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MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -
O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na quarta-feira que a OMS e seus parceiros estão trabalhando com nove países para tornar o lenacapavir injetável - um medicamento para a prevenção do HIV - disponível para quase dois milhões de pessoas a um preço mais baixo negociado.
Na semana passada, a OMS emitiu duas diretrizes para recomendar o uso da injeção de lenacapavir duas vezes por ano como uma opção adicional de profilaxia pré-exposição (PrEP) para a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Trata-se do primeiro produto de PrEP injetável semestral, que também é uma alternativa "altamente eficaz e de ação prolongada" às pílulas orais diárias e a outras opções de ação mais curta, representando um "avanço transformador" na proteção de pessoas em risco de contrair o HIV, observam as diretrizes.
"O lenacapavir é um medicamento preventivo revolucionário que pode ajudar a virar a maré contra o HIV. A proteção contra o HIV fornecida pela injeção de lenacapavir dura seis meses e evita mais de 96% das novas infecções pelo HIV", disse Tedros em uma coletiva de imprensa.
O diretor geral da OMS observou que seis fabricantes de genéricos estão atualmente desenvolvendo o lenacapavir e ele espera que as versões genéricas estejam amplamente disponíveis até 2027. "A OMS está trabalhando com os países que adotaram o lenacapavir precocemente e com parceiros globais para tornar o uso do lenacapavir uma realidade, inclusive por meio de diretrizes e do processo de pré-qualificação", acrescentou.
QUASE 14,3 MILHÕES DE CRIANÇAS NUNCA RECEBERAM NENHUMA VACINA
Por outro lado, Tedros lembrou que o recente relatório anual da OMS/UNICEF sobre estimativas de cobertura nacional de imunização em todo o mundo mostra um aumento "modesto" na cobertura de vacinação em nível global. Entretanto, ele lamentou que 14,3 milhões de crianças nunca receberam uma única dose de qualquer vacina e outros milhões receberam apenas cobertura parcial.
"As crianças que vivem em alguns dos mais de dois países afetados por conflitos ou emergências humanitárias correm um risco especialmente alto de não receber vacinas que salvam vidas", disse ele.
No caso do sarampo, um dos patógenos mais infecciosos do mundo, "embora a cobertura global tenha aumentado ligeiramente em relação ao ano passado, mais de 30 milhões de crianças não receberam o ciclo completo das vacinas necessárias". Em 2024, 60 países tiveram surtos significativos de sarampo, quase o dobro do que em 2022".
Em seguida, Tedros destacou que a OMS certificou o Suriname como um país livre de malária: "Isso eleva para 47 o número de países e territórios que foram certificados, com mais a caminho.
"Também validamos recentemente a erradicação do tracoma como um problema de saúde pública no Burundi e no Senegal, elevando para 57 o número total de países que erradicaram pelo menos uma doença tropical negligenciada", acrescentou.
REGULAMENTOS INTERNACIONAIS DE SAÚDE
Por fim, Tedros disse que o Regulamento Sanitário Internacional, suas emendas e o acordo sobre pandemias foram "propostos, negociados e adaptados" pelos Estados membros.
"É assim que a OMS funciona. Ela pertence aos países, aos 194 estados-membros. Em segundo lugar, a OMS não tem autoridade para dizer aos países o que fazer. Não podemos impor proibições de viagem, contenções, vacinas obrigatórias ou qualquer outro tipo de medida, nem pretendemos fazê-lo. Isso está claramente declarado em nossa fundação. Isso está claramente declarado em nosso documento de fundação, a Constituição da OMS", explicou Tedros.
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