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MADRID, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
A iniciativa “Big Catch-Up”, impulsionada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela UNICEF e pela Aliança para Vacinas Gavi, beneficiou cerca de 18,3 milhões de crianças de um a cinco anos na África e na Ásia que tinham esquemas de vacinação incompletos como resultado das interrupções nos serviços de saúde causadas pela pandemia de Covid-19.
A campanha de vacinação, iniciada em 2023, foi realizada em 36 países, que concentram 60% do total de crianças não vacinadas no mundo, nos quais foram administradas mais de 100 milhões de doses contra 10 doenças. “Isso equivale a vacinar cinco vezes as crianças menores de cinco anos da União Europeia”, destacou a diretora executiva da Gavi, Sania Nishtar, em entrevista coletiva.
Dos 18,3 milhões de menores imunizados, estima-se que 12,3 milhões eram crianças que nunca haviam sido vacinadas e 15 milhões nunca haviam recebido a vacina contra o sarampo. O programa também administrou 23 milhões de doses contra a poliomielite a crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta.
Dessa forma, a iniciativa permitiu reverter parte do impacto da pandemia, que representou um retrocesso após anos de avanços na vacinação mundial e provocou um aumento no número de crianças que nunca haviam recebido nenhuma dose de vacina, o que suscitou preocupação em relação a futuros surtos de doenças evitáveis.
“Graças à campanha ‘Big Catch-Up’, os países não apenas vacinaram milhões de crianças, mas também investiram em seus sistemas de saúde, investiram em dados e aprimoraram os modelos de prestação de serviços para garantir que as comunidades carentes continuem recebendo assistência no futuro”, explicou Nishtar.
Especificamente, a iniciativa impulsionou sistemas sustentáveis para identificar, examinar, vacinar e monitorar as taxas de cobertura na infância, incluindo atualizações nas políticas sobre a idade de elegibilidade. Os países também treinaram profissionais de saúde para identificar, examinar e vacinar crianças que não haviam sido vacinadas, e colaboraram com as comunidades e a sociedade civil para apoiar os esforços de recuperação.
Entre os resultados alcançados, destaca-se que 12 países (Burkina Faso, República Popular Democrática da Coreia, Etiópia, Quênia, Madagascar, Mauritânia, Níger, Paquistão, Somália, Togo, República Unida da Tanzânia e Zâmbia) conseguiram vacinar mais de 60% de todas as crianças menores de cinco anos que não haviam recebido nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche.
A título de exemplo, na Etiópia, mais de 2,5 milhões de crianças que não haviam recebido nenhuma dose anteriormente receberam essa vacina. O país também administrou cerca de cinco milhões de doses contra a poliomielite e mais de quatro milhões de doses da vacina contra o sarampo, entre outras vacinas essenciais, a crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta.
O OBJETIVO É GARANTIR A VACINAÇÃO SISTEMÁTICA
A implementação do programa foi concluída no último dia 31 de março. Embora os dados finais ainda estejam sendo coletados, espera-se que ele se aproxime de cumprir sua meta de atingir pelo menos 21 milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta.
“Mas essa não é a meta final”, destacou o diretor associado e chefe de Imunização da UNICEF, Ephrem T. Lemango, que ressaltou que o objetivo é garantir que os programas de vacinação continuem sendo mantidos em todos os países e alcancem todas as crianças.
“A cada ano, 14,3 milhões de crianças não recebem nenhuma vacina por meio da imunização de rotina (...) Esse fardo recai com maior severidade sobre as populações mais vulneráveis. É hora de uma mudança”, afirmou, instando a passar “da recuperação para a sustentabilidade e da fragilidade para a resiliência”.
Segundo ele, as chaves dessa mudança residem, em primeiro lugar, na concepção de serviços de vacinação que possam se adaptar a ambientes de fragilidade e conflito, onde vive quase metade das crianças que não recebem nenhuma dose de vacina. “Uma criança nascida em uma zona de conflito tem mais do triplo de chances de não ser vacinada”, precisou.
Da mesma forma, defendeu a promoção da confiança na vacinação, que está sendo prejudicada pela desinformação, e destacou a importância de aumentar o financiamento nacional e global em programas de imunização, após os recentes e drásticos cortes que “afetaram gravemente” a prestação desses serviços.
A OMS, a UNICEF e a Gavi divulgaram os resultados desta campanha no âmbito da Semana Mundial da Imunização, que é celebrada sob o lema “As vacinas funcionam para todas as gerações”, razão pela qual a diretora do Departamento de Imunização, Vacinas e Produtos Biológicos da OMS, Kate O’Brien, enfatizou que a vacinação “é um direito fundamental”.
“A campanha ‘The Big Catch-Up’ reforça essa mensagem ao nos mostrar que alcançar todas as crianças é algo urgente, mas também viável”, destacou.
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