MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
A combinação de um antigo e fraco campo magnético e um grande impacto gerador de plasma pode ter criado temporariamente um intenso campo magnético na Lua, concentrado no lado mais distante.
Para onde foi o magnetismo da Lua? Os cientistas têm se perguntado sobre essa questão há décadas, desde que uma sonda espacial em órbita detectou sinais de um alto campo magnético em rochas na superfície da Lua. Atualmente, a própria Lua não possui magnetismo inerente.
Em um estudo publicado na revista Science Advances, os pesquisadores demonstram, por meio de simulações detalhadas, que um impacto, como o de um grande asteroide, poderia ter gerado uma nuvem de partículas ionizadas que envolveu a Lua por um breve período. Esse plasma teria circulado ao redor da Lua e se concentrado no ponto oposto ao impacto inicial. Lá, o plasma teria interagido com o fraco campo magnético lunar, amplificando-o momentaneamente. Qualquer rocha na região poderia ter registrado sinais de aumento do magnetismo antes que o campo se extinguisse rapidamente.
Essa combinação de eventos poderia explicar a presença de rochas altamente magnéticas detectadas em uma região próxima ao polo sul, no lado mais distante da Lua. Coincidentemente, uma das maiores bacias de impacto - a Bacia Imbrium - está localizada exatamente em frente à face visível da Lua. Os pesquisadores suspeitam que o elemento que desencadeou esse impacto provavelmente liberou a nuvem de plasma que deu origem ao cenário em suas simulações.
"Há grandes partes do magnetismo lunar que ainda não foram explicadas", disse o autor principal Isaac Narrett, um estudante de pós-graduação do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias (EAPS) do MIT, em um comunicado. "Mas a maioria dos fortes campos magnéticos medidos por naves espaciais em órbita pode ser explicada por esse processo, especialmente no lado mais distante da Lua."
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