Publicado 22/05/2026 06:32

A OMS lançará uma nova estratégia global contra a tuberculose

Imagem da Assembleia Mundial da Saúde.
WHO / ANTOINE TARDY

Também alerta para o desafio da esteatose hepática

MADRID, 22 maio (EUROPA PRESS) -

A Assembleia Mundial da Saúde decidiu elaborar uma estratégia pós-2030 para combater a tuberculose e orientar a futura resposta global à doença, levando em conta os avanços científicos emergentes e as tendências epidemiológicas atuais.

Segundo a OMS, essa estratégia reforçará a estreita colaboração com a atenção primária à saúde, o avanço da cobertura universal de saúde e as agendas de segurança sanitária global, em preparação para a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose de 2028.

A Assembleia também examinou um relatório sobre a implementação da Estratégia para Erradicar a Tuberculose, no qual foram destacados tanto os avanços quanto os desafios. Entre 2000 e 2024, a ampliação do tratamento de pessoas com tuberculose salvou aproximadamente 83 milhões de vidas, enquanto 2024 marcou a primeira queda na incidência da tuberculose após a pandemia e os níveis mais altos já registrados de acesso a serviços essenciais para a tuberculose.

Apesar desses avanços, a OMS ressalta que a tuberculose continua sendo uma das principais causas de morte por doenças infecciosas. Além disso, afirma que as metas globais da Estratégia para Acabar com a Tuberculose e da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável ainda não foram alcançadas. Isso, segundo a organização, deve-se ao financiamento insuficiente, às interrupções causadas pela pandemia, à desigualdade, aos conflitos, ao deslocamento forçado pelas mudanças climáticas e à vulnerabilidade.

O DESAFIO DA ESTEATOSE HEPÁTICA

Por outro lado, os delegados da Assembleia aprovaram uma resolução que reconhece a esteatose hepática como um “fator importante e crescente” na carga global de doenças não transmissíveis (DNT). A esteatose hepática, anteriormente conhecida como doença do fígado gorduroso, afeta aproximadamente 1,7 bilhão de pessoas em todo o mundo e é uma das causas de doença hepática crônica que mais cresce globalmente.

Essa condição está intimamente relacionada à obesidade, ao diabetes tipo 2, às doenças cardiovasculares e a outros distúrbios metabólicos, enquanto a hepatopatia alcoólica continua sendo um importante fator que contribui para a carga global da doença. Sem prevenção e tratamento eficazes, a hepatopatia grave pode evoluir para fibrose hepática, cirrose e câncer de fígado, o que exerce uma pressão cada vez maior sobre os sistemas de saúde em todo o mundo.

A resolução insta os Estados-Membros a integrar a prevenção e o tratamento das doenças não transmissíveis em suas estratégias nacionais, fortalecer a atenção primária à saúde, melhorar a vigilância e a sensibilização e promover ações multissetoriais para abordar os fatores de risco comuns a esse tipo de doença, como dietas pouco saudáveis, sedentarismo e consumo nocivo de álcool. Além disso, solicita que se melhore o acesso aos serviços de prevenção, detecção, diagnóstico e tratamento, especialmente para as populações de maior risco, incluindo crianças e adolescentes.

A resolução solicita ainda à OMS que integre a esteatose hepática nos esforços em curso de prevenção e controle das doenças não transmissíveis, que preste apoio técnico aos países que o solicitarem, que fortaleça a colaboração com os parceiros relevantes e que informe a cada dois anos sobre os progressos realizados como parte da agenda global mais ampla sobre as doenças não transmissíveis.

APOIO ÀS PESSOAS QUE VIVEM COM HEMOFILIA

Os Estados-membros da Assembleia Mundial da Saúde também aprovaram uma resolução que reafirma o compromisso de agir contra a hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos, abordando as “importantes deficiências” no diagnóstico, tratamento e assistência em nível global. Estima-se que quase 70% das pessoas que vivem com hemofilia permaneçam sem diagnóstico.

A hemofilia e outras doenças hemorrágicas dificultam a coagulação sanguínea, o que provoca sangramento prolongado após lesões ou cirurgias e, em casos graves, episódios de hemorragia espontânea. Sem um diagnóstico oportuno e uma profilaxia adequada, essas condições podem causar graves complicações de saúde, incapacidade e uma menor qualidade de vida.

A OMS destaca que esta resolução representa um passo concreto para colmatar uma lacuna histórica de equidade para uma comunidade que muitas vezes tem sido ignorada nas políticas globais de saúde.

COMBATER A DESINFORMAÇÃO

Além disso, a Assembleia realizou uma sessão sobre desinformação e notícias falsas na área da saúde, reunindo líderes de governos, organizações internacionais, comunidade científica, sociedade civil, jovens, setor privado e meios de comunicação.

O evento destacou a “urgência” do problema, revelando um amplo consenso de que a desinformação e as informações errôneas são um “desafio de comunicação” e uma “ameaça crescente” à saúde pública que prejudica a eficácia das intervenções sanitárias.

A partir de diversas perspectivas, os participantes apontaram a necessidade de colaboração multissetorial e investimento sustentável em ecossistemas de informação resilientes. Além disso, destacaram o papel fundamental da OMS na mobilização de parceiros e na provisão de orientação normativa.

Olhando para o futuro, as prioridades-chave incluem investir na qualidade da informação em saúde, ir além da correção reativa da desinformação em direção a uma participação proativa e fortalecer a colaboração com as principais partes interessadas, como plataformas tecnológicas e comunidades de usuários finais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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