MADRID, 27 jun. (EUROPA PRESS) -
Até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho, segundo as estimativas iniciais da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
As projeções se baseiam na análise da população e dos danos disponíveis até o momento e incluem até dois milhões de pessoas somente em Caracas, a capital. Além disso, elas destacam o “potencial impacto humanitário em grande escala” desses terremotos.
A OIM dispõe de uma análise inicial de imagens de satélite que indicam que, por exemplo, 31,5% dos edifícios em Catia La Mar, ao norte de Caracas, sofreram danos. Esses dados, obtidos em colaboração com o Microsoft AI for Good Lab, permitem identificar as áreas mais afetadas e priorizar a prestação de assistência humanitária de emergência.
“As primeiras horas e dias após um desastre são decisivos. Elas moldam tudo o que vem a seguir”, destacou a diretora-geral da OIM, Amy Pope. “A OIM está intensificando sua resposta rapidamente: os itens de socorro pré-posicionados já estão sendo distribuídos e estamos trabalhando com o governo e os parceiros para fornecer abrigo de emergência, itens básicos de socorro e proteção”, acrescentou ela.
Pope também se referiu ao deslocamento da população causado pelo desastre. “Já está claro que o deslocamento aumentará à medida que as pessoas buscarem segurança. Uma resposta rápida é essencial para fornecer assistência humanitária vital e apoiar o povo da Venezuela nos dias e meses difíceis que se aproximam”, indicou.
As necessidades humanitárias são especialmente evidentes nas famílias que perderam tudo e que precisam, em primeiro lugar, de abrigo de emergência, água potável, saneamento e higiene, assistência médica, proteção e itens básicos de socorro. À medida que a resposta for evoluindo, também será necessária assistência contínua para ajudar as comunidades afetadas a reconstruir suas casas e recuperar seus meios de subsistência.
A OIM colabora com o governo da Venezuela, outras agências da ONU e seus parceiros para coordenar a resposta e já enviou itens de socorro para Caracas. Esses itens já estão sendo preparados para distribuição.
A OIM destaca que as operações de busca e resgate continuam sendo a prioridade imediata, mas alerta que as consequências humanitárias se estenderão muito além dos próximos dias. “A recuperação exigirá um investimento sustentado para ajudar as famílias a reconstruir suas vidas, restabelecer os serviços essenciais e fortalecer a resiliência comunitária”, afirmou.
Por isso, faz um apelo à comunidade internacional para que aja rapidamente em apoio à resposta aos terremotos. “Uma assistência humanitária oportuna salvará vidas, aliviará o sofrimento e ajudará as comunidades afetadas a iniciar o processo de recuperação”, conclui.
EQUIPES DE MAIS DEZ PAÍSES
Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que, nas próximas horas, equipes de resgate de outros dez países se juntarão aos trabalhos vitais realizados nas primeiras 72 horas após os terremotos.
“Gostaria de informar que, nas próximas horas, chegarão missões de mais países. De agora até amanhã, mais dez países se juntarão aos trabalhos de resgate”, afirmou durante uma intervenção transmitida pela mídia estatal venezuelana a partir do Posto de Comando Central.
Até o momento, foi confirmada a presença de equipes de resgate de países como Estados Unidos, México, Colômbia, El Salvador, Chile, Equador, República Dominicana, Espanha, Suíça, França, Itália, Países Baixos, República Tcheca, Alemanha, Catar e Jordânia. Entre os que se juntarão nas próximas horas está a Itália, conforme destacou Rodríguez.
A líder venezuelana destacou “o sentimento do povo que se mobilizou para ajudar familiares, amigos e desconhecidos que, em meio à tragédia, são hoje nossos irmãos”.
Rodríguez referiu-se à região mais afetada, La Guaira, e destacou que, até a 1h da madrugada, havia sido possível restabelecer 60% do serviço de energia elétrica. “Já amanhã devemos avançar muito mais, quando conseguirmos recuperar a torre de energia que caiu na montanha de La Guaira”, observou ela.
“A Venezuela não está sozinha: vamos resgatá-los (...). Essa é a nossa prioridade”, reforçou ele, após mencionar o trabalho “incansável” da Proteção Civil, dos Bombeiros e da Cruz Vermelha.
MAIS DE CEM MÁQUINAS PESADAS
Por sua vez, a Vice-Presidência Setorial de Obras Públicas e Serviços informou sobre a mobilização, em primeira linha, de mais de cem máquinas pesadas em diversos pontos do estado de La Guaira para intensificar os trabalhos de busca, resgate e desobstrução das vias.
As equipes técnicas e os operadores especializados trabalharão ininterruptamente 24 horas por dia, sob a coordenação direta da Proteção Civil e das forças de segurança do Estado.
O vice-presidente setorial, Juan José Ramírez Luces, explicou que, entre as máquinas, há guindastes de 100 toneladas para remover destroços de estruturas desabadas, martelos perfuradores para a demolição controlada de concreto e unidades do tipo carregadeira frontal destinadas à remoção de entulho. Essas máquinas estão destinadas principalmente às localidades de Caraballeda, Macuto e Playa Grande.
O departamento conta ainda com equipes especializadas na avaliação da infraestrutura, que também realizam testes de segurança na conexão elétrica nas áreas da cidade que não apresentam danos estruturais. Elas também trabalham na estabilização dos sistemas de água potável e telecomunicações.
Enquanto isso, a Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas (Funvisis) informou que ocorreram até 20 réplicas até o momento neste sábado. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou sobre um tremor de magnitude 4,7 na escala de Richter, registrado às 00h16 de sábado, horário da Península Ibérica.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático