MADRID 26 mar. (EUROPA PRESS) -
A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou um estudo em 93 de seus Estados-membros, através do qual constatou que mais de 60 deles estão atendendo melhor às necessidades de saúde de refugiados e migrantes, o que representa dois terços dos países pesquisados.
“Os sistemas de saúde só são verdadeiramente universais quando atendem a toda a população”, afirmou o diretor-geral dessa organização internacional, o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, que acrescentou que “os refugiados e migrantes não apenas recebem atendimento de saúde”, mas também “trabalham nesses serviços, cuidam de outras pessoas e são figuras de referência em seu entorno”.
Em sua opinião, esta pesquisa “mostra que a inclusão beneficia toda a sociedade e reforça a preparação para futuros desafios de saúde pública”. Por isso, os resultados obtidos foram destacados como avanços encorajadores nas políticas de saúde inclusivas para refugiados e migrantes.
Os dados indicam que os mais de 60 países que otimizaram sua assistência a esses grupos já os incluem em suas leis e políticas nacionais de saúde, em aplicação do Plano de Ação Global da OMS. Isso adquire especial relevância porque, atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas — mais de uma em cada oito — são refugiadas ou migrantes.
OBSTÁCULOS AO ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE
Os deslocamentos das pessoas obedecem, entre outras causas, a conflitos, desastres naturais, busca de oportunidades econômicas ou educacionais e necessidades familiares. No entanto, muitos refugiados e migrantes enfrentam obstáculos para acessar os serviços de saúde onde quer que vão, além de apresentarem maior risco de contrair doenças infecciosas e crônicas, sofrerem de problemas de saúde mental e, frequentemente, viverem ou trabalharem em condições inseguras.
Por tudo isso, a OMS considera que investir na saúde desses grupos gera benefícios de amplo alcance, pois favorece a integração social e econômica, aumenta a resiliência dos sistemas de saúde e reforça a segurança sanitária global. Tudo isso reduz custos a longo prazo, pois as pessoas desfrutam de melhor saúde e se integram de maneira mais eficaz na sociedade, o que lhes permite contribuir plenamente para ela.
Como exemplos de boas práticas, destacou-se a ampliação da cobertura do seguro de saúde para migrantes na Tailândia, a mediação intercultural na Bélgica e a participação de representantes de grupos de migrantes nas decisões sobre a prestação de Atenção Primária no Chile.
No entanto, observa que apenas 37% dos países coletam, analisam e divulgam sistematicamente dados sobre a saúde dos migrantes; enquanto apenas 42% incluem esses migrantes e os refugiados nos planos de preparação para emergências, de redução do risco de desastres ou de resposta.
APENAS 30% COMBATE A DESINFORMAÇÃO E A DISCRIMINAÇÃO
Menos de 40% indicam que os profissionais de saúde recebem formação para prestar cuidados adaptados às realidades culturais desses grupos e apenas 30% lançaram campanhas de comunicação para combater percepções errôneas e a discriminação relacionadas à saúde desses grupos.
Além disso, os refugiados costumam ter mais opções de acesso aos serviços de saúde, mas os migrantes em situação irregular, os deslocados internos, os trabalhadores migrantes e os estudantes internacionais contam com uma cobertura muito menos uniforme.
Diante de tudo isso, a OMS recomenda incluir refugiados e migrantes em todas as políticas, estratégias e planos nacionais de saúde; melhorar a coleta e o uso sistemáticos de dados desagregados sobre a saúde dos migrantes; coordenar medidas de vários setores, como saúde, habitação, educação, emprego e proteção social; e adaptar as estratégias às necessidades específicas de cada subgrupo de migrantes.
Além disso, defende-se a garantia da participação de refugiados e migrantes no planejamento, na governança e na concepção e prestação de serviços; a formação de profissionais de saúde para que prestem cuidados equitativos; o combate à desinformação e à discriminação por meio de medidas baseadas em dados reais; e a proteção e ampliação do financiamento, a fim de preservar os avanços alcançados em benefício de toda a população.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático