Europa Press/Contacto/Mikhail Makeyev
MADRID, 30 jun. (EUROPA PRESS) -
As Nações Unidas destacaram que as operações internacionais de busca e resgate estão “totalmente mobilizadas” para apoiar os esforços após os terremotos da semana passada na Venezuela, embora tenha reconhecido que “estão diminuindo” as chances de resgatar sobreviventes, cerca de uma semana após os terremotos, que deixaram mais de 1.700 mortos.
“As operações internacionais de busca e resgate estão totalmente mobilizadas, com mais de 70 equipes de busca e resgate e outras equipes especializadas, e mais de 2.300 pessoas trabalhando lado a lado com as autoridades nacionais”, afirmou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
“Várias pessoas foram resgatadas com vida dos escombros, embora o número de mortos continue aumentando e muitas continuem desaparecidas”, lamentou o órgão, antes de salientar que “o período crítico para conseguir resgatar pessoas que ainda estão vivas está se reduzindo”.
Assim, ressaltou que, apesar disso, “os parceiros humanitários estão ampliando a ajuda de emergência nas áreas de saúde, abrigo, água e saneamento, e logística, inclusive em La Guaira e em outros municípios afetados”, ao mesmo tempo em que insistiu que “a ONU e outros parceiros humanitários estão aumentando rapidamente a assistência vital aos sobreviventes”.
O OCHA também relembrou o apelo de emergência para obter “doações públicas” que financiem a resposta, um plano administrado pelo escritório da agência na capital, Caracas, que destina os recursos ao Fundo Humanitário para a Venezuela com o objetivo de “fornecer ajuda vital, atendimento médico, alimentos e abrigo de emergência por meio de parceiros locais de confiança”.
Nesse contexto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que “as cenas de devastação na Venezuela são verdadeiramente comoventes”. “Expresso minha mais sincera solidariedade a todos os afetados e ao povo venezuelano”, ressaltou em uma mensagem publicada nas redes sociais.
“Diante da rápida evolução das necessidades, o acesso à assistência humanitária urgente será fundamental”, ressaltou. “O sistema das Nações Unidas está intensificando a assistência vital em conjunto com nossos parceiros e o governo, e não poupará esforços para apoiar aqueles que precisam”, prometeu.
MÉDICOS DO MUNDO PEDE REFORÇO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Por sua vez, a organização não governamental Médicos do Mundo enfatizou a necessidade de reforçar a atenção primária à saúde e garantir a continuidade dos serviços essenciais de saúde para milhares de pessoas que permanecem deslocadas, após uma primeira avaliação das necessidades nas áreas afetadas pelos terremotos.
“Em uma emergência dessas características, é imprescindível que, além da assistência hospitalar, sejam mantidos os serviços básicos de saúde que estão mais próximos das pessoas”, explicou Andrey Escalona, coordenador médico da emergência da Médicos do Mundo na Venezuela.
“Garantir o acesso a consultas de atenção primária, medicamentos, cuidados maternos, saúde mental ou atendimento a pessoas com doenças crônicas evita que a crise sanitária se agrave nas próximas semanas”, destacou ele, de acordo com um comunicado publicado pela ONG.
Nesse sentido, a Médicos del Mundo relatou que, entre as necessidades mais urgentes, destacam-se a reativação de centros de atenção primária que continuam em funcionamento ou que poderiam voltar a funcionar rapidamente, o acesso contínuo a medicamentos essenciais e a assistência às pessoas deslocadas que permanecem em assentamentos informais.
A ONG também enfatizou a importância de reforçar a assistência em saúde mental e o apoio psicossocial, bem como os serviços de saúde sexual e reprodutiva, especialmente para mulheres grávidas, meninas e outras pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Da mesma forma, destacou que várias instalações sofreram “danos significativos” devido aos terremotos, o que levou as autoridades a instalar hospitais de campanha para recuperar parte da capacidade de atendimento perdida. Por isso, a ONG explicou que adaptará sua intervenção à emergência e às necessidades para “garantir o acesso a um atendimento de saúde digno, de qualidade e baseado nas necessidades reais das comunidades”.
O NRC PEDE “SOLUÇÕES DE LONGO PRAZO”
Nesse sentido, Beatriz Ochoa, do escritório para a América Latina do Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), destacou que “esses terremotos deixaram milhares de famílias sem teto” e elogiou a “extraordinária solidariedade” demonstrada pelos venezuelanos, “que se apoiam mutuamente nestes momentos extremamente difíceis, mesmo quando eles próprios podem ter pouco”.
“Para onde quer que se olhe, vê-se gente trabalhando para ajudar tanto seus vizinhos quanto desconhecidos. Médicos atendendo partos em salas de aula, adolescentes organizando brincadeiras para que as crianças pequenas se distraiam da realidade e motoristas de táxi transportando famílias gratuitamente”, destacou ela.
“Agora precisamos garantir que a ajuda chegue e que o financiamento permita que as equipes humanitárias no local ampliem seu apoio e comecem a oferecer soluções de longo prazo”, argumentou, ao mesmo tempo em que ressaltou que “é urgente que os deslocados tenham em breve soluções habitacionais mais adequadas para evitar mais dificuldades”.
Ochoa alertou ainda que a situação sanitária “se deteriorará rapidamente se os serviços não forem ampliados” e acrescentou que “sem higiene nem saneamento, as famílias correm o risco de contrair doenças”. “Devemos fornecer itens de higiene e produtos de higiene menstrual, além de facilitar o acesso a banheiros e chuveiros o mais rápido possível”, explicou.
Por outro lado, ela destacou que o NRC trabalha com seus parceiros locais “para oferecer apoio socioemocional, de modo que as crianças possam lidar com o trauma que sofreram, além de proporcionar educação de emergência, o que é fundamental, já que as escolas permanecerão fechadas nas próximas semanas”.
“Já antes dessa catástrofe, cerca de oito milhões de pessoas precisavam de ajuda na Venezuela. Durante muitos anos, a comunidade internacional não ofereceu o apoio necessário ao povo venezuelano, priorizando a política em detrimento da humanidade”, lembrou Ochoa, que pediu que se garanta que “as famílias que perderam tudo por causa desses terremotos não sejam esquecidas”.
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