MADRID 30 jan. (EUROPA PRESS) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) insta os governos a integrar os cuidados de saúde mental nas estratégias para eliminar as doenças tropicais negligenciadas, garantindo que ninguém fique para trás ou isolado.
No âmbito do Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas (ETD), a OMS alertou que milhões de pessoas vivem com doenças tropicais negligenciadas e continuam enfrentando um sofrimento “profundo e muitas vezes invisível”, devido à discriminação, ao estigma social e às condições de saúde mental não tratadas.
A Organização salienta que mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo são afetadas por ETD e um número semelhante sofre de problemas de saúde mental. “As pessoas afetadas por ETD que causam deficiências físicas ou desfiguração, como leishmaniose cutânea, hanseníase, filariose linfática, micetoma e noma, são particularmente vulneráveis ao estigma e à discriminação”, acrescenta.
De acordo com a OMS, as ideias erradas relacionadas ao contágio e à infecção aprofundam ainda mais o estigma, a discriminação e a exclusão social. Por isso, as pessoas que vivem com ETD crônicas apresentam taxas mais altas de depressão, ansiedade e comportamentos suicidas em comparação com a população em geral e as pessoas que vivem com outras condições crônicas. No entanto, muitas não recebem os cuidados e o apoio de que precisam em suas comunidades.
“A luta contra as doenças tropicais negligenciadas não é apenas uma luta contra os patógenos, mas também contra o profundo sofrimento humano que eles causam. A verdadeira erradicação implica libertar as pessoas não apenas da doença, mas também da vergonha, do isolamento e do desespero que muitas vezes a acompanham”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O PRIMEIRO GUIA MUNDIAL PARA ABORDAR A SAÚDE MENTAL E O ESTIGMA Para abordar essa lacuna, a OMS lançou recentemente seu primeiro guia mundial sobre o pacote de cuidados essenciais para abordar a saúde mental e o estigma das pessoas com doenças tropicais negligenciadas. O guia fornece aos líderes dos serviços de saúde um resumo das intervenções baseadas em evidências para promover a boa saúde mental; identificar e avaliar as condições de saúde mental em pessoas que vivem com ETD; gerenciar e tratar condições de saúde mental e reduzir o estigma em nível individual, comunitário e dos sistemas de saúde.
Nesse contexto, a campanha global do Dia Mundial das ETD, liderada pela OMS e uma coalizão de parceiros, ressalta que as ETD continuam sendo um dos desafios mais fáceis de resolver e um dos investimentos mais inteligentes em saúde global.
“Até o momento, 58 países eliminaram pelo menos uma DNT, o que coloca o mundo em um caminho sólido para alcançar a meta da OMS de 100 países até 2030. Nações do Brasil à Jordânia e do Níger a Fiji demonstraram que a eliminação é realista e alcançável”, destaca a Organização.
No entanto, o relatório mundial sobre doenças tropicais negligenciadas 2025 mostra que a assistência oficial para o desenvolvimento mundial destinada às ETD caiu 41% entre 2018 e 2023, o que ameaça reverter os avanços alcançados com tanto esforço.
“Se novas medidas não forem tomadas, as ETD continuarão a custar mais vidas e meios de subsistência, com um custo estimado de US$ 33 bilhões por ano para as famílias e comunidades afetadas em salários perdidos e despesas do próprio bolso”, alerta a OMS.
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