros europeus, entre eles a Espanha.
Além dos Estados Unidos, a percepção negativa entre os europeus continua sendo especialmente elevada em relação à Rússia, que concentra 83% de opiniões desfavoráveis, enquanto a rejeição à China chega a 61% e a da Índia se situa em 41%.
A pesquisa, realizada entre março e abril nos 27 Estados-Membros, mostra ainda que 73% dos europeus consideram que a UE é “um lugar de estabilidade em um mundo incerto”, seis pontos a mais do que no Eurobarômetro anterior. Além disso, o apoio a uma política comum de defesa e segurança chega a 81%, o nível mais alto registrado nas duas últimas décadas.
PREOCUPAÇÃO COM O ORIENTE MÉDIO
O conflito no Oriente Médio também se destaca como a principal preocupação dos europeus em nível comunitário, citado por 25% dos entrevistados, à frente da situação internacional em geral (23%) e da guerra da Rússia contra a Ucrânia (20%).
A nível nacional e pessoal, no entanto, o aumento do custo de vida continua a ser a principal preocupação dos cidadãos europeus, mencionada, respetivamente, por 36% e 52% dos participantes no estudo.
Por outro lado, o Eurobarómetro reflete também a manutenção do apoio dos cidadãos à resposta europeia face à invasão russa da Ucrânia. 76% consideram que a guerra representa uma “ameaça” à segurança da UE e outros 76% acreditam que Bruxelas deve continuar apoiando Kiev até se alcançar uma paz “justa e duradoura”.
Além disso, 70% apoiam a manutenção das sanções contra a Rússia, enquanto 75% apoiam a ajuda financeira e humanitária à Ucrânia e 56% endossam que a UE financie o fornecimento de equipamento militar ao país.
MAIS CONFIANÇA NA UE
O estudo reflete também um ligeiro aumento da confiança nas instituições europeias. 51% dos europeus afirmam confiar na UE, três pontos a mais do que no outono de 2025, com os maiores aumentos na França, Dinamarca e Portugal. Entre os jovens de 15 a 24 anos, a confiança chega a 61%.
De acordo com a pesquisa, 75% dos cidadãos europeus afirmam sentir-se cidadãos da UE, e quase seis em cada dez europeus mostram-se satisfeitos com o funcionamento da democracia europeia.
No âmbito econômico, o apoio ao euro mantém-se em níveis históricos desde sua entrada em circulação em 2002, com 74% de apoio entre os cidadãos da UE. No entanto, a pesquisa reflete uma certa deterioração da percepção sobre a situação econômica europeia, já que apenas 44% consideram que a economia comunitária está passando por um bom momento.
Quanto às prioridades de gastos do orçamento europeu, os cidadãos colocam em primeiro lugar o emprego, as questões sociais e a saúde, mencionados por 41% dos entrevistados, à frente da segurança e da defesa (38%) e de áreas como educação, formação, cultura e meios de comunicação (37%).
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