Publicado 02/09/2025 05:16

A OMS estima que mais de um bilhão de pessoas sofram de problemas de saúde mental em todo o mundo.

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MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -

EMBARGADO ATÉ TERÇA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO, ÀS 10:00 DA MANHÃ.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de um bilhão de pessoas sofrem de problemas de saúde mental em todo o mundo, um número crescente, pois entre 2011 e 2021 o número de pessoas afetadas aumentou a uma taxa maior do que a população mundial total.

É o que afirma o relatório "A saúde mental mundial hoje", que a OMS publicou na terça-feira junto com o "Atlas de Saúde Mental 2024", para instar os países a tomar medidas que ajudem a proteger e promover a saúde mental, depois de conhecer o número recorde de pessoas afetadas por transtornos como ansiedade ou depressão, os dois mais comuns.

A maioria dos 14% da população mundial que sofre de um problema de saúde mental vive em países de baixa e média renda, mostra o relatório, com base em dados de 2021. Dois terços deles sofrem de ansiedade ou depressão e, embora haja diferenças por gênero e distúrbio, as mulheres são, no geral, as mais afetadas (581,5 milhões em comparação com 513,9 milhões de homens).

Sobre esse ponto, o relatório observa que a pandemia de Covid-19 exacerbou as diferenças de gênero. O estudo Carga Global de Doenças (GBD) de 2020 estimou um aumento de 29,8% no transtorno depressivo maior e um aumento de 27,9% nos transtornos de ansiedade entre as mulheres durante 2020, em comparação com aumentos de 24% e 21,7% entre os homens, respectivamente.

Entre a população mais jovem, o relatório da OMS indica que, em 2021, cerca de sete por cento das crianças de cinco a nove anos e 14 por cento dos adolescentes de 10 a 19 anos tinham um transtorno mental. Cerca de um terço dos transtornos mentais na idade adulta se desenvolvem antes dos 14 anos, metade até os 18 anos e quase dois terços até os 25 anos, diz o relatório.

A OMS deu ênfase especial ao suicídio, dizendo que é uma "tragédia" que ainda ocorre "com muita frequência", disse Dévora Kestel, diretora do departamento de doenças não transmissíveis e saúde mental da OMS. Esse comportamento é particularmente prevalente entre os jovens, onde se destaca como uma das principais causas de morte em todos os países e contextos socioeconômicos.

Em 2021, aproximadamente 727.000 pessoas cometeram suicídio. Apesar dos esforços globais, a agência de saúde observou que o progresso na redução da mortalidade por suicídio é muito baixo para atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecido pelas Nações Unidas, de reduzir as taxas de suicídio em um terço até 2030. Na trajetória atual, apenas uma redução de 12% será alcançada até essa data.

IMPACTO HUMANO E ECONÔMICO

Nesse sentido, o relatório destaca o impacto humano e econômico dos distúrbios de saúde mental, que são uma das principais causas de incapacidade. Em particular, a depressão sozinha é responsável por nove por cento das deficiências em todo o mundo, mais do que qualquer outro problema de saúde.

Além disso, a agência de saúde apontou que as pessoas com transtornos mentais morrem mais cedo e têm menos anos de vida saudável do que a população em geral. Isso afeta especialmente as pessoas com esquizofrenia, que morrem em média nove anos mais cedo, e as pessoas com transtorno bipolar, que morrem em média 13 anos mais cedo, em comparação com o restante da população.

Em relação às consequências econômicas, o estudo destaca que a economia global perde cerca de 850 bilhões de euros (um trilhão de dólares) todos os anos devido à perda de produtividade em decorrência apenas da depressão e da ansiedade.

UM NÚMERO SUBESTIMADO

"O número de bilhões pode ser uma subestimação. É um número alto, sim, mas também há muito estigma no campo da saúde mental, e muitas pessoas podem relutar, ao preencher pesquisas, em endossar perguntas sobre experiências que consideram muito particulares. Portanto, não me surpreenderia se os números aumentassem nos próximos anos", disse Mark Van Ommeren, chefe da unidade de saúde mental do departamento de doenças não transmissíveis e saúde mental da OMS, em uma coletiva de imprensa.

Nesse contexto, a OMS pediu aos países que tomem medidas, depois de reunir evidências da falta de recursos que persiste em diferentes estados, com respostas "inadequadas e insuficientes" a esse tipo de problema de saúde.

Embora a OMS reconheça que, desde 2020, os países fizeram progressos significativos no fortalecimento de suas políticas e planejamento de saúde mental, com atualizações nas políticas e melhorias na preparação para fornecer atendimento e apoio psicossocial, ainda há melhorias a serem feitas.

Em uma linha relacionada, relatórios publicados revelam que, em média, os países gastam apenas dois por cento de seus orçamentos de saúde em saúde mental, com diferenças significativas entre países de alta renda, renda média e baixa renda.

Nos países de baixa renda, há pouco mais de um profissional de saúde mental para cada 100.000 pessoas, em comparação com mais de 60 nos países de alta renda. Dois terços dos países têm apenas um psiquiatra para atender a 200.000 ou mais pessoas. Além disso, a disponibilidade de medicamentos psicotrópicos essenciais e intervenções psicológicas a preços acessíveis continua limitada, especialmente em países de baixa renda.

A OMS lamentou que os transtornos mentais sejam uma das condições de saúde mais negligenciadas, afirmando que a maioria dos pacientes não recebe atendimento formal. De fato, estima-se que menos de uma em cada dez (9%) pessoas com transtorno depressivo maior receba tratamento minimamente adequado em todo o mundo.

Diante desse cenário, a OMS pediu aos governos e parceiros globais que intensifiquem urgentemente os esforços para alcançar uma transformação sistêmica dos sistemas de saúde mental em todo o mundo. Para isso, a OMS solicitou o financiamento equitativo dos serviços de saúde mental; reformas legais e políticas para defender os direitos humanos; investimento sustentado na força de trabalho de saúde mental; e a expansão do atendimento comunitário e centrado na pessoa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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