MADRID 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quarta-feira um novo guia para ajudar os países a adotarem e expandirem os modelos de assistência liderados por parteiras, nos quais as parteiras atuam como as principais prestadoras de cuidados para mulheres e bebês durante a gravidez, o parto e o período pós-parto.
Ele garante que essa orientação promova uma forte comunicação e colaboração entre as mulheres e as parteiras e ofereça benefícios comprovados à saúde das mulheres e de seus bebês. As mulheres atendidas por parteiras em quem confiam têm uma probabilidade estatisticamente maior de ter partos vaginais saudáveis e estão mais satisfeitas com os serviços que recebem, observa ela.
"Expandir e investir em modelos de atendimento liderados por parteiras é uma das estratégias mais eficazes para melhorar a saúde materna e neonatal em todo o mundo", disse Anshu Banerjee, diretor de Saúde Materna, Neonatal, Infantil e do Adolescente e Envelhecimento da OMS.
"Essas abordagens melhoram os resultados, maximizam os recursos e podem ser adaptadas a todos os países. O mais importante é que elas também melhoram a experiência de atendimento das mulheres e famílias, criando parcerias confiáveis para a saúde nesse estágio crítico da vida", acrescentou Banerjee.
Apesar do progresso, a OMS lembra que a mortalidade materna e neonatal continua "inaceitavelmente alta", principalmente em ambientes frágeis e de baixa renda. De acordo com uma modelagem recente, o acesso universal a assistentes de parto qualificados poderia evitar mais de 60% dessas mortes, salvando 4,3 milhões de vidas por ano até 2035.
A OMS enfatiza que os modelos de atendimento liderados por parteiras enfatizam a escolha informada, bem como a comunicação e as técnicas não invasivas - como mobilidade no trabalho de parto, orientação respiratória, posições variadas no parto e apoio emocional - que buscam capacitar as mulheres e reduzir a probabilidade de procedimentos invasivos.
Para a OMS, esses modelos também são uma resposta importante às crescentes preocupações com a medicalização excessiva do parto. "Embora as intervenções médicas, como cesarianas, induções e o uso de fórceps, sejam essenciais e salvem vidas quando clinicamente indicadas, seu uso rotineiro ou excessivo gera riscos à saúde a curto e longo prazo. Em alguns países, as taxas de cesariana agora excedem 50%, indicando altas taxas de procedimentos medicamente desnecessários", diz a OMS.
"As parteiras capacitadas ajudam as mulheres a ter confiança em seus corpos, em suas habilidades e em seus cuidados", diz Ulrika Rehnstrom Loi, especialista em obstetrícia da OMS e líder técnica do guia.
"É por isso que o investimento em modelos de atendimento liderados por parteiras é tão importante: ele não apenas melhora a saúde, mas cria um quadro de especialistas equipados para oferecer atendimento individualizado e respeitoso, garantindo que as mulheres sejam sistematicamente envolvidas na tomada de decisões e tenham acesso às informações de que precisam, bem como ao apoio emocional vital", acrescentou.
FERRAMENTAS PRÁTICAS PARA IMPLEMENTAÇÃO
O novo guia oferece ferramentas práticas e exemplos reais para ajudar os países a estruturar uma transição para modelos de atendimento liderados por parteiras. Como parte desse processo, é necessário um forte compromisso político, planejamento estratégico e financiamento de longo prazo para a implementação, com linhas orçamentárias dedicadas.
Ele também destaca a importância da regulamentação e do treinamento de alta qualidade das parteiras, de acordo com os padrões internacionais, para apoiar a prática autônoma e baseada em evidências.
A implementação bem-sucedida requer uma estreita colaboração, diz a OMS. "As parteiras devem ser capacitadas para trabalhar de forma independente, mas também integradas a equipes de saúde mais amplas, juntamente com médicos e enfermeiros. Em caso de complicações, as parteiras devem ser capazes de trabalhar em colaboração com esses outros profissionais para garantir um atendimento multidisciplinar de qualidade para todas as mulheres e bebês", diz ela. Ela conclui.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático