Publicado 05/04/2025 08:10

A ONU emite medidas cautelares ao México para preservar os restos mortais da Fazenda Izaguirre

Ele considera que o desaparecimento forçado é realizado "de forma geral ou sistemática" no México.

Imagem do Rancho Izaguirre, onde foram encontradas valas comuns de vítimas do Cartel de Jalisco - Nova Geração.
Europa Press/Contacto/Ian Robles

MADRID, 5 abr. (EUROPA PRESS) -

O Comitê das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados (CCED) emitiu medidas cautelares ao México para garantir a guarda adequada dos restos mortais e dos pertences pessoais das pessoas que desapareceram em Rancho Izaguirre, em Jalisco, onde foram encontradas sepulturas com restos humanos e até mesmo três crematórios clandestinos. O rancho foi usado pelo Cartel de Jalisco - Nova Geração como centro de confinamento, treinamento e extermínio.

O Comitê está particularmente preocupado com as repetidas alegações que recebeu sobre a existência de um risco de danos irreparáveis aos restos de esqueletos e às evidências localizadas no Rancho Izaguirre, de acordo com o jornal mexicano "El Universal".

Além disso, denuncia que "as pessoas que compõem os grupos de busca de pessoas desaparecidas que fizeram a descoberta em Rancho Izaguirre estão sendo submetidas a ameaças, intimidações e represálias".

Por todas essas razões, exige que o Estado mexicano "proteja a propriedade do Rancho Izaguirre e realize atividades coordenadas e exaustivas de busca e investigação, garantindo a participação dos familiares e representantes nesses processos". Além disso, solicita a salvaguarda de todos os restos de esqueletos e elementos probatórios com "pleno respeito à cadeia de custódia", bem como a realização da análise genética dos restos de esqueletos localizados para sua identificação.

Também propõe "a realização de uma análise contextual para determinar padrões, esclarecer motivos, o modus operandi dos perpetradores, determinar os perfis das pessoas desaparecidas e estabelecer as particularidades regionais que explicam o desaparecimento".

Por fim, pede para "fornecer informações ao Comitê sobre as medidas tomadas para implementar cada uma dessas recomendações".

DESAPARECIMENTOS FORÇADOS "SISTEMÁTICOS

Além disso, a CCDF acionou o Artigo 34 da Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, que adverte que há indícios de que o desaparecimento forçado é praticado de forma generalizada ou sistemática.

Esse artigo estabelece que, se houver tais indícios, o Comitê "poderá levar o assunto, com urgência, à atenção da Assembleia Geral das Nações Unidas".

O presidente do CCDF, Olivier de Frouville, disse na sexta-feira que "esta sessão foi uma oportunidade para nos concentrarmos em outra situação preocupante, a do México". "Fizemos isso aplicando três procedimentos: o procedimento de ação urgente, artigo 30 (...), o procedimento de comunicações individuais do artigo 31, já que, como o relator indicou, adotamos conclusões com base em uma comunicação sobre um desaparecimento no México, e também com base no procedimento previsto no artigo 34".

"De acordo com este último, o artigo 34, o Comitê recebeu informações que, em sua opinião, contêm informações fundamentadas que indicam que o desaparecimento forçado é realizado de forma geral ou sistemática no território sob a jurisdição do México", explicou De Frouville.

O Comitê pretende "manter uma cooperação e um diálogo construtivos com o Estado a fim de atingir nosso objetivo comum, que é a plena implementação da Convenção", concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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