Publicado 12/06/2026 07:28

A OMS propõe, na revista "The Lancet", uma mudança no modelo de atendimento à hemorragia pós-parto, que causa a morte de 43.000 mulh

Governo Federal
OMS/HRP/ KARIN SCHERMBRUCKER

MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras organizações internacionais publicaram na revista especializada “The Lancet” uma série de artigos nos quais propõem uma mudança no modelo de atendimento à hemorragia pós-parto, causa da morte de “43.000 mulheres por ano”.

Especificamente, essa análise foi realizada, além da referida entidade e da Universidade de Oxford, no Reino Unido, por pesquisadores principais do “Programa Especial de Pesquisa, Desenvolvimento e Capacitação em Pesquisa sobre Reprodução Humana” (HRP) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a própria OMS e o Banco Mundial.

Esta série de artigos “histórica” oferece “soluções definitivas” para “acabar com uma das complicações mais mortais do parto”, afirmou este organismo internacional, acrescentando que “o sangramento excessivo após o parto afeta 27 milhões de mulheres” anualmente. Além disso, “custa aos países, aos sistemas de saúde e às famílias em todo o mundo mais de 8,63 bilhões de euros” por ano, indicou.

Por isso, considera que é necessária “uma mudança fundamental na forma como a hemorragia pós-parto deve ser detectada e tratada”. Isso se baseia, entre outros aspectos, na “implementação das mais recentes diretrizes consolidadas sobre prevenção, diagnóstico e tratamento”, e tem “entre os novos elementos importantes” o relativo ao tratamento “assim que forem perdidos 300 mililitros de sangue, se acompanhado de sinais vitais anormais”, especificou.

“O protocolo de tratamento também inclui a medição da perda de sangue com um pano de coleta calibrado, o que altera uma prática arraigada na assistência materna de estimar visualmente a perda de sangue”, prosseguiu, para acrescentar que essa estimativa visual “é extremamente imprecisa”. Tanto é assim que, por meio dela, “metade dos casos não é detectada”, informou.

Na opinião dos pesquisadores, até agora estão ocorrendo “oportunidades perdidas para prevenir a hemorragia antes que ela ocorra”. “Reduzir a anemia durante a gravidez, atender à necessidade não atendida de contracepção, evitar cesáreas medicamente desnecessárias e garantir que todas as mulheres recebam medicamentos uterotônicos eficazes após o parto poderia diminuir substancialmente a carga global de hemorragia pós-parto”, destacaram a esse respeito.

PACOTE DE CINCO MEDIDAS, ENTRE AS QUAIS SE INCLUEM UM MEDICAMENTO OXITÓTICO E O ÁCIDO TRANEXÁMICO

Aprofundando as propostas desse novo modelo, eles afirmaram que “um pacote simples de tratamento de primeira resposta 5 em 1, conhecido como pacote ‘PPH’, sob a sigla ‘MOTIVE’, pode transformar os resultados”. “Ao garantir que toda mulher com hemorragia pós-parto receba imediatamente massagem uterina, um medicamento oxitócico, ácido tranexâmico, fluidos intravenosos e um exame para determinar a origem do sangramento, a equipe de saúde pode reduzir drasticamente a progressão para uma hemorragia potencialmente fatal em até 60%”, destacaram.

“Essa abordagem foi projetada especificamente para que parteiras e enfermeiras possam agir imediatamente, sem a necessidade de aguardar a avaliação de um especialista”, explicaram os especialistas em relação a essa proposta. A proposta, de fato, surgiu diante dos “seis atrasos críticos” identificados “durante o atendimento, desde o diagnóstico até o tratamento, a intensificação do atendimento e o acesso a hemoderivados, que muitas vezes determinam a sobrevivência da mulher”, apontaram.

No entanto, afirmaram que “em uma era de medicamentos eficazes, ferramentas de diagnóstico simples e um conjunto de tratamentos baseados em evidências, nenhuma mulher deveria morrer de hemorragia pós-parto porque a ajuda chegou tarde demais”. No entanto, “o desafio agora reside na implementação”, garantiram, para, diante disso, fazer “um apelo aos governos, aos sistemas de saúde, às associações profissionais, aos doadores e, em geral, à comunidade de saúde mundial para que a hemorragia pós-parto se torne uma prioridade urgente”.

Dessa forma, e para concluir, os pesquisadores principais exigiram que “todos os centros de maternidade” sejam equipados e que “a equipe de saúde da linha de frente” seja capacitada. É necessário adotar “intervenções de eficácia comprovada em grande escala”, pois “milhares de vidas poderiam ser salvas a cada ano”, concluíram.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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