Publicado 08/07/2026 09:13

A OMS estima que 20% da população desenvolverá câncer e que 92% será afetada pela doença

Alerta que a sobrevida ao câncer depende do local de residência e do nível socioeconômico

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FATCAMERA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 8 jul. (EUROPA PRESS) -

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida e que 92% da população mundial será afetada por essa doença, seja por um diagnóstico próprio ou pelo de um parente próximo de quem terá que cuidar.

É o que constam no relatório apresentado nesta quarta-feira pela OMS e sua Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), que analisa a situação global do câncer em 2026. O documento oferece a primeira análise abrangente sobre o progresso global na prevenção e no controle da doença e identifica as principais lacunas que ainda persistem.

De acordo com o documento, em 2024 foram diagnosticados 20,6 milhões de novos casos de câncer em todo o mundo e cerca de 10 milhões de pessoas faleceram em decorrência da doença. Além disso, as projeções indicam que o número de novos diagnósticos chegará a 35 milhões por ano em 2050.

No relatório, a OMS denuncia as desigualdades entre os sistemas de saúde dos diferentes países. “Enquanto na Europa e na América do Norte estima-se que uma em cada quatro pessoas desenvolverá câncer e uma em cada doze morrerá por causa dessa doença, na África Subsaariana o risco de desenvolver câncer é aproximadamente a metade — uma em cada oito pessoas —, mas o risco de falecer é praticamente o mesmo: uma em cada doze”, explicou a doutora Isabelle Soerjomataram, subdiretora da Unidade de Vigilância do Câncer da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (IARC).

Nesse contexto, Soerjomataram destacou que a sobrevida ao câncer continua dependendo, em grande parte, do local de residência e da situação econômica dos pacientes. “O relatório mostra claramente as desigualdades entre os países de baixa renda e os de alta renda”, afirmou.

Como exemplo, ela destacou que, na África Subsaariana, entre 50% e 90% das mulheres com câncer de mama são diagnosticadas nos estágios III ou IV, quando a doença já se encontra em fase avançada. Já na América do Norte, e em países como os Estados Unidos, essa porcentagem gira em torno de 30%.

Além disso, o câncer é cada vez mais um fator determinante da mortalidade prematura e, em 2021, foi a principal causa de mortalidade prematura em 41 países, a segunda em 37 e a terceira em 47. Apenas 12 países estão a caminho de atingir a meta de reduzir a mortalidade prematura por câncer em um terço até 2030. Em contrapartida, 48 países apresentam taxas crescentes de mortalidade prematura por câncer, associadas ao aumento da carga da doença.

50% DAS PESSOAS COM CÂNCER PERDERAM RELACIONAMENTOS PRÓXIMOS

O relatório também analisa a experiência das pessoas afetadas pela doença e destaca seu impacto humano, social e econômico. Nesse sentido, cerca de 50% dos pacientes afirmam ter perdido relações pessoais próximas, 60% afirmam ter sofrido angústia e metade dos cuidadores apresenta sintomas compatíveis com um luto prolongado.

Além disso, a OMS alerta que mais da metade dos pacientes e suas famílias enfrentam despesas com saúde muito elevadas. Nos 39 países que monitoram os gastos com tratamento oncológico, o ônus econômico do câncer equivale, em média, a 1% do produto interno bruto (PIB) nacional.

“85% dos familiares relataram um ônus de cuidados de moderado a grave. Pessoas de países de todos os níveis de renda estão sofrendo com despesas de saúde catastróficas e até mesmo com a falência devido aos custos médicos”, destacou o chefe da Equipe de Controle do Câncer da Organização Mundial da Saúde, André Ilbawi.

AVANÇOS NO CONTROLE DO TABAGISMO E DO CÂNCER DO COLO UTERINO

O relatório destaca que, apesar das desigualdades, foram registrados avanços significativos na prevenção e no controle do câncer em nível mundial, especialmente em áreas como o controle do tabagismo e a vacinação contra o vírus do papiloma humano (VPH), embora alerte que persistem lacunas importantes no acesso a essas medidas.

No que diz respeito ao tabagismo, a OMS aponta que a implementação das políticas previstas na Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CMCT) contribuiu para reduzir em 27% a prevalência do consumo de tabaco desde 2010. No entanto, alerta que a aplicação incompleta das medidas MPOWER continua a favorecer o consumo de tabaco.

Em relação ao câncer do colo do útero, a organização destaca que a introdução de esquemas de vacinação com uma única dose impulsionou o avanço rumo às metas de eliminação da doença. No entanto, ela adverte que persistem diferenças significativas na cobertura, pois, embora 85% dos países tenham incorporado a vacina contra o HPV aos seus programas nacionais de imunização, a cobertura da primeira dose entre as meninas atinge apenas 31%, muito aquém da meta de 90% estabelecida para 2030, embora represente uma melhora em relação aos 17% registrados em 2019.

Quanto ao câncer de mama, a OMS lamenta que seu controle, uma das intervenções prioritárias para prevenir e combater as doenças não transmissíveis, não tenha recebido atenção suficiente em nível mundial. Como consequência, as taxas de sobrevivência ultrapassam 85% nos países de alta renda, mas mal chegam a 40% em muitos países de baixa e média renda.

Por fim, o relatório alerta que apenas 39% dos países incluem um pacote básico de atendimento oncológico na cobertura universal de saúde, o que deixa uma parte significativa da população sem acesso a serviços essenciais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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