F. BRASIL, P. MACHADO ET AL.
MADRID 26 mar. (EUROPA PRESS) -
Pela primeira vez em escala global, 20 anos de observações em Marte foram condensados em uma análise exaustiva das ondas atmosféricas do planeta vermelho, o que acentua as diferenças em relação à Terra.
As ondas atmosféricas são distúrbios ondulatórios que se propagam pela atmosfera do planeta, semelhantes às ondas que viajam na superfície da água.
Os pesquisadores se concentraram nessa energia, que tem um impacto significativo no clima do planeta. Os dados, coletados pelo Observatório de Mineração, Água, Gelo e Atividade (OMEGA) da missão espacial europeia Mars Express, serviram de base para essa análise ambiciosa. Os resultados foram publicados no Journal of Geophysical Research: Planets.
Os pesquisadores examinaram 263 grupos de ondas atmosféricas e realizaram uma análise detalhada de 125 deles. Três fenômenos principais foram estudados: ondas de gelo seco, ondas de água e tempestades de poeira. O maior desafio foi identificar imagens com e sem nuvens entre centenas de milhares de fotos, já que as nuvens são poucas e distantes em Marte.
ASSIMETRIA ENTRE HEMISFÉRIOS
Esse estudo, baseado em duas décadas de dados, fornece uma compreensão mais profunda do clima marciano. "As diferenças entre Marte e a Terra são ainda maiores do que pensávamos. Há uma assimetria maior entre os hemisférios sul e norte do que se pensava", explica Pedro Machado, pesquisador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e um dos principais autores do estudo, que envolveu nove especialistas de vários países.
Atualmente, a equipe de Macahdo está analisando dados adicionais e desenvolvendo um novo método de estudo que permitirá não apenas a observação das ondas atmosféricas, mas também dos campos de vento de Marte, um fenômeno que está se tornando cada vez mais conhecido.
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