Publicado 01/07/2026 13:53

A OMS e a França pedem que os ambientes digitais sejam regulamentados diante dos riscos à saúde infantil

Archivo - Arquivo - Menina sentada em um sofá preto, usando um tablet e ouvindo música
KERKEZ //ISTOCK - Arquivo

MADRID 1 jul. (EUROPA PRESS) -

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o presidente da França, Emmanuel Macron, alertaram para os “graves riscos” que os ambientes digitais representam para a saúde e o desenvolvimento infantil e instaram à criação de regulamentações e à implementação de medidas mais rigorosas de segurança e prestação de contas.

“Ainda estamos a tempo de agir, mas já é tarde demais para fazer ajustes mínimos”, afirmam em um artigo publicado nesta quarta-feira no ‘Project Syndicate’, no qual reconhecem que está ocorrendo uma transformação na infância em todo o mundo devido ao uso das tecnologias digitais.

Adhanom Ghebreyesus e Macron destacam que as ferramentas digitais permitem “ampliar as oportunidades” dos jovens ao facilitar a aprendizagem, a comunicação e o acesso aos serviços de saúde, além de oferecer-lhes criatividade, comunidade e um senso de pertencimento, sobretudo para aqueles que sofrem exclusão no mundo real.

No entanto, alertam que esses benefícios “não são garantidos”, mas “dependem em grande medida de quem tem acesso, de como as tecnologias são projetadas e a quais interesses elas atendem”.

Citando as medidas promovidas por países como Austrália, França, Indonésia, Espanha, Irlanda, Reino Unido e Canadá, eles destacam o “crescente consenso mundial” sobre a necessidade de regulamentar os ambientes digitais, adaptando seu design à idade e dotando-os de maiores garantias para proteger a saúde infantil.

Nesse sentido, eles enfatizam que “são necessárias soluções porque os ambientes digitais não são neutros”. Segundo afirmam, sua concepção, gestão e monetização influenciam muitos aspectos da vida e, especialmente, a saúde.

VIOLÊNCIA E DESINFORMAÇÃO

O representante da OMS e o presidente francês explicam que a exposição repetida a conteúdos estereotipados, sexualizados, violentos ou discriminatórios influencia a forma como as crianças se entendem a si mesmas e ao mundo ao seu redor. Além disso, alertam para a disseminação de afirmações enganosas sobre saúde e destacam a preocupação com a privacidade em relação à coleta e ao uso de dados pessoais.

Em seguida, apontam as evidências que associam a exposição digital excessiva a problemas de ansiedade, depressão, insônia, maior agressividade e, em casos mais graves, tendências suicidas, e alertam para a possível exposição à promoção de produtos nocivos, como tabaco, álcool e jogos de azar.

Além disso, observam que o uso de redes sociais, videogames e inteligência artificial (IA) pode aumentar a solidão, fomentar o sedentarismo e reduzir o sono, sendo esses dois últimos fatores de risco conhecidos para doenças não transmissíveis. A exploração e o abuso sexual online também estão aumentando em nível mundial, segundo afirmam.

Paralelamente, destacam o “fator multiplicador” que representa a IA generativa, tanto em termos de riscos quanto de oportunidades para o bem-estar infantil. Apesar dos benefícios de um uso responsável, eles alertam que seu impacto a longo prazo nas expectativas das crianças em relação a relacionamentos, empatia ou autorregulação é “incerto”, por isso defendem a adoção de “uma abordagem de precaução”.

SOLUÇÕES PROPOSTAS PELOS JOVENS

Adhanom Ghebreyesus e Macron afirmam que a redução da exposição a conteúdos ilegais, extremos ou explícitos deve ser acompanhada por relacionamentos estáveis, limites adequados, atividade física e oportunidades de interação social no mundo real, pois “o bem-estar infantil requer mais do que a ausência de danos”.

Além das medidas regulatórias, eles exigem pesquisas independentes e longitudinais em diferentes contextos socioeconômicos e regiões. Além disso, incentivam a participação dos jovens, que podem contribuir com suas próprias experiências para ajudar a estabelecer limites adequados.

Dessa forma, apelam à colaboração constante entre governos, indústria, sociedade civil e instituições de saúde pública “para maximizar os benefícios e minimizar os danos”. “É fundamental haver maior transparência, o compartilhamento de dados, a adoção de projetos que promovam a saúde e o apoio das empresas a normas de segurança eficazes, especialmente para os menores”, ressaltam.

“Nossas crianças e jovens não são cobaias, nem um mercado cativo, nem uma mercadoria. Juntos, podemos e devemos criar ambientes digitais que protejam e apoiem seu desenvolvimento saudável. As decisões que tomarmos agora terão repercussões por gerações”, concluem.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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