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MADRID 19 ago. (EUROPA PRESS) -
A saúde das mulheres continua sendo abordada, em grande parte, sob a perspectiva da maternidade, embora a maioria das mortes ocorra fora do período materno, conforme revela um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O documento alerta ainda que as mulheres vivem mais anos, mas não necessariamente com boa saúde, e aponta importantes desigualdades na mortalidade de acordo com o local de residência.
“As mulheres são mais do que mães, e os sistemas de saúde devem tratá-las como tal. Exortamos os Estados-Membros da Região Europeia a eliminar as barreiras que dificultam o acesso de mulheres e meninas aos cuidados de saúde, a corrigir as lacunas nos dados que ocultam as reais causas de morte das mulheres e a integrar a prevenção da violência nas políticas nacionais de saúde”, afirmou Natasha Azzopardi-Muscat, diretora de Sistemas de Saúde da OMS/Europa.
Nesse contexto, o relatório destaca que, nas últimas duas décadas, a mortalidade materna diminuiu, de maneira geral, em toda a Região Europeia da OMS. A organização destaca que se trata de um avanço importante, já que mais de 98% dos partos na Região ocorrem em unidades de saúde e aproximadamente 99% são assistidos por profissionais de saúde qualificados. Esse sucesso pode ser atribuído à melhoria da assistência clínica, a uma maior vigilância e a um empenho político sustentado.
No entanto, a OMS ressalta que quase todas as mortes maternas são evitáveis e podem ser prevenidas por meio de intervenções eficazes de saúde pública ou de cuidados oportunos e de alta qualidade. Mesmo assim, mais de 3.500 mulheres na Região Europeia da OMS faleceram por causas maternas entre 2018 e 2022. De fato, desde 2013, as taxas de mortalidade materna estagnaram e, na Europa Oriental e do Norte, aumentaram.
Ao mesmo tempo, as tendências de mortalidade por todas as causas revelam desigualdades geográficas persistentes. Embora as taxas de mortalidade entre as mulheres tenham diminuído, de modo geral, em toda a Região desde o ano 2000, o local de residência de uma mulher continua a influenciar significativamente suas chances de ter uma vida longa e saudável.
As mulheres da Ásia Central, Europa Oriental e Ásia Ocidental continuam apresentando taxas de mortalidade consideravelmente mais elevadas do que as da Europa Setentrional, Meridional e Ocidental. Essa diferença permanece inalterada há mais de duas décadas, aponta o relatório.
MAIOR PROBABILIDADE DE A CAUSA DA MORTE SER DESCONHECIDA
Entre as mulheres com 45 anos ou mais, é significativamente mais comum que as causas de morte sejam registradas em categorias pouco específicas, classificadas oficialmente como causas de morte mal definidas. Estas incluem termos como fragilidade, parada cardíaca, insuficiência cardíaca, demência não especificada ou, simplesmente, causas desconhecidas.
De fato, nessa faixa etária, as mulheres têm cerca de 14% mais chances do que os homens de que sua causa de morte seja classificada como mal definida.
Parte dessa diferença nas causas de morte mal definidas pode ser explicada por fatores esperados. As mulheres vivem mais anos e a idade avançada costuma vir acompanhada de múltiplas doenças crônicas, o que torna mais complexa a certificação da causa de morte. No entanto, essa é apenas uma parte da explicação. Há cada vez mais evidências de que as mulheres recebem diagnósticos mais tardios, são submetidas a menos exames e continuam sub-representadas na pesquisa clínica, especialmente no âmbito das doenças cardiovasculares.
VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
De acordo com a OMS, outros riscos, como a violência, também continuam sendo subestimados. Ao comparar a mortalidade materna com a mortalidade por causas violentas, observa-se um claro contraste.
A organização destaca que os dados disponíveis sobre a violência contra as mulheres provavelmente subestimam a verdadeira magnitude do problema. Assim, ela indica que a violência contra as mulheres costuma ser subnotificada devido ao estigma, às normas sociais e a questões legais, o que a torna um dos indicadores mais difíceis de medir.
“Ainda mais preocupante é a distribuição por faixa etária. A violência contra as mulheres costuma ser vista como um problema que afeta principalmente as mais jovens, mas o risco não desaparece com a idade. As mulheres mais velhas continuam sofrendo violência por parte do parceiro, maus-tratos psicológicos e outras formas de violência, enquanto o risco de feminicídio persiste ao longo de toda a vida”, acrescenta o documento.
Por fim, o relatório denuncia que as mulheres continuam sub-representadas na pesquisa clínica, especialmente no que diz respeito às doenças cardiovasculares, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.
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