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MADRID, 23 jun. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou os países a ampliar o rastreamento neonatal de doenças congênitas, destacando que a detecção e o tratamento precoces podem salvar vidas e reduzir a deficiência em milhões de crianças.
Um novo relatório da OMS identifica o rastreamento neonatal como uma importante oportunidade para acelerar o progresso na sobrevivência infantil. O documento destaca que muitas condições podem ser tratadas com sucesso se forem detectadas logo após o nascimento. Entre elas estão o hipotireoidismo congênito, a anemia falciforme, a deficiência auditiva e alguns distúrbios metabólicos. No entanto, o relatório destaca que milhões de crianças continuam sendo diagnosticadas tarde demais ou nunca recebem tratamento.
Em todo o mundo, estima-se que 8 milhões de bebês nasçam a cada ano com uma doença congênita, e esses defeitos representam quase 8% de todas as mortes infantis de crianças menores de cinco anos. Estima-se que 90% das crianças que nascem com defeitos congênitos graves vivam em países de baixa e média renda, onde o acesso à triagem, ao diagnóstico e ao tratamento ainda é limitado.
“Nenhuma criança deveria perder a oportunidade de ter um futuro saudável por uma doença congênita não ter sido detectada a tempo. Em todo o mundo, os países demonstram que o rastreamento neonatal para detectar uma ou mais condições pode salvar vidas, prevenir deficiências e oferecer ao recém-nascido a melhor oportunidade de desenvolver todo o seu potencial”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
DIFERENÇAS “ENORMES” ENTRE OS PAÍSES
Segundo a OMS, a disparidade entre os países é “enorme”. Assim, alguns realizam exames de triagem em todos os recém-nascidos para detectar mais de 50 condições, enquanto outros não conseguem realizar nenhum. Por isso, a OMS incentiva todos os países a adotarem o rastreamento neonatal, começando por uma condição prioritária no país e ampliando-o progressivamente à medida que a capacidade for aumentando.
O relatório mostra que as doenças congênitas representam uma proporção crescente das mortes de crianças menores de cinco anos em muitas regiões. Entre 2000 e 2023, a proporção de mortes de crianças menores de cinco anos atribuíveis a doenças congênitas aumentou de 1% para 4% na África Subsaariana e de 3% para 11% no sul da Ásia. Parte dessa mudança reflete um progresso real na redução das mortes por causas infecciosas e outras causas evitáveis.
O documento tem como objetivo apoiar os ministérios da saúde, especialmente nos países de baixa e média renda, para que priorizem as condições para a triagem neonatal de acordo com o contexto de cada país.
EXEMPLOS DE SUCESSO
O relatório apresenta exemplos de países da África, Ásia e América que já demonstram a integração bem-sucedida de programas de triagem neonatal em grande escala nos serviços de saúde de rotina. Assim, destaca as políticas implementadas por países como Argentina, Brasil ou Egito. Além disso, destaca os programas desenvolvidos na Índia, nas Filipinas, no Sri Lanka e em Uganda.
Por tudo isso, a OMS insta os governos a integrar a triagem, o diagnóstico e o tratamento neonatal nos serviços de saúde de rotina e nos programas de cobertura universal de saúde, começando pelas condições que são prioritárias para cada país e que podem ser detectadas de forma eficaz e gerenciadas de maneira viável dentro de seus sistemas de saúde.
O relatório foi elaborado com base em uma consulta global da OMS que reuniu representantes governamentais, especialistas técnicos, médicos, pesquisadores, associações profissionais, organizações da sociedade civil e famílias afetadas por doenças congênitas, com o objetivo de identificar as prioridades para fortalecer a detecção, o diagnóstico e o atendimento de longo prazo em recém-nascidos.
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