Publicado 03/06/2026 09:34

A ONT alerta que o número de transplantes, embora esteja aumentando, não é suficiente para atender ao aumento da demanda

Oito em cada dez espanhóis estariam dispostos a doar, porcentagem que subiu 13 pontos desde 2006

Archivo - Arquivo - Cirurgia, sutura, sala de cirurgia.
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MADRID, 3 jun. (EUROPA PRESS) -

O número de transplantes cresce, mas a lista de espera não diminui porque aumentam as indicações para essa terapia e é maior o número de pacientes que podem se candidatar a ela, situação que faz com que as listas de espera continuem aumentando, segundo a diretora da Organização Nacional de Transplantes (ONT), Beatriz Domínguez-Gil.

“Todos os dias, mais de 5.000 pessoas aguardam o transplante de um órgão. Embora o número de transplantes cresça, a lista de espera não diminui, uma vez que aumentam as indicações para essa terapia e é maior o número de pacientes que podem se candidatar a ela”, declarou.

Diante dessa situação, 57,4% dos espanhóis desconhecem que o número de doações é insuficiente para atender às necessidades de transplante, de acordo com o estudo lançado pela ONT e pela Fundação Mutua Madrileña e realizado pela Universidade Pública de Navarra (UPNA) e pela Universidade Autônoma de Madri (UAM) em 2026, no qual foram entrevistados 1.203 espanhóis adultos.

Além disso, de acordo com os resultados dessa análise, quase 70% estão dispostos a registrar oficialmente sua vontade de doar, mas apenas 7,2% o fizeram, em grande parte porque desconhecem essa possibilidade.

Trata-se de uma pesquisa que atualiza um trabalho realizado pela última vez em 2006, liderado igualmente pela Fundação Mutua e pela ONT, portanto, esta nova análise permite “uma comparação da atitude e do conhecimento da sociedade espanhola sobre a doação e o transplante de órgãos com duas décadas de diferença”.

Apesar de a Espanha ser, há 34 anos consecutivos, o país com mais doadores por milhão de habitantes no mundo, e de, em 2025, terem sido realizados 6.334 transplantes, a ONT tem enfatizado que isso não é suficiente para atender às necessidades da sociedade.

FALTA DE COMUNICAÇÃO

Embora o apoio à doação de órgãos seja muito alto, o estudo identificou um “fator-chave” que continua limitando o número de doações efetivas: a falta de comunicação no âmbito familiar.

De acordo com os dados do estudo, quando se conhece a vontade favorável da pessoa falecida, 90,1% autorizariam a doação de órgãos. No entanto, quando esse desejo é desconhecido, apenas 54,9% autorizariam a doação; e quando o desejo de não doar é conhecido, mesmo assim, 14,5% a autorizariam. Ou seja, transmitir a vontade de doar à família quase duplica a disposição para doar.

Nesse sentido, os pesquisadores destacaram que conversar em casa sobre a doação é um dos gestos “mais eficazes” para salvar vidas, pois dissipa dúvidas, facilita o consentimento familiar e, acima de tudo, permite respeitar a vontade da pessoa falecida. No entanto, apenas 48% dos entrevistados afirmam que sua família conhece sua vontade em relação à doação.

Por isso, o estudo defende a comunicação familiar como uma via “mais acessível e eficaz” do que o registro administrativo para garantir que a vontade do doador seja respeitada quando chegar a hora.

Diante dessa situação, a Fundação Mutua Madrileña e a ONT lançaram um apelo à ação com a hashtag #DiloEnCasa para promover a conversa com a família sobre o desejo de ser doador.

INTENÇÃO E AÇÃO

Este trabalho, dirigido por Jorge S. López, María Soria-Oliver, Rubén García-Sánchez, María Jesús Martín e José Manuel Martínez, destacou, por sua vez, uma “importante lacuna” entre a intenção e a ação.

Quase sete em cada dez espanhóis estariam dispostos a registrar oficialmente sua vontade de doar, mas apenas 7,2% realmente o fizeram por meio do Registro de Últimas Vontades e 12,6% por meio de um cartão simbólico de doador.

Essa diferença evidencia que, apesar da atitude favorável, muitas pessoas adiam ou evitam formalizar sua decisão, seja por desconhecimento, barreiras burocráticas ou falta de reflexão prévia.

COMPROMISSO COM A DOAÇÃO

Atualmente, 8 em cada 10 espanhóis estariam dispostos a doar, porcentagem que subiu 13 pontos desde 2006 (de 67,4% para 80,1%). Por outro lado, a recusa caiu “drasticamente” (de 14,5% para 4,1%), tornando-se um fenômeno minoritário.

Além disso, as motivações para ser doador evoluíram. Atualmente, a doação baseia-se cada vez mais em razões altruístas, como salvar vidas (o que influencia significativamente 81% da população), melhorar a qualidade de vida de outras pessoas (74,8%) ou demonstrar solidariedade (68,0%).

O professor pesquisador da UPNA e coordenador da equipe que realizou o estudo, Jorge S. López, destacou que os profissionais, a mídia e a população demonstraram que, quando as condições adequadas estão presentes, a população “é favorável a realizar ações solidárias”.

No entanto, ainda há 15,8% das pessoas que afirmam não ter certeza e, entre os indecisos, um terço (32,9%) doaria de forma condicionada: para seu círculo próximo, quando o uso dos órgãos estiver claramente especificado, se tiver vivido de perto uma experiência relacionada ao transplante ou se fosse para salvar uma criança.

“É importante que essas pessoas indecisas procurem profissionais para esclarecer suas dúvidas, seja por meio da ONT ou de profissionais de saúde mais próximos, como os da Atenção Primária”, comentou López.

Este estudo também confirmou que a doação se tornou um “valor compartilhado por todas as gerações”, já que, ao contrário do que ocorria em 2006, não existem mais diferenças significativas por faixas etárias: hoje, todos ultrapassam 76% de disposição para doar, incluindo os maiores de 65 anos, que há duas décadas eram mais relutantes.

Por sua vez, a presidente da Federação Espanhola do Fígado (FEH), Elena Arceaga, afirmou que a vida não é apenas viver após uma doença, mas viver para “poder continuar trabalhando, para continuar sendo útil na sociedade e viver para cada um e para suas famílias”.

A coordenadora de transplantes do Hospital Universitário de Toledo, Carmen Gijón, garantiu que acompanhar as famílias em momentos tão difíceis, mesmo sabendo que não podem aliviar a dor dos entes queridos, gera uma grande gratidão nos profissionais que as acompanham.

Por fim, o irmão de um doador de órgãos, Óscar González, confessou que a forma como os médicos, enfermeiros e toda a equipe de coordenação lidaram com a situação e acompanharam sua família, em meio a tal tragédia, chegou a confortá-los.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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