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MADRID 25 jun. (EUROPA PRESS) -
As ONGs se mobilizaram para ajudar as vítimas do duplo terremoto de mais de 7 graus na escala de Richter que abalou a Venezuela e deixou pelo menos 164 mortos e mil feridos. Entre as vítimas, segundo indicam as organizações, as crianças são, neste momento, as mais vulneráveis.
Mais especificamente, as ONGs que fazem parte do Comitê de Emergência Espanhol — Aldeias Infantis SOS, Ação contra a Fome, Educo, Entreculturas, Médicos do Mundo, Plan International e World Vision—, já estão preparadas para atender às necessidades mais urgentes, concentrando seus esforços em setores que podem ser fundamentais, como abrigo, alimentação, água e saneamento e assistência médica, conforme informaram em um comunicado.
“Do Comitê de Emergência, queremos enviar todo o nosso apoio e força às vítimas dos terremotos na Venezuela e às entidades envolvidas nos trabalhos de assistência. Mais uma vez, colocamos em prática nossos protocolos de ação para ajudar a população afetada no que for necessário. Graças ao trabalho conjunto das empresas que colaboram com o Comitê de Emergência Espanhol e da sociedade como um todo, poderemos salvar mais vidas”, explicou a diretora do Comitê de Emergência Espanhol, Sara Barbeira.
Por exemplo, a Ação contra a Fome garantiu que está presente no local, avaliando o impacto e as necessidades mais urgentes da população.
“Nossa equipe já está no local, avaliando a situação em um contexto ainda muito instável. Assim que as necessidades mais urgentes forem definidas com maior clareza, estaremos prontos para oferecer apoio”, destacou a responsável pelas operações da Ação contra a Fome na América Latina, Benedetta Lettera.
Por sua vez, a UNICEF Espanha lançou uma campanha de arrecadação de fundos para reforçar a resposta de emergência e anunciou que destinará imediatamente 100.000 euros provenientes de seu fundo de emergência para atender às necessidades mais urgentes das crianças.
“Enviamos toda a nossa solidariedade e apoio ao povo venezuelano. Em uma emergência como esta, agir desde o primeiro momento é fundamental para salvar vidas e proteger as crianças mais vulneráveis, e nossas equipes no país já estão atuando para apoiar as famílias afetadas”, afirmou o diretor executivo da UNICEF Espanha, José María Vera.
Segundo ele, o terremoto agrava uma situação humanitária que já era grave antes do sismo, na qual cerca de 4 milhões de crianças precisavam de ajuda humanitária — uma realidade que “certamente será agravada pelo impacto da emergência”.
A Save The Children também está “avaliando a situação no local” e trabalhando com sua equipe e parceiros locais para compreender as necessidades urgentes e apoiar as famílias afetadas “o mais rápido possível”, conforme explicaram à Europa Press.
PERDA DO LAR E TERROR
“As crianças estão entre as mais vulneráveis após esses terremotos. Algumas terão perdido seus lares e as réplicas continuam, causando mais terror nas crianças e aumentando o risco de novos danos e vítimas”, afirmou a diretora-geral da Save the Children na Venezuela, Fátima Andraca.
A ONG garante, com base em experiências anteriores, que as crianças precisarão de “apoio urgente” para ter acesso a abrigo, alimentos, água e atendimento médico. “É possível que tenham se separado de suas famílias em meio ao caos e possam estar em risco de exploração e abuso”, alertam.
Por sua vez, esclarecem que mantêm ativo um Fundo de Emergência para canalizar recursos e responder a crises humanitárias como esta.
Por sua vez, a diretora de comunicação da World Vision na Venezuela, María Andreína Pernalete, afirmou, de Caracas, que estão “profundamente chocados e assustados”.
“Quando aconteceu (o terremoto), eu estava com meu bebê de dois anos, minha mãe e meu marido. Recebi um alerta apenas alguns segundos antes de tudo começar a tremer, e nos refugiamos debaixo de uma coluna. Lá, nos abraçamos e rezamos, esperando que tudo passasse. Vimos as paredes se danificando, e isso foi realmente impactante para nós. Tivemos que nos mudar para um convento próximo, onde estamos hospedados agora, devido aos danos sofridos pelo nosso prédio; não podemos mais entrar nele. As freiras também estão acolhendo famílias em uma escola para lhes dar abrigo”, explicou ela.
A ONG também registrou o depoimento de Luis Colmenarez, especialista regional em Conteúdos e Comunicações de Emergência da World Vision na Venezuela. Ele estava assistindo a um filme no cinema quando ocorreu o terremoto.
“No meio do filme, tudo ficou escuro e tudo começou a tremer. As pessoas começaram a correr, gritando e chorando. As crianças também gritavam de medo. Algumas pessoas pararam para rezar; o pânico tomou conta da sala, já que a escuridão impedia que se visse a saída. Algumas pessoas tropeçaram e caíram no chão. Tudo isso aconteceu enquanto tentávamos encontrar uma saída de emergência. O tremor durou entre dois e três minutos; pareceu interminável”, relatou.
Segundo ele, “os hospitais estão sobrecarregados” e “as pessoas de Caracas também permanecem nas ruas, porque têm medo de voltar para casa devido às múltiplas réplicas”.
SITUAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Por sua vez, o Comitê Espanhol de Representantes de Pessoas com Deficiência (CERMI) fez um apelo por uma “resposta urgente” e alertou que as pessoas com deficiência estão “entre os grupos populacionais mais expostos e vulneráveis”.
Além disso, acrescenta que esse tipo de desastre natural “pode gerar situações de deficiência adquirida como consequência de lesões graves e outras sequelas permanentes”, por isso pede que se incorpore à resposta humanitária e aos programas de reconstrução destinados à Venezuela “uma abordagem inclusiva”, garantindo uma atenção “prioritária e acessível” às pessoas com deficiência e aos idosos.
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