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75% dos casais entrevistados estariam dispostos a usar um novo método anticoncepcional masculino
MADRID, 23 set. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ampliou suas recomendações sobre contracepção para oferecer uma variedade maior de opções “seguras e eficazes”, entre elas a mifepristona como método de contracepção de emergência, bem como o uso mais prolongado de alguns anticoncepcionais orais e implantes; além disso, está sendo incentivado o desenvolvimento de novos métodos anticoncepcionais masculinos.
A OMS estima que 164 milhões de mulheres que desejam adiar ou evitar a gravidez não utilizam anticoncepcionais, o que destaca a necessidade urgente de melhorar e ampliar o acesso a esses métodos. Com a nova publicação “Diretrizes da OMS sobre a ampliação das opções anticoncepcionais”, a OMS pretende ajudar os países a facilitar o acesso a métodos respaldados pelas melhores evidências científicas disponíveis.
As novas diretrizes oferecem formas alternativas de utilizar os métodos existentes. Para isso, a OMS recomenda que as pílulas anticoncepcionais orais combinadas possam ser tomadas por períodos prolongados de até seis meses ou de forma contínua por até um ano, como alternativa ao uso cíclico. Além disso, apoia o uso de implantes anticoncepcionais por um período de até cinco anos, o que poderia reduzir a necessidade de procedimentos de substituição, consultas médicas e os custos associados.
MIFEPRISTONA COMO OPÇÃO ADICIONAL
A OMS recomenda a mifepristona como opção adicional de contracepção de emergência, administrada o mais rápido possível e dentro de cinco dias após uma relação sexual desprotegida. As evidências indicam que a mifepristona, em doses de 10 a 50 mg, é provavelmente tão segura e eficaz quanto outros métodos de contracepção de emergência.
“A capacidade de escolha é uma questão de igualdade de gênero”, afirma Pascale Allotey, diretora do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva e Pesquisas Relacionadas da OMS, que lembra que “tanto homens quanto mulheres precisam de uma variedade de opções que reflitam o que a ciência e a inovação oferecem atualmente, levando em conta fatores como conforto, grau de invasividade, padrões de comportamento, confiabilidade e acessibilidade”.
Ampliar o acesso também implica esclarecer quais métodos ainda não contam com respaldo científico suficiente. Nesse sentido, a OMS solicitou que sejam realizadas mais pesquisas sobre o ormeloxifeno antes de incluí-lo nos programas de planejamento familiar, uma vez que as evidências atuais sobre sua segurança são limitadas. A nova diretriz também desaconselha a incorporação de pílulas anticoncepcionais que contenham quinestrol aos programas nacionais de contracepção, devido às evidências limitadas existentes e aos relatos de efeitos adversos graves.
A OMS QUER QUE SEJAM DESENVOLVIDOS NOVOS MÉTODOS MASCULINOS
A OMS também trabalha para diversificar as opções anticoncepcionais disponíveis no futuro. Atualmente, os homens dispõem de relativamente poucos métodos sob seu controle: principalmente preservativos, coito interrompido e vasectomia.
Pesquisas da OMS questionam a crença arraigada de que os homens não utilizariam novos anticoncepcionais. Mais de 75% dos casais entrevistados afirmaram que estariam dispostos a usar um novo anticoncepcional masculino, enquanto mais de 85% das mulheres declararam que confiariam que seu parceiro assumisse a responsabilidade pela contracepção.
Para ajudar a transformar essa demanda em novos produtos, a OMS elaborou seu primeiro “Perfil de Produto Alvo” para métodos contraceptivos masculinos, no qual são definidas as características que os futuros métodos deveriam reunir, tais como segurança, eficácia, aceitabilidade e acessibilidade.
O objetivo é oferecer uma orientação mais clara a pesquisadores, financiadores e desenvolvedores, bem como contribuir para a formação de um mercado que reflita melhor o que as pessoas desejam e precisam. Vários métodos masculinos, tanto hormonais quanto não hormonais, estão sendo pesquisados, e há vários candidatos promissores em fases avançadas de ensaios clínicos, o que sugere que novos anticoncepcionais masculinos reversíveis poderiam chegar ao mercado dentro de 5 a 10 anos.
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